EXTENSÃO

Iniciativa do CerrAmazon reúne estudantes em atividades de escuta, convivência e registro responsável. Material deve virar exposição na Semana Universitária

Projeto de extensão CerrAmazon busca registrar em imagens elementos da cultura quilombola, prezando pelo respeito às vivências e pelo estímulo às relações humanizadas. Foto: Rodolfo Ward

 

Entre os dias 23 e 25 de julho, estudantes da Universidade de Brasília realizarão a primeira imersão de campo do projeto de extensão CerrAmazon, na Comunidade Quilombola Povoado do Moinho, em Alto Paraíso de Goiás (GO), na Chapada dos Veadeiros. A atividade marca o início da etapa de produção de registros fotográficos, audiovisuais e documentais que devem ser objeto de exposição na Semana Universitária, marcada para setembro. Mais do que uma oportunidade para registrar imagens, a proposta da imersão é possibilitar a relações de escuta, convivência e diálogo com a comunidade, com desdobramentos em materiais de comunicação e pesquisa.

 

O CerrAmazon é um projeto de extensão da UnB voltado à formação, à pesquisa e à produção artística em diálogo com comunidades tradicionais. A iniciativa conecta universidade e território, buscando documentar memórias, saberes e formas de pertencimento sem reduzir pessoas, práticas culturais e modos de vida a objetos de observação.

 

Participam do projeto oito estudantes dos cursos de Jornalismo, Publicidade e Propaganda, Arquitetura e Audiovisual, que atuarão de forma integrada nas atividades da extensão. Além das práticas desenvolvidas no Quilombo do Moinho, o CerrAmazon reúne iniciativas realizadas no eixo Cerrado–Amazônia, em parceria com pesquisadores da Universidade de Brasília, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e colaboradores territoriais.

 

Para esta primeira imersão, a equipe realizará, ao longo dos três dias, entrevistas com moradores e trabalhadores locais, registros fotográficos e audiovisuais, rodas de conversa e momentos de convivência para compreender as diferentes percepções de arte, memória e relação com o território.

 

O roteiro também inclui uma oficina de pintura com crianças, pensada como um espaço lúdico para que possam expressar as próprias percepções sobre arte, além da presença da equipe em atividades promovidas pela comunidade, como uma oficina de produção de rapadura e percursos pelo território.

 

A proposta da imersão parte do entendimento de que conhecer um território é mais do que produzir imagens. Por isso, o projeto prioriza a convivência cotidiana, a escuta atenta e a construção de vínculos antes dos registros, para compreender a comunidade a partir das vivências, valorizando a cultura, memória e relação com o território.

 

A metodologia adotada pelo CerrAmazon prevê que os produtos de extensão sejam produzidos apenas sob autorização dos participantes, respeitando o contexto em que esses registros serão utilizados. A atividade do projeto na Chapada dos Veadeiros foi aprovada pelo Edital DEX 06/2026, que selecionou iniciativas no contexto da Rede de Polos de Extensão, sob o tema Aprender no Encontro e Transformar no Coletivo.

 

A ideia é que os materiais desenvolvidos durante a execução do projeto resultem em um mini-documentário, entrevistas, um webdossiê, uma cartilha digital sobre registro responsável, materiais de comunicação pública e apresentações acadêmicas, incluindo uma exposição fotográfica na 26ª Semana Universitária. Também está prevista uma mostra de devolutiva junto à comunidade, reunindo conteúdos autorizados produzidos ao longo do projeto.

 

Segundo o coordenador do CerrAmazon, o servidor técnico Rodolfo Ward, a proposta parte da compreensão de que produzir imagens também envolve responsabilidade ética e compromisso com as pessoas retratadas. "O CerrAmazon parte do princípio de que uma imagem não é apenas uma imagem. Ela carrega relações, memórias, contextos e limites de circulação. Nosso objetivo é produzir registros artisticamente relevantes, mas construídos com consentimento e responsabilidade."

 

A primeira imersão do CerrAmazon será realizada em articulação com o projeto de extensão Chapada Conecta, coordenado pela professora Lívia Cristina Barros da Silva Wiesinieski, do Centro de Excelência em Turismo da UnB. As duas equipes compartilharão parte da logística e da programação territorial, mantendo objetivos e produtos próprios.

 

*Estudante de Jornalismo na Faculdade de Comunicação (FAC).