Desafios reais de gestão e de práticas de saúde podem ser transpostos com conhecimentos multidisciplinares e apoio de recursos tecnológicos. Essa é a aposta do Programa de Residência Tecnológica em Saúde Digital do Ocean UnB, iniciado nesta segunda-feira (4), no Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HUBrasil). Com seis meses de duração, a primeira turma conta com 30 estudantes de cursos de graduação e pós em áreas de saúde e tecnologia. A iniciativa integra o Samsung Ocean, programa da multinacional sul-coreana voltado para capacitações e inovação.
A residência tem carga horária semanal de, pelo menos, seis horas e vai ser desenvolvida no HUB e no Parque Científico e Tecnológico da UnB (PCTec). As atividades incluem aulas, mentorias, práticas e desenvolvimento de projetos. O programa prevê imersões e vivências reais em ambientes do Sistema Único de Saúde (SUS) e promete integração entre as áreas de inovação da Universidade e da empresa de produtos eletrônicos.
“Não é muito simples e trivial reunir o que nós temos neste projeto. Nessa primeira turma, temos vocês residentes de áreas de saúde e tecnologia voltados para solucionar problemas num hospital complexo como o HUB”, disse o professor da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Saúde (FCTS) Emerson Fachin, um dos coordenadores do Ocean UnB, na abertura do programa. Ao final da residência, a expectativa anunciada por ele é a de que sejam apresentadas soluções, novas ideias e planos de negócios para o segmento.
O também coordenador Nilton Silva mencionou o “trabalho danado” para a operacionalização do programa e agradeceu aos profissionais do HUB que contribuíram para o formato da residência. Ele demonstrou entusiasmo pela junção de expertises e disse estar otimista com as condições de trabalho. “Entendo que não teremos falta de recursos, de software, de hardware e de recursos humanos para fazer um bom enfrentamento dos problemas”, afirmou o docente da Faculdade de Ciências e Tecnologias em Engenharia (FCTE).
A superintendente interina do HUB, Carla Targino, agradeceu a disposição dos que se propõem a formular tecnologias em saúde. “A gente precisa ter esse formato, ter essa experiência enquanto hospital de ensino. E a gente também precisa, daqui a pouco, proporcionar para os nossos pacientes do SUS tudo o que há de melhor e o que a tecnologia pode proporcionar”, disse ela, que leciona no Departamento de Enfermagem (ENF/FS).
O diretor do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT), Guilherme Gelfuso, representou a administração superior no encontro inaugural. “É muito interessante a gente ver esse tipo de iniciativa dando certo”, disse, ao enfatizar o caráter multidisciplinar da residência. “Hoje marca o início não só desta turma, mas de um projeto que a gente quer que dure muito tempo”, afirmou ele, que é professor do Departamento de Farmácia (FAR/FS).
INSPIRAÇÃO E MÃOS À OBRA – As estudantes de Enfermagem Ana Clara Madeiro e Letícia Martins superaram a concorrência de mais de 300 candidatos e fazem parte do grupo pioneiro na residência. Prestes a se formar na FCTS, Ana Clara pretende propor soluções que contribuam para o bem-estar de idosos. “Participo de pesquisa em letramento digital em saúde de idosos e pretendo dar sequência aqui”, disse.
Também na reta final da graduação, Letícia quer desenvolver projeto com perspectiva de propor melhorias na administração hospitalar. “Gosto muito da área de gestão, em que há muitas lacunas”, afirmou. As estudantes vão poder contar com o apoio do colega residente José Matheus Trindade, estudante de Engenharia Mecatrônica. “Pretendo desenvolver projetos que sejam relevantes e também contribuam para o meu currículo”, disse ele, que teve o interesse pela área impulsionado pela cunhada, profissional de saúde.
Os residentes começaram as atividades com palestra do pesquisador, professor colaborador da Faculdade de Medicina (FM) e médico otorrinolaringologista Márcio Nakanishi. Ele trouxe o histórico dos processos que culminaram com a produção do Multiscent 20, dispositivo eletrônico desenvolvido a partir de estudos no HUB para diagnosticar distúrbios olfativos e doenças como a sinusite crônica. O equipamento, validado internacionalmente, é um exemplo dos avanços da cooperação entre as áreas de saúde e tecnologia.
Além da UnB, o programa de residência começou a ser ofertado este semestre na Universidade de São Paulo. Os residentes vão receber bolsas mensais de R$ 1 mil. As ações também são apoiadas pela HUBrasil, nova marca da Empresa Brasil de Serviços Hospitalares (Ebserh), e pela Softex, organização de apoio a políticas públicas em tecnologia e inovação.
