Uma das principais instituições de fomento à pesquisa no Brasil, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) completa, em 2026, 75 anos. A atuação de longa data junto a instituições de ensino e pesquisa, como a Universidade de Brasília (UnB), ressalta interação estratégica para potencializar o desenvolvimento científico nacional, institucionalizar a pesquisa brasileira e ampliar a formação de recursos humanos nas diversas áreas do conhecimento.
"A celebração dos 75 anos do CNPq é o reconhecimento de uma trajetória que se confunde com o próprio desenvolvimento da ciência brasileira. Na Universidade de Brasília, essa história se materializa diariamente na formação dos pós-graduandos, no fomento à pesquisa e à inovação, na produção de conhecimento e no compromisso com a soberania científica do país", aponta a reitora da UnB, Rozana Naves.
Criada em 1951, a agência foi o principal ator na construção, consolidação e gestão do Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o CNPq chega a 2026 com cerca de 100 mil bolsistas ativos, tendo investido R$ 7,9 bilhões em pesquisa entre os anos de 2023 e 2025.
Entre as principais ações dos últimos três anos estão a repatriação e fixação de 600 pesquisadores no país e o fortalecimento de 600 redes de cooperação entre brasileiros no Brasil e exterior. A agência também se destaca por contribuir no avanço de setores estratégicos, como agricultura, energia, saúde e indústria; na promoção da diversidade; e na consolidação dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia (INCTs), iniciativas que têm fortalecido 243 redes de excelência científica no país.
LIDERANÇA CIENTÍFICA – Na UnB, a articulação junto ao CNPq se reflete em investimentos desde a iniciação científica até projetos de pesquisa nas diversas áreas do conhecimento. São esforços que contribuem para a projeção do papel da Universidade. "O CNPq tem sido um parceiro fundamental para que a UnB amplie seu impacto social, fortaleça áreas estratégicas e contribua para uma ciência cada vez mais diversa, inovadora e conectada às necessidades da sociedade brasileira", observa Rozana Naves.
A decana de Pesquisa e Inovação, Renata Aquino, ressalta que, hoje, "essa parceria traduz-se em números que atestam a excelência da nossa produção: são 3.866 projetos financiados, com uma captação que atingiu R$ 23.601.746,65 apenas em 2024. Nossa liderança científica é reafirmada por 376 bolsistas de produtividade (PQ e DT)".
A Universidade também possui 924 grupos de pesquisa registrados e certificados no Diretório de Grupos de Pesquisa do CNPq em várias áreas do conhecimento, além de sediar seis INCTs, articulados para contribuir em temas estratégicos a partir de redes de pesquisa multidisciplinares.
A atuação pioneira destes institutos resulta em produções científicas de relevância, seja nas políticas de cotas, caso do INCT Inclusão; na promoção da equidade de gênero e da diversidade nas ciências, como tem feito o INCT Caleidoscópio; ou no monitoramento das dinâmicas socioambientais diante das mudanças climáticas, trabalho executado pelo INCT Odisseia.
"Na fronteira tecnológica, os institutos de Biotecnologia Industrial, Biota do Cerrado e Estudos Geotectônicos garantem que o conhecimento gerado em nossos laboratórios se converta em inovação e segurança para a sociedade", acrescenta a decana.
Para Renata Aquino, a parceria com o CNPq se alia ao projeto de universidade pensado por Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira: aquela voltada à produção de conhecimentos para a transformação social e a promoção de soberania, bem-estar social e autonomia tecnológica.
CELEBRAÇÃO – A reitora Rozana Naves e o vice-reitor Márcio Muniz representaram a UnB na solenidade que celebrou os 75 anos do CNPq, realizada no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em 23 de março, em Brasília.
O evento reuniu pesquisadores, representantes de diversos órgãos científicos e líderes políticos. Entre eles, a ministra de Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, e o presidente do órgão, Olival Freire Jr, que destacou a importância do CNPq para o desenvolvimento e a soberania nacional. A diretora do Instituto de Ciências Biológicas (IB) da UnB e bolsista produtividade em pesquisa do CNPq, Mercedes Bustamante, também esteve presente.
Presidente da Academia Brasileira de Ciências, Helena Nader frisou que não há projeto de nação sem ciência. Já o ex-presidente do CNPq e hoje deputado federal Ricardo Galvão defendeu que a presença de cientistas na política ajuda a construir políticas públicas baseadas em dados.
Também marcaram presença instituições que lutam pelo desenvolvimento científico e de políticas públicas nas áreas de educação, ciência, tecnologia e cultura, como a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), a Academia Brasileira de Ciências (ABC), a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Marinha do Brasil.
Confira a solenidade comemorativa dos 75 anos do CNPq:
