A Universidade de Brasília (UnB) vai desenvolver uma pesquisa aplicada para apoiar a Secretaria Nacional de Justiça (Senajus), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), na criação de tecnologias voltadas à recuperação de ativos e ao enfrentamento da criminalidade organizada. A iniciativa será realizada por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED), firmado nesta segunda-feira (27).
O projeto será executado pelo Departamento de Engenharia Elétrica (ENE) e pelo Laboratório de Tecnologias da Tomada de Decisão (Latitude), vinculados à Faculdade de Tecnologia (FT), em articulação com a equipe técnica do Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI), da Senajus. Ao longo de cinco meses, pesquisadores da Universidade desenvolverão estudos e provas de conceito para subsidiar iniciativas voltadas ao tratamento de informações, à análise de dados e ao apoio a processos de recuperação de ativos. O investimento previsto é superior a R$ 1,2 milhão.
Para a reitora Rozana Naves, a parceria contribuirá para o desenvolvimento de políticas públicas baseadas em conhecimento científico aplicado em temas relacionados à inteligência artificial, proteção de dados e recuperação de ativos. Além disso, apoiará a formação de recursos humanos na área, com participação de estudantes de mestrado e doutorado nas atividades de pesquisa. "Esse projeto amplia a formação de pesquisadores e fortalece nossa capacidade científica em uma área estratégica para o país", disse.
IA E GESTÃO PÚBLICA – A pesquisa será desenvolvida em quatro eixos complementares. Um deles investigará mecanismos para o compartilhamento seguro de informações entre instituições públicas, utilizando técnicas de anonimização e tokenização de dados em conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
Outro eixo concentrará estudos sobre o uso de inteligência artificial para analisar grandes volumes de documentos jurídicos e financeiros. As pesquisas incluem identificação automática de entidades, classificação e sumarização de documentos e detecção de padrões relacionados a ativos financeiros e patrimoniais.
Também serão desenvolvidos ontologias – modelos conceituais – e grafos de conhecimento – estruturas matemáticas – para representar computacionalmente tipologias relacionadas à lavagem de dinheiro, à ocultação patrimonial e à atuação de organizações criminosas. O quarto eixo tratará da automação de etapas dos processos de recuperação de ativos e da organização de informações jurídicas.
Cada frente de trabalho compreenderá três etapas: levantamento do estado da arte, desenvolvimento de provas de conceito e elaboração de propostas para aplicações institucionais.
INTEGRAÇÃO – A proposta reúne competências em engenharia, inteligência artificial e direito para enfrentar questões relacionadas à recuperação de ativos e à investigação financeira. Segundo a secretária Nacional de Justiça, Maria Rosa Loula, iniciativas dessa natureza aproximam a pesquisa acadêmica das necessidades da administração pública.
"O enfrentamento ao crime organizado exige respostas baseadas em ciência, dados e tecnologia. O Estado precisa de parcerias estratégicas com as universidades para desenvolver tecnologias capazes de responder a contextos cada vez mais complexos", afirmou.
Além do desenvolvimento de tecnologias, a iniciativa prevê a implantação de provas de conceito em ambiente piloto, elaboração de manuais técnicos, realização de testes e produção de relatórios, modelos computacionais e outros produtos de pesquisa com aplicação na administração pública.
