A Universidade de Brasília sediou, entre os dias 5 e 8 de agosto, a 18ª edição do Abralin em Cena, realizada pela Associação Brasileira de Linguística (Abralin). Com o tema Linguagens, Raça, Gênero e Interseccionalidade em Luta por Direitos, o evento reuniu pesquisadores e pesquisadoras de diferentes regiões do Brasil e do exterior para refletir sobre o papel da linguagem na construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.
A mesa de abertura ocorreu na terça-feira (5), no auditório da Associação dos Docentes da Universidade de Brasília (ADUnB), no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, e deu início a uma intensa programação composta por conferências, minicursos, oficinas, rodas de conversa, debates, lançamentos de livros e dossiês temáticos. As atividades abordaram questões ligadas à linguagem, corpo, território, direitos linguísticos e justiça social, com enfoque nas conexões entre ciência, educação, cidadania e ética.
A decana de Extensão, Janaína Soares, destacou a importância do Abralin em Cena como parte do compromisso institucional com o enfrentamento das desigualdades e com a construção coletiva do conhecimento. Ela reforçou o papel da universidade pública na promoção da justiça social a partir da linguagem e da conexão com a comunidade. “Os muros da Universidade, que não tem muros, mas são invisíveis, precisam ser completamente derrubados”, afirmou.
Para Janaína Soares, receber o evento reafirma o papel da UnB em criar pontes e abrir espaços de participação. “A missão da extensão é essa: estender o braço para a comunidade, para que as pessoas entendam que a voz está ali, e que a auto-permissão também está.” Ao abordar o tema do evento, a decana ressaltou a urgência do debate. “Infelizmente, por hora, a palavra que acompanha tudo isso ainda é luta. Mas é a mesma linguagem que a gente está construindo todos os dias que pode transformar esse cenário.”
A presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Luciana Servo, destacou a UnB como espaço de formação crítica e construção de agendas públicas voltadas ao enfrentamento das desigualdades estruturais no país. Egressa da UnB, ela relembrou sua trajetória e ressaltou o impacto de eventos como o Abralin em Cena na valorização da produção intelectual negra e na promoção da justiça racial. Luciana Servo avalia que a linguagem – seja oral, escrita ou simbólica – é ferramenta central nesse processo. “O que a gente chama de erro é herança”, disse, ao citar Lélia Gonzalez e a força da memória na resistência.
ATIVIDADES – Ao longo dos quatro dias, a programação incluiu apresentações de trabalhos acadêmicos, conferências temáticas, rodas de conversa simultâneas, lançamentos de publicações e uma assembleia da Abralin. O evento foi encerrado com uma conferência final. O Abralin em Cena é um evento itinerante realizado desde 2008 com o objetivo de descentralizar a produção científica na área e fomentar o diálogo entre pesquisadores de diferentes regiões do país.
O presidente da Comissão Organizadora e Científica do 18º Abralin em Cena, o docente do Instituto de Letras (IL/UnB) Kleber Silva, ressaltou a importância do Abralin em Cena como espaço de internacionalização, diálogo interdisciplinar e afirmação de agendas comprometidas com os direitos humanos. “É um privilégio recebê-los aqui. A presença de vocês materializa sonhos que temos no Brasil em respeito às minorias, aos povos indígenas e à população negra.”
A proposta do encontro está alinhada com os princípios da ciência aberta, ao promover o compartilhamento de informações para além dos círculos acadêmicos. Ao ampliar o acesso à produção científica, o evento contribui para a geração de novos conhecimentos, o fortalecimento do impacto social da pesquisa e o estímulo a novas perspectivas sobre temas estruturantes da vida em sociedade.
