AMPLIAÇÃO DE SABERES

Convidados discutiram o papel das feiras literárias, da leitura e da autoria em cenário de transformações tecnológicas e de novos hábitos de consumo cultural

Durante a abertura, representantes da EDU, da BCE, da Administração Superior e convidados discutiram circulação da produção literária, formação de leitores, produção de conhecimento por meio da leitura e transformações no mercado editorial. Foto: Iogo Chirola/Ascom GRE


Leitura, autoria e circulação do conhecimento estiveram no centro dos debates que marcaram a mesa de abertura da 4ª Festa do Livro da Universidade de Brasília, realizada na noite desta segunda-feira (14), no auditório da Biblioteca Central (BCE), campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. A cerimônia reuniu representantes da Universidade, da Editora UnB e convidados para discutir o tema As feiras do livro e do leitor.

Durante a abertura, a diretora da Editora UnB (EDU), Marina Dourado Lustosa Cunha, apresentou a programação da quarta edição da festa. O evento reúne editoras universitárias e comerciais, livrarias independentes, coletivos literários e profissionais de diferentes áreas do mercado editorial. Além da venda de livros com descontos a partir de 30%, a programação inclui oficinas, cursos, palestras, mesas-redondas e lançamentos.

Para Marina, o objetivo vai além da comercialização de obras. “Não se trata só de disponibilizar os livros para o público, mas de criar oportunidades para a troca de experiências, para o surgimento de novas ideias e para a formação de comunidades leitoras.”

AUTORES – A diretora da EDU também destacou o crescimento do espaço destinado a autores. A chamada pública promovida pela organização recebeu mais de 60 inscrições, o que levou à ampliação da programação inicialmente prevista. Ao todo, 25 participantes foram selecionados para apresentar suas obras.

Segundo Marina, a procura evidencia a demanda por espaços de circulação e divulgação de trabalhos literários, especialmente na região Centro-Oeste. Ela explicou ainda que a programação reúne diferentes gêneros, áreas do conhecimento e perfis de autores, e destacou que o evento proporciona a “convivência entre produção acadêmica, literatura, ensaios, poesias, memória e outras formas de escrita".

ACESSO – A diretora da Biblioteca Central (BCE), Maria do Socorro Neri, destacou que a formação de leitores envolve tanto a ampliação do acesso aos livros quanto a criação de oportunidades de encontro entre obra e público. Para ela, bibliotecas, clubes de leitura, oficinas, encontros com autores e eventos literários cumprem funções complementares nesse processo. “A formação de leitores não depende apenas da disponibilidade de livros, mas também da criação de condições materiais, sociais e culturais que favoreçam o encontro permanente entre as pessoas e a leitura.”

Festa do Livro estabelece espaço para divulgação de obras literárias e incentivo à leitura por acadêmicos e comunidade em geral. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB


Maria do Socorro também ressaltou a importância do ambiente universitário na promoção da leitura, por articular ensino, pesquisa e extensão. Nesse contexto, citou as ações de mediação cultural como estratégias de aproximação entre estudantes, docentes, técnicos e comunidade externa.

COMUNIDADES – A reitora Rozana Naves destacou a leitura como uma prática que conecta diferentes formas de produção de conhecimento. “A leitura nos permite não só ressignificar o conhecimento que se produz dia a dia, em uma velocidade cada vez mais rápida, mas, sobretudo, nos permite dialogar com diferentes saberes, o saber científico e os saberes produzidos pelas comunidades”, ressaltou.

Outro ponto abordado por Rozana foi a relação entre leitura, autoria e as transformações tecnológicas contemporâneas. Ao comentar o avanço das ferramentas de inteligência artificial, ela defendeu a necessidade de aprofundar o debate sobre o papel humano na criação intelectual e na produção de conhecimento.

LITERATURA – Convidados da palestra de abertura, a professora emérita da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) Maria Adélia Menegazzo e o escritor Reginaldo Pujol Filho trouxeram reflexões sobre o lugar das feiras literárias no cenário contemporâneo.

Maria Adélia destacou que feiras, festivais, bienais, saraus e clubes de leitura constituem importantes espaços de aproximação entre livros e leitores. Ao apresentar dados sobre eventos literários realizados no país, ela observou que essas iniciativas dialogam com diretrizes do Plano Nacional do Livro e Leitura, voltadas à democratização do acesso ao livro, à formação leitora e ao fortalecimento da diversidade editorial.

Já Reginaldo partiu da pergunta “Como a gente pode pensar um livro em 2026?” para discutir transformações recentes do mercado editorial, das formas de publicação e do papel que os livros continuam desempenhando na sociedade contemporânea.

PARTICIPE – A 4ª Festa do Livro da Universidade de Brasília, promovida pela Editora UnB, começou nesta segunda-feira (14) e segue até quinta-feira (17), com cerca de 20 expositores e atividades diversas voltadas à comunidade universitária e ao público externo. A expectativa da organização é receber aproximadamente 5 mil visitantes ao longo dos quatro dias de evento.

 

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