CULTURA E COMUNIDADE

Mensagens escritas e armazenadas há quase nove anos são compartilhadas em ato que marca o início da contagem regressiva para o Tubo de Ensaios. Textos previam Universidade mais diversa e dinâmica

Comunidade acompanhou leitura de mensagens e teve oportunidade de escrever para nova cápsula, que deve ser guardada por dois anos. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB 

 

No mesmo 11 de junho do pontapé da Copa do Mundo na América do Norte, a Universidade de Brasília celebrou outra aguardada abertura: a da cápsula do tempo armazenada, desde setembro de 2017, no campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. A performática revelação das mensagens, com a apresentação de personagens que pareciam vir do futuro, emocionou as dezenas de pessoas que acompanhavam o ato ao lado do Restaurante Universitário (RU) e foi parte das ações da 18ª edição do Projeto Tubo de Ensaios.

 

A abertura da cápsula demorou quatro anos a mais que o plano original. O evento estava previsto para o sexagésimo aniversário da UnB, em 2022, mas foi adiado em função da pandemia de covid-19. Os textos divulgados respondiam a perguntas sobre expectativas para a UnB e sobre o significado da instituição na vida de seus autores. Em comum, previam uma Universidade mais diversa e atuante.

 

“Imagino uma Universidade mais dinâmica, mais diversificada, com mais projetos que apoiem a arte e o meio ambiente. E com mais negros e pobres”, trazia a primeira mensagem, revelada pelo coordenador de Arte e Cultura (CoAC/Deac/DAC), unidade organizadora do evento, Rafael Zonta, e atribuída à estudante Gabriela Oliveira, egressa da Geologia. Essa e as demais respostas foram sorteadas de forma aleatória. 

 

A reitora Rozana Naves leu mensagem assinada pelo ex-aluno de Direito Guilherme Santos. Ele expressava o desejo de uma instituição com diversidade e na vanguarda por um mundo melhor. 

Performance traz personagens do futuro para abertura da cápsula. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

“Não sei se o Guilherme está aqui, mas é muito bonito ver como ele inicia com otimismo. [É muito bonita] a credibilidade que a UnB tem, não só na nossa comunidade, mas na sociedade do Distrito Federal e do Brasil”, expressou a gestora. “A ciência que a gente faz e os conhecimentos aqui produzidos contribuem para a gente vislumbrar cada vez mais uma sociedade mais justa, igual e inclusiva”, completou, antes de agradecer à comunidade presente e aos promotores da ação.

 

Guilherme não se apresentou, mas a publicitária Ana Luiza Campos e a administradora Juliana Matos foram surpreendidas com a leitura das mensagens escritas por elas quando ainda estavam na graduação. “Meus pais se formaram aqui, então era um sonho vir para cá”, disse Ana Luiza, com lágrimas nos olhos. “Eu cheguei aqui e descobri muita coisa nova. Sou muito feliz por ter feito parte de uma universidade pública”, disse ela, que também havia destacado o aspecto da diversidade na mensagem, lida pelo diretor de Esporte e Atividades Comunitárias (Deac/DAC), Pedro Ivo Barbosa dos Santos.

 

“Fico muito feliz por saber, depois de tantos anos que não voltava para cá, que a energia da UnB segue muito bem, obrigada. Não há nada mais UnB do que essa performance”, afirmou Juliana. Em 2017, ela previa um futuro universitário com menos violência de gênero e com mais união entre academia e mercado para a proposição de soluções para os problemas emergentes.

As egressas Ana Luiza e Juliana ficaram surpresas com as mensagens sorteadas para leitura. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

EXPECTATIVAS RENOVADAS – Novas mensagens estão sendo coletadas para uma cápsula do tempo a ser aberta em dois anos. As fichas, com questões idênticas às de 2017, foram levadas ao campus do Gama e serão apresentadas nos campi de Ceilândia e Planaltina. A Deac também disponibiliza, pelo menos até sexta-feira (19), as fichas na sede da unidade, localizada no Centro de Vivência, próximo ao Restaurante Universitário, no campus Darcy Ribeiro.

 

O vice-reitor Márcio Muniz, responsável pela leitura de uma das mensagens reveladas, elogiou a atmosfera do momento. “É muito bonito ver a Universidade cheia novamente e com as atividades culturais de volta”, disse, ao também mencionar os Jogos Internos da UnB (JIUnBs). Ele discorreu ainda sobre as dificuldades de se projetar o futuro em cenários incertos. “Há muitas coisas que a gente não consegue prever, mas, no futuro, alguns valores têm que ser preservados”, lembrou, antes de listar a democracia e a valorização da ciência entre os princípios, como também ressalta a campanha institucional de 2026.

 

CONTAGEM REGRESSIVA COM ARTE – A abertura da cápsula deu início à contagem regressiva para a apresentação principal das performances experimentais do Projeto Tubo de Ensaios, prevista para 11 de julho, no Instituto Central de Ciências (ICC), no campus Darcy Ribeiro. Um calendário foi afixado em painel a ser atualizado diariamente na passagem entre as alas sul e centro do edifício.

Música eletroacústica e percussão acompanharam o evento e deram pista do que vem no Tubo de Ensaios. Foto: Júlio Minasi/Secom UnB

 

Como tudo no Tubo de Ensaios evoca arte, o painel traz pinturas coloridas e está exposto ao lado de uma escultura de bambu de nove metros de comprimento, fruto de trabalho coletivo de artistas, bolsistas do projeto, estudantes, egressos e técnicos da Universidade. “Pode ser uma folha, um zepelim. É uma provocação à imaginação”, compartilhou o presidente da comissão organizadora e técnico da Deac, Magno Assis.

 

Responsável pela performance de abertura da cápsula, Magno levou mensagem sobre o evento enviada pelo filósofo e primeiro indígena eleito para a Academia Brasileira de Letras, Ailton Krenak. “Um futuro desejável pode ser impossível a todos ao mesmo tempo”, dizia o texto, que, assim como todas as demais intervenções, foi acompanhado por apresentações musicais. Os grupos eletroacústicos BSBLOrk, CAL Sonora, as percussionistas do Baque de Mulheres, a pianista Janaína Sabino e o músico The Soundtrackerman deram o tom da alegria e das reflexões aguardadas para o mês que vem.

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.