A Universidade de Brasília marca presença na Casacor Brasília 2025 com um espaço que une arquitetura, inclusão e cuidado. Assinado pela professora e arquiteta Márcia Urbano, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU), e pelo grupo Arquitetura Sensorial (FAU), o ambiente Mundo Azul foi criado especialmente para crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) – condição que afeta cerca de uma em cada 33 pessoas no mundo.
>> Leia o artigo Mundo Azul: arquitetura como elemento mediador de inclusão afetiva
Inspirado na vida real de PP, filho da professora, o quarto infantil de 36 m² foi pensado como um refúgio terapêutico. A proposta utiliza a arquitetura de interiores como mediadora entre o mundo externo, muitas vezes caótico, e o universo interno silencioso de uma criança com TEA. O espaço foi cedido pela organização do evento para a montagem do projeto. A exposição segue até 12 de outubro.
O projeto contou com a participação de seis estudantes da FAU/UnB, que também estão no espectro autista, e com o apoio da direção da faculdade. “Esperamos que a exposição deste pequeno Mundo Azul sensibilize os visitantes para a importância de criar ambientes sociais cada vez mais amigáveis e inclusivos para todos”, afirma Márcia Urbano.
A reitora Rozana Naves lembrou que a Universidade tem protagonismo histórico em pautas como inclusão e direitos humanos. “A UnB nasceu comprometida com a transformação social, e iniciativas como essa reafirmam que seguimos alinhados a esse propósito. Estamos levando para um espaço de grande visibilidade, como a Casacor, um exemplo concreto de como o conhecimento universitário pode transformar vidas”, disse.
Para o diretor da FAU, Caio Frederico e Silva, a participação na Casacor reforça o papel social da arquitetura produzida na UnB. “Projetos como o Mundo Azul mostram que o design pode ir muito além da estética. Quando pensamos a arquitetura como ferramenta de inclusão, estamos cumprindo nosso compromisso de formar profissionais sensíveis às necessidades reais das pessoas”, destacou.
ELEMENTOS – A arquiteta Clara Troncoso Mello, filha da autora do projeto e irmã de PP, explica que um quarto para criança com TEA deve oferecer pequenos refúgios, iluminação suave e controle de ruídos e cheiros, evitando estímulos excessivos. “Um ambiente planejado auxilia na socialização da criança com autismo, uma vez que ela tem maior possibilidade de controlar suas emoções.”
No centro, uma mesa circular simboliza o ponto focal do ambiente. É nela que PP, apesar do atraso na fala, mantém, por meio de desenhos, um diálogo diário com a mãe. O espaço é protegido por um biombo curvo que filtra a luz e estimula movimentos circulares repetitivos – estereotipias que ajudam no relaxamento.
O Mundo Azul inclui ainda recantos acolhedores, como um cesto em formato de ninho, piscina de bolinhas e cama adaptada, garantindo conforto e segurança. Cada elemento foi planejado para atender necessidades sensoriais específicas, reduzir estímulos excessivos e criar um ambiente seguro e estimulante.
