EXTENSÃO

Intercâmbio trouxe parceria importante para incrementar expertise da Universidade no impulsionamento à agricultura familiar no DF e em Goiás

Durante o intercâmbio, estudantes participaram de extensa agenda junto com integrantes dos projetos e apresentaram sugestões para o desenvolvimento de um aplicativo que auxiliará apicultores do DF. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Seis alunos de diferentes programas de pós-graduação do Massachusetts Institute of Technology (MIT) estiveram na Universidade de Brasília, de 8 a 18 de janeiro, para contribuir com os projetos Apicultura Orgânica 4.0 e Ecossistema de Inovação de Orgânicos do DF e RIDE, coordenados pelo professor do Departamento de Engenharia de Produção (EPR) Sanderson Barbalho.

 

Iniciado em 2019, o projeto Ecossistema de Inovação de Orgânicos do DF e RIDE tem como objetivo entender as cadeias de produção de orgânicos e contribuir com elas. Já o Apicultura Orgânica 4.0, criado em 2022, deriva da pesquisa anterior e concentra esforços na certificação de mel orgânico por meio da integração de tecnologia e pesquisa.

 

A visita dos pesquisadores do MIT, especializados em áreas como Planejamento Urbano, Design e Robótica, é uma colaboração internacional que interliga as duas instituições e busca contribuir com soluções inovadoras para a produção orgânica na região do Distrito Federal e Entorno.

 

“Usamos uma metodologia que foi desenvolvida lá no MIT, como parte do projeto mais antigo. Essa experiência me possibilitou visitá-los no ano passado e discutir melhorias e customizações para nossa produção rural”, conta Sanderson, sobre a aproximação. “A partir daí, foi possível essa vinda deles para aplicar a metodologia, entender nossas demandas e contribuir com os problemas locais, dentro do projeto de apicultura”, complementa.

Pesquisa de campo na área apícola de Florisvaldo, em Anápolis, Goiás. Foto: Arquivo pessoal

 

O professor explica que os pesquisadores contribuíram com a revisão bibliográfica sobre inovações em apicultura, novos insights, busca por soluções sustentáveis e expertise para a programação de um aplicativo que auxiliará apicultores. A agenda do grupo incluiu visitas a assentamento, feira e produtores rurais.

 

Ann Ponpat, mestranda em Planejamento Urbano, avaliou positivamente a oportunidade de participar da pesquisa da UnB.

 

"Eu escolhi essa iniciativa porque aqui há muitas discussões sobre meio ambiente. Trabalho com conceitos de cidades inteligentes e acredito que os produtores rurais contribuem para a mudança climática. Então, poder ajudá-los com a tecnologias, é muito bom”, disse a estudante de origem tailandesa.

 

O grupo ainda contou com a presença dos estadunidenses Holly Hodge, Harris Chowdhary e Osa Iglesias, além dos estudantes da Coreia do Sul Hojae Lee e Minjee Kim. Sanderson Barbalho frisa a importância da experiência para os objetivos de internacionalização da UnB: "Ações como essa podem resultar em uma cooperação de longo prazo, para desenvolver metodologias e tecnologias de projeto com comunidades rurais e assentamentos de reforma agrária, por exemplo".

 

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AVANÇO – O projeto Ecossistema de Inovação de Orgânicos apresentou resultados significativos recentemente, durante o evento Painel de Discussão sobre Governança, realizado em dezembro de 2023.

Integrantes do projeto Ecossistema de Inovação de Orgânicos, durante oficina de integração realizada em dezembro de 2023. Foto: Arquivo pessoal

 

“Essa reunião foi fundamental para discutir as barreiras e possibilidades de integração entre os diversos atores envolvidos na produção orgânica na região e contou com a presença de produtores de mel, de hortaliças, de tubérculos e de baru, representantes de cooperativas agrícolas, órgãos governamentais e associações ”, afirma Sanderson.

 

"Temos um software em desenvolvimento nesse projeto, além de alguns protótipos, como o que facilita a colheita de folhagens em geral, uma máquina para triturar e moer mandioca, outra máquina para semear beterraba, batata e cenoura, uma bomba para água de cisterna e até uma fábrica de compostagem", destacou o professor.

 

Sanderson contou ainda sobre os próximos passos do projeto de apicultura, que envolve a integração de inteligência artificial e drones, para a criação de um banco de dados da vegetação nativa, essencial para a certificação de mel orgânico e útil também para a conservação do Cerrado.

 

“Esse projeto abre muitas outras oportunidades, porque a abelha, para produzir o mel orgânico, vai em plantas que o pessoal não dá valor, e por isso tem tendência em cortar. Então, há uma linha de atuação derivada que é o mapeamento das áreas conservadas, para ver o que tem ali, e ainda o levantamento polinístico, para saber o tipo de pólen que está no mel”, explica.

 

O professor demonstra otimismo para os próximos passos: “A gente vai acabar a primeira versão do aplicativo da apicultura e entregar para o governo no meio do ano. E no projeto dos orgânicos a gente tem diversos equipamentos em produção, até um robozinho de semeadura de tubérculos que estamos desenvolvendo. Há muito trabalho”.

 

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