ÓRGÃOS COLEGIADOS

Discussão ocorreu em cenário restritivo para custeio e investimento. Conselho aprovou uso do Edifício OK para projetos de extensão e inovação social

Colegiado discutiu os desafios do orçamento de 2026, em cenário de redução de recursos para custeio e investimento na Universidade. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB

 

O Conselho de Administração (CAD) aprovou, nesta quinta-feira (14), a proposta da matriz orçamentária de 2026 e a destinação do Edifício OK, imóvel da Universidade de Brasília (UnB) localizado no Setor Comercial Sul (SCS). A reunião ocorreu no Auditório da Reitoria e discutiu os desafios do cenário orçamentário da instituição e um novo uso para o prédio, sem ocupação efetiva há cerca de dez anos.

No caso do orçamento, o colegiado aprovou a proposta de distribuição de recursos entre unidades acadêmicas, administrativas e centros da Universidade. A matriz foi analisada e reavaliada por uma comissão, com participação de docentes e gestores, e já havia sido debatida na Câmara de Planejamento e Administração (Cplad). O próximo passo é a apreciação pelo Conselho Universitário (Consuni).

A discussão ocorreu em um contexto de retração orçamentária, especialmente nas despesas discricionárias da Universidade. Durante a apresentação da matriz orçamentária de 2026, a decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional (DPO), Doriana Daroit, explicou que a proposta foi elaborada diante da diminuição de recursos para custeio e investimento. “Se vocês observarem a evolução da LOA de 2022 a 2026, nós tivemos algumas perdas. No que se refere ao custeio, tivemos uma redução de quase 10% entre a LOA de 2025 e 2026”, afirmou Doriana.

Dados apresentados ao CAD mostram que, na ação 20RK – principal rubrica de funcionamento da Universidade –, o orçamento de custeio caiu 9,9%, enquanto os recursos para investimento tiveram redução de 69,4% em relação a 2025. A proposta de distribuição orçamentária para as unidades acadêmicas incorporou novos indicadores relativos à pesquisa.

A proposta aprovada mantém 70% do chamado Valor de Referência Histórico (VRH), mecanismo utilizado para reduzir oscilações bruscas no orçamento das unidades. Os 30% restantes do VRH acrescidos de recursos próprios formam a repartição via indicadores Andifes, extensão, disciplinas de serviço, graduação, pós-graduação e pesquisa, como forma de incentivar o desempenho das unidades nestes campos.

A decana de Planejamento, Orçamento e Avaliação Institucional (DPO), Doriana Daroit, detalhou ao CAD os novos critérios da matriz orçamentária de 2026, que passaram a incluir indicadores de pesquisa e gênero. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB


Doriana explicou que a metodologia passou por revisão para eliminar sobreposição de indicadores e ampliar a avaliação das atividades acadêmicas. Entre as mudanças, está a criação de um novo indicador de pesquisa, voltado à produtividade acadêmica, internacionalização e produção científica qualificada. “Fizemos uma avaliação mais global para essa distribuição, envolvendo graduação, pós-graduação, extensão e pesquisa, que era um campo em déficit.”

Outra novidade da matriz é a inclusão de um indicador de gênero, incorporado a partir de uma lógica de orçamento sensível a gênero, considerando proporcionalidade entre homens e mulheres na pós-graduação e na pesquisa. Mesmo com a aplicação dos novos critérios, o DPO informou que nenhuma unidade acadêmica receberá menos recursos do que no ano anterior.

EXECUÇÃO – O CAD também acompanhou os dados da execução orçamentária de 2025. Segundo o DPO, a Universidade empenhou 99% dos recursos discricionários e manteve 100% de empenho em áreas como assistência estudantil, capacitação de servidores e parte das ações de funcionamento institucional.

Integrante da equipe técnica do DPO, Lucas Teles explicou que menos de 1% não empenhados deveu-se ao calendário de liberação de limites orçamentários pelo governo federal, especialmente na fonte vinculada à arrecadação própria da Universidade. “O governo espera primeiro a arrecadação, para depois liberar o limite. Como a nossa arrecadação é muito concentrada no fim do mês e o fechamento do exercício foi muito curto, não foi possível empenhar 100%. Mas esse valor foi convertido em superávit, então não houve impacto para a Universidade”, complementou.

O diretor da Faculdade de Ciências da Saúde (FS), Laudimar Oliveira, avaliou positivamente os avanços da proposta, mas sugeriu aprofundar o debate sobre custos de infraestrutura e manutenção das unidades. “Talvez seja importante amadurecer uma lógica que permita aproximar melhor os custos de infraestrutura das atividades acadêmicas e reduzir burocracias”, pontuou.

EDIFÍCIO OK – Além do orçamento, o colegiado aprovou a destinação do Edifício OK para o projeto TAIPAS UnB – Território de Ação, Inovação e Participação Social. A iniciativa é voltada ao desenvolvimento de atividades acadêmicas, extensionistas, culturais e de inovação social, articuladas com organizações da sociedade civil e órgãos públicos.

De acordo com o parecer elaborado pelo diretor da Faculdade de Direito, Alexandre Costa, e apresentado ao colegiado, o edifício está sem destinação efetiva há, pelo menos, dez anos, gerando gasto mensal estimado em cerca de R$ 50 mil com limpeza e segurança patrimonial.

A reitora Rozana Naves afirmou que a proposta resulta de visitas técnicas ao imóvel, do processo de revitalização do Setor Comercial Sul e de demandas apresentadas pela prefeitura da região. “Constituímos uma comissão para discutir uma proposta de destinação, considerando a remodelação do Setor Comercial Sul e também a nossa intenção de desenvolver projetos em profundo diálogo com a sociedade”, disse.

Segundo a reitora, o modelo prevê contrapartidas não financeiras, como reformas, adequações e manutenção do espaço. “Hoje, temos despesas que pressionam o orçamento da Universidade. A proposta permite reduzir esses custos e evitar impactos da desvinculação de receitas da União”, acrescentou.

Inspirado na técnica construtiva da taipa – associada à construção coletiva e ao compartilhamento de saberes – o projeto propõe transformar o imóvel em espaço de convivência acadêmica, cultural e comunitária, com foco em economia solidária, direitos humanos, educação popular e inovação social.

A diretora do Instituto de Ciências Humanas (ICH), Neuma Brilhante, avaliou a proposta como uma oportunidade de ampliar a presença da Universidade no centro de Brasília. “O Setor Comercial Sul vive um esforço importante de revitalização. É uma oportunidade de estarmos no meio da cidade oferecendo nossas atividades de extensão. É uma iniciativa bastante louvável”, afirmou.

 



DEMOCRACIA TODOS OS DIAS – Nos conselhos e câmaras da Universidade de Brasília, estudantes, docentes e técnicos participam das decisões que orientam os rumos institucionais. Previstas no Estatuto da UnB, essas instâncias asseguram representatividade, diálogo e deliberação coletiva, fortalecendo a democracia como prática cotidiana no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão universitária. Em sintonia com a campanha institucional 2026, os órgãos colegiados expressam o compromisso da Universidade com a pluralidade, a escuta e a participação social.

 

Confira a transmissão da 451ª reunião do CAD:

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