OPINIÃO

Dioclécio Campos Júnior é Professor Emérito da Universidade de Brasília. Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro, é mestre e doutor em Pediatria, ambos pela Universite Libre de Bruxelles. Ex-presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, membro titular da Academia Brasileira de Pediatria e presidente do Global Pediatric Education Consortium (GPEC). Atua principalmente nos temas: vínculo mãe-filho, aleitamento materno, nutrição infantil, crescimento e desenvolvimento, desnutrição, estreptococcias, parasitologia, saúde pública e comunicação.

 

 

Dioclécio Campos Júnior

 

A universalização de hábitos e condições de vida expande-se no Planeta graças aos progressos alcançados no âmbito da tecnologia. As fronteiras vão perdendo sentido. As diferentes etnias ganham convivência, adquirindo paulatinamente o comportamento unificador oriundo de uma sociedade multicultural. Cresce a livre circulação de pessoas e mercadorias, globalizando direitos e deveres, além de princípios morais e éticos. É a decisiva travessia rumo à civilização autenticamente humana.  As resistências são fortes, mas vão sendo pouco a pouco superadas.

 

Por outro lado, como consequência desse dinâmico processo histórico, passam também a circular livremente os vírus, bactérias, fungos, parasitas, seus respectivos vetores, ademais de substâncias tóxicas e produtos alimentares os mais diversos. Como consequência, a epidemiologia das distintas enfermidades projeta-se igualmente na dimensão global. Portanto, os profissionais de saúde precisam ser formados com o perfil adequado ao novo padrão da assistência à saúde, que se torna bem visível no século XXI.

 

Começam a surgir as iniciativas coerentes com as transformações delineadas no horizonte do novo século. Um exemplo das necessárias mudanças que viabilizem o verdadeiro progresso da humanidade, com ênfase na educação em saúde, vem sendo consolidado em favor da infância e adolescência. Trata-se da criação do Global Pediatric Education Consortium – GPEC (Consórcio de Educação Pediátrica Global), instituição internacional surgida no ano de 2008. Resulta do esforço de lideranças mundiais comprometidas com ações capazes de promover, mundo afora, com a devida qualidade, a saúde de crianças e adolescentes, entendida como pré-requisito insubstituível para a construção do futuro. Essa instância de educação pediátrica global já reúne entidades representativas de 55 países, incluindo o Brasil, distribuídos pelos cinco continentes. Sua sede administrativa referencial localiza-se na cidade de Virginia, no estado de Carolina do Norte, Estados Unidos.

 

Na condição de Professor Emérito da UnB, representei a pediatria brasileira no GPEC, desde 2011. Colaborei, em nome da Sociedade Brasileira de Pediatria, na elaboração participativa do Currículo Pediátrico Global, trabalhando, em seguida, para sua implementação nos respectivos programas de residência médica do Brasil e demais países do Cone Sul.

 

Esses grandes avanços, entre os quais a inclusão da pediatria da UnB na categoria de unidade piloto para a qualificação das novas gerações pediátricas, têm sido possíveis graças ao compromisso com a causa de educação em saúde. Em reconhecimento ao mérito das ações que temos conseguido realizar nesse contexto internacional, tive a honra de ser eleito presidente do GPEC, na sua reunião de cúpula realizada em Barcelona no mês de agosto do ano passado. Durante o mandato de 3 anos que me cumpre exercer, boa parte do centro administrativo do Consórcio passou a funcionar em Brasília.

 

O primeiro êxito alcançado pela atual gestão é a assinatura do Protocolo de Intenções com a Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), na pessoa de seu Secretário-Geral, o professor Paulo Speller. O evento ocorreu em Brasília, no dia 27 de abril deste ano. É o marco oficial do trabalho conjunto entre as duas instituições internacionais, com vistas a fomentar a execução dos projetos de educação pediátrica em saúde nos países da península Ibérica e da América Latina. Por isso, o objetivo maior do GPEC é contribuir para o alto padrão qualitativo da formação dos profissionais encarregados do bem-estar físico, mental e social do ser humano no período mais complexo de sua existência, durante o qual ocorrem os fenômenos de crescimento físico e desenvolvimento psicomotor, mental e social. Em outras palavras, é garantir à infância e adolescência o alto nível de assistência à saúde, requisito essencial à fase de vida marcada pela estruturação e diferenciação do cérebro.

 

Como disse a famosa pensadora francesa Simone de Beauvoir: "O futuro não é abstração, é resultado". Assim sendo, o compromisso do GPEC com a qualidade global da residência médica em pediatria, um modelo de pós-graduação lato sensu com treinamento em serviço, incluindo as outras áreas envolvidas na assistência à criança e adolescente, é postura de vanguarda nos tempos atuais. Uma integração com a UnB poderá aumentar a energia produtiva indispensável ao fomento desses relevantes projetos internacionais, solidamente comprometidos com a construção do futuro.

 

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