A Universidade de Brasília registrou em 2025 um total de 109 ativos de propriedade intelectual, número que representa um crescimento expressivo em relação a 2024, quando foram contabilizados 70 registros. O resultado reforça a consolidação de uma agenda institucional voltada à inovação, à proteção do conhecimento científico e à aproximação entre pesquisa e sociedade.
Até o fim de dezembro, foram protegidos 40 pedidos de patente, 12 desenhos industriais, 52 programas de computador e 5 marcas institucionais. Além disso, a Universidade contabilizou 30 tecnologias licenciadas, ampliando o alcance prático das soluções desenvolvidas em seus laboratórios.
O desempenho está diretamente relacionado à atuação do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT), responsável por apoiar pesquisadores, docentes, estudantes e técnicos no processo de proteção, transferência e comercialização de tecnologias geradas na UnB.
ESTRUTURA FORTALECIDA – Segundo o diretor do CDT, Guilherme Gelfuso, o crescimento é resultado de um conjunto de mudanças estruturais e estratégicas implementadas recentemente. “O CDT tem aprimorado os serviços de proteção da propriedade intelectual e tem sensibilizado a nossa comunidade acadêmica sobre a importância de se proteger o conhecimento gerado em todos os laboratórios de pesquisa da UnB”, afirma.
Entre as ações, destaca-se o fortalecimento do Núcleo de Propriedade Intelectual (Nupitec), com equipe multidisciplinar, novas metodologias de trabalho e treinamentos contínuos. Em 2025, o CDT também lançou o Programa CDT INTEGRA, que promove visitas quinzenais aos quatro campi da Universidade, ampliando o diálogo direto com a comunidade acadêmica.
“Acreditamos que o Programa CDT INTEGRA, aliado à nossa participação na Feira de Oportunidades da UnB e na Semana Universitária, tem contribuído para aumentar a visibilidade das ações do CDT perante toda a comunidade acadêmica”, destaca Gelfuso.
Para o diretor, o aumento no número de registros vai além de um indicador quantitativo e reflete um ciclo mais amplo de inovação. “O registro da propriedade intelectual gerada por meio das pesquisas desenvolvidas na UnB é o primeiro passo para promover a inovação”, explica.
A partir da proteção, o CDT atua junto aos pesquisadores na transferência de tecnologia, buscando o licenciamento e, quando aplicável, a comercialização. Esse processo amplia as possibilidades de que produtos, processos e serviços desenvolvidos na Universidade cheguem à sociedade.
Esse movimento tem sido impulsionado também pelo Programa PRISMA – Programa de Residência em Inovação, criado em 2025 para apoiar a transformação de projetos acadêmicos em ativos de propriedade intelectual e novos produtos.
O avanço institucional se reflete em indicadores externos. Em 2025, a UnB subiu seis posições no ranking IESE, da Confederação Brasileira de Empresas Juniores, passando a ocupar o 10º lugar entre as instituições de ensino superior mais empreendedoras do país e mantendo-se como a mais bem posicionada da região Centro-Oeste.
INCENTIVO – O crescimento também foi influenciado por políticas institucionais de fomento à inovação. Em 2024, foi lançado o Edital DPI/CDT/PCTEC nº 01/2024, voltado ao apoio a projetos de pesquisa, desenvolvimento e inovação com potencial de geração de ativos de propriedade intelectual e impacto socioambiental.
Ao todo, 73 propostas foram contempladas, com exigência de registro do ativo como parte da prestação de contas. Como o edital ainda está em fase de execução, o CDT avalia que seus efeitos mais amplos deverão ser percebidos em 2026.
As proteções realizadas pelo CDT são mapeadas desde sua origem, e um dos aspectos mais marcantes é a integração entre diferentes unidades acadêmicas. A colaboração entre áreas tem se tornado cada vez mais frequente, fortalecendo o caráter interdisciplinar das tecnologias desenvolvidas.
Historicamente, a Faculdade de Tecnologia (FT), a Faculdade de Ciências da Saúde (FS), o Instituto de Química (IQ) e o Instituto de Ciências Biológicas (IB) mantêm protagonismo no desenvolvimento de novos produtos, processos e serviços.
Entre os destaques temáticos de 2025, as patentes seguem concentradas em energia, automação, agricultura, produtos farmacêuticos e cosméticos. Já os programas de computador apresentam forte presença em automação, educação, SocialTechs, FinTechs e soluções baseadas em inteligência artificial.
A Universidade também reúne casos de tecnologias com impacto direto na sociedade, como métodos para produção de insulina recombinante, kits de detecção rápida de metanol em bebidas alcoólicas, soluções nanotecnológicas para aumento da produtividade agrícola e pesquisas em neuroproteção para doenças como Alzheimer e Parkinson.
PERSPECTIVAS – Para 2026, o CDT pretende ampliar as ações de sensibilização junto às unidades acadêmicas, com foco em empreendedorismo, proteção intelectual, comercialização de ativos e formalização de parcerias previstas na Lei de Inovação. “Nossa perspectiva é proteger o maior número de ativos intangíveis possível”, afirma Gelfuso, ponderando que fatores como o andamento das pesquisas e o fomento disponível impactam diretamente os resultados.
Mesmo diante de preocupações relacionadas a cortes orçamentários recentes, o centro mantém expectativas positivas, apoiado na consolidação de programas, na aproximação com a comunidade acadêmica e no fortalecimento da cultura de inovação na Universidade de Brasília.
TRAJETÓRIA – Embora os números de 2025 sejam expressivos, eles também refletem uma construção de longo prazo. Criado em 1986, o CDT foi pioneiro no Brasil ao estruturar mecanismos de apoio à inovação e à incubação de empresas em uma universidade federal. Com a consolidação da Lei de Inovação e do Marco Legal da Inovação, o centro passou a atuar formalmente como Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) da UnB.
Esse amadurecimento institucional foi reconhecido em 2025, quando o CDT foi a Instituição de Ciência e Tecnologia mais bem pontuada no Edital Acelera NIT, do Ministério da Educação. “Os resultados obtidos em 2025 refletem o bom trabalho que historicamente vem sendo desenvolvido pelo CDT, mas também o aperfeiçoamento do serviço que o centro presta para a UnB, com novas práticas adotadas pela nova gestão”, avalia Gelfuso.
