EXCELÊNCIA

Salto de seis posições consolida liderança regional e traz destaque para extensão, um dos seis critérios avaliados

Consultoria Aracá, ligada à FAV/UnB, é uma das 47 empresas juniores da Universidade de Brasília. Foto: Divulgação

 

Os esforços para impulsionar o empreendedorismo na Universidade de Brasília têm surtido efeito. Em 2025, a instituição subiu seis posições no Ranking de IES Empreendedoras e agora é apontada como a 10ª mais empreendedora do país, e primeira no Centro-Oeste. O levantamento foi divulgado em dezembro pela Confederação Brasileira de Empresas Juniores (Brasil Júnior). O melhor desempenho da UnB foi no quesito extensão, com a quinta colocação nacional.

 

Outros cinco eixos integraram a metodologia do ranking: cultura empreendedora, inovação, internacionalização, infraestrutura e capital financeiro. A Brasil Júnior usou pesquisas de percepção e coleta de informações autodeclaradas como fontes de dados para avaliar as instituições de ensino superior. Mais de 4 mil estudantes e 92 instituições foram consultados nesse processo. O levantamento anterior havia sido realizado em 2023.

 

“Esse avanço é resultado de um trabalho coletivo, com forte protagonismo dos estudantes, apoio dos docentes e decisões institucionais voltadas ao fortalecimento da inovação”, avalia a reitora Rozana Naves. “A UnB tem buscado aproximar a formação acadêmica dos desafios reais da sociedade, criando condições para que o conhecimento gere impacto”, completa a gestora, que vê a ascensão como indicativo do compromisso da Universidade com a formação e o desenvolvimento do país.

Guilherme Gelfuso (E) e Rozana Naves, ao lado do analista do CNPq Luiz Cláudio Pimentel, durante a 16ª FNI. Gestores mencionam o programa Prisma entre as iniciativas para fomentar o empreendedorismo na UnB. Foto: CDT 

 

A reitora destaca o papel do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT) e o apoio a empresas juniores no ecossistema de inovação da UnB. “Soma-se a isso escolhas estratégicas da nossa gestão, como a transferência da área de incubação de empresas do CDT para o Parque Científico e Tecnológico da UnB (PCTec), a criação dos editais Prisma [Programa de Residência em Inovação] e os avanços concretos na proteção do conhecimento”, afirma Naves, ao destacar os 109 ativos de propriedade intelectual registrados em 2025.

 

CULTURA EMPREENDEDORA – Apesar dos avanços, Rozana Naves reconhece que é preciso atuar mais no estímulo à cultura empreendedora. Para isso, ela aponta a necessidade de ampliar o diálogo nos cursos, valorizar experiências práticas e disseminar a ideia de que é possível expandir o conhecimento científico por meio do empreendedorismo. “Nosso foco é seguir criando condições para que ideias desenvolvidas na UnB ganhem escala, impacto e contribuam de forma concreta para a sociedade”, afirma.

 

Entre as medidas práticas para difundir essa cultura, o diretor do CDT, Guilherme Gelfuso, destaca a criação do Programa CDT Integra, destinado a articulação de ações nos quatro campi. Ele anuncia ainda a Escola de Inovação, que, em parceria com o Decanato de Ensino de Graduação (DEG) vai ofertar, a partir deste ano, disciplinas de empreendedorismo e inovação em módulos livres.

Em parceria com o DEG, o CDT anuncia a Escola de Inovação para ofertar disciplinas de empreendedorismo e inovação. Foto: Luis Gustavo Prado 

 

Gelfuso também enfatiza o Prisma como iniciativa de fomento a um ambiente empreendedor. Ele lembra que o programa derivou abordagens específicas, como o Prisma Mulher, o Prisma Gamer e o Prisma Social. Outro fator apontado como determinante para ascensão institucional no setor é o aumento do diálogo com empresa juniores por meio da Concentro, que congrega EJs do Distrito Federal, e da implementação do Comitê-EJ, com representes das empresas, do CDT, do DEG e dos decanatos de Pesquisa e Inovação (DPI) e de Extensão (DEX).

 

“Nossa visão é de que o crescimento não resulta da busca por soluções espetaculares, mas do aprofundamento do que vem sendo construído com o apoio da comunidade”, diz o diretor, que defende o “cuidado orgânico e contínuo” aos estudantes em vez de iniciativas isoladas. “Pretendemos continuar apostando e aprimorando esses programas recém-implementados, confiando que são capazes de continuar gerando bons resultados para a UnB, refletindo em uma formação cada vez mais moderna e conectada com as expectativas de nossos alunos”.

 

INCUBAÇÃO E EMPRESAS JUNIORES – O ecossistema empreendedor da UnB conta com 16 empresas em estágio de pré-incubação e incubação. As fases iniciais desses empreendimentos são gerenciadas pela Coordenação de Empreendedorismo e Inovação (CEI/CDT) por meio de programas como o Prisma. O suporte mais avançado para as empresas já incubadas fica a cargo do PCTec.

 

A Universidade dispõe ainda de 47 empresas juniores ativas. O Programa Empresa Junior (Pró-Jr) é responsável pelo atendimento contínuo às EJs, inclusive com apoio jurídico e contábil. O técnico da CEI/CDT Wesley Pereira Sena lidera ações que incluem o Pró-Jr e avalia que os investimentos nessas áreas somados à estruturação da Escola de Inovação, ao aumento de atividades de extensão com práticas inovadoras e à participação em eventos contribuem para consolidar uma comunidade empreendedora.

Liderança da empresa júnior Lamparina defende cultura empreendedora para estimular mentes criativas. Foto: Divulgação

 

“Estivemos presentes em grandes eventos nacionais e institucionais, como a Campus Party, a Pré-COP 30 e a 16ª Feira de Negócios e Inovação (FNI), que reuniu mais de 3 mil inscritos”, lembra o servidor. Para ele, o desafio agora “é fomentar uma cultura que vá além da abertura de empresas, focando no protagonismo social e na resolução de problemas reais da sociedade”.

 

EXPERIÊNCIA EMPREENDEDORA – “A cultura empreendedora na Universidade é essencial para engajar o público estudantil em programas oferecidos pela UnB e proporcionar maior conhecimento e aprendizado”, avalia a estudante Melissa Tavares, gestora da empresa júnior Lamparina Design. “Além disso, essa cultura proporciona laços e conexões que movimentam pessoas a continuar no mundo empreendedor e fomentar mentes criativas, sempre promovendo um espaço ideal para crescimento coletivo em prol do movimento empreendedor”, afirma.

 

A presidente da EJ Aracá, Eliane Rocha, concorda e diz que o empreendedorismo “aproxima teoria e prática e contribui para o desenvolvimento de habilidades profissionais e pessoais, como liderança, gestão, resolução de problemas e trabalho em equipe, além de preparar os estudantes para os desafios reais do mercado de trabalho”. Ela analisa que ainda há espaço para mais engajamento institucional e diz que as vivências na empresa, conectada à Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV), têm sido essenciais para sua jornada acadêmica.

 

“Nos últimos tempos, percebi que houve aumento significativo de pessoas entrando em empresas juniores, principalmente na UnB, a maioria alegando buscar experiência na sua respectiva área”, diz o presidente da Ecoflor, Caio Teixeirense. Ele atua na empresa júnior da Engenharia Florestal (ENF/FT) há quase uma ano e diz que a experiência o ajudou a realizar e a aprender atividades relacionadas ao cotidiano da carreira.

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