O Instituto de Ciência Política (Ipol) promoveu nesta semana a 1ª Conferência Internacional Os futuros da democracia, com o intuito promover debates sobre os possíveis futuros do regime governamental, especialmente na América Latina. Realizado em parceria com o International Institute for Democracy and Electoral Assistance (Idea International), o evento recebeu palestras com figuras internacionais e de ministérios, na segunda (8) e na terça (9), no auditório da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), campus Darcy Ribeiro.
“Pensar os futuros é pensar também no papel da ciência e das universidades nessa reconfiguração e reafirmação da democracia. Sobretudo nos processos, os mecanismos que nos levam a aprofundar a democracia nos nossos Estados”, observou a reitora Rozana Naves, durante a abertura do encontro. A gestora destacou feitos institucionais para a defesa da democracia, como a criação do Comitê de Enfrentamento à Desinformação.
O evento foi norteado por premissas acerca da democracia. Primeiro: ela necessita ser entendida como um processo dinâmico, feito de avanços e retrocessos; segundo: demanda o reconhecimento dos fatores de desigualdade; terceiro: precisa ser compreendida como algo inacabado, que requer defesa e aprimoramento constantes.
“Os acontecimentos recentes no Brasil são evidência dessa complexidade que nos desafia a repensar tanto a fragilidade da democracia como as possibilidades de resistência”, comentou a diretora do Ipol, Marisa Von Bülow.
A diretora regional da América Latina e Caribe da Idea, Marcela Rios, frisou que, além de carregar consigo conceitos tradicionais, como dia de eleição, debate político e assembleias, a democracia “é também uma utopia, uma promessa de futuro, um processo em construção permanente”.
Rios destacou ainda a importância de a conferência acontecer na UnB, mencionando a história de luta pela democracia na Universidade. “Não consigo imaginar lugar mais apropriado do que este campus para sediar o evento como o nosso, porque a UnB é prova de que é possível inovar na democratização do acesso à educação pública e gratuita e, ao mesmo tempo, é exemplo de resiliência frente a múltiplos atalhos”, aprofundou Bülow.
ABERTURA – Demonstrando o comprometimento da Universidade com a internacionalização e devido às limitações de idioma por parte das palestrantes, a mesa de abertura foi feita inteiramente em espanhol, com tradução simultânea. A mediação da conversa de Marcela Rios e de Vicky Murillo, da Universidade de Columbia, Estados Unidos, foi feita pela professora Flávia Biroli (Ipol).
Murillo destacou que a insatisfação com o regime democrático veio da democracia em si, pois ela “gerou expectativas e promessas que não conseguiu cumprir". "A democracia faz com que as pessoas sintam que têm o poder e a capacidade de exigir resultados de seus governos. No entanto, os governos têm tido dificuldade em responder, devido à fragilidade institucional, à incapacidade ou fraqueza estatal. Isso gera descontentamento político”, completou.
O evento foi transmitido no canal do Ipol no YouTube.
*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB
