A edição 2026 da Semana da África na UnB segue ampliando a integração entre os estudantes nacionais e estrangeiros. No intervalo para o almoço de quarta-feira (27), a Tarde Cultural, realizada no Anfiteatro 9 do Instituto Central de Ciências (ICC), campus Darcy Ribeiro, Asa Norte, embalou a comunidade acadêmica com apresentações musicais e de dança e leitura de poesia, ao som do DJ Sá, além do já esperado desfile de moda africana.
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Prince Smicer, do Gabão, é estudante do 5º semestre de Relações Internacionais e animou a plateia apresentando músicas que se tornaram populares para além do continente africano, como Wavin’ Flag, do artista somali-canadense K’naan, que se tornou uma das músicas tema da Copa do Mundo de Futebol de 2010, na África do Sul.
Houve apresentação de Kuduro, gênero musical e de dança de Angola já bem conhecido pelos brasileiros. Discentes do Congo subiram ao palco para fazer uma demonstração de dança, que empolgou a plateia. O mesmo público se silenciou ao ser surpreendido pela canção em iorubá cantada pela estudante nigeriana Faith Olakpe, de Enfermagem. A diáspora dos povos africanos escravizados também foi representada pela apresentação musical da graduanda natural da Bahia Lorena Santos, cujo nome artístico é Lorys.
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O desfile de moda africana, sob monitoria da estudante Rebeca Santos, exibiu peças disponíveis para venda na feira de artesanato e roupas africanas montada, ao longo da semana, no Udefinho, no ICC Sul.
INTEGRAÇÃO E REPRESENTATIVIDADE – A Tarde Cultural foi apresentada pela estudante Edimilsia Vasconcelos, que está em Brasília há poucos meses: chegou em março, para fazer mestrado em Políticas Sociais. Está no Brasil há cinco anos, quando saiu de São Tomé e Príncipe para cursar a graduação em Serviço Social na Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), na cidade de Redenção (CE).
O pouco tempo na UnB não foi impeditivo para a integração da estudante, que rapidamente passou a ter contato com outros discentes africanos na Universidade e a participar da organização da Semana da África.
À frente de uma das apresentações de dança, Alejandro Obianz, estudante de Ciências Contábeis, é natural da Guiné Equatorial. Está no Brasil desde 2020 e ingressou na UnB em 2021, via Programa Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G). Veterano nas atividades em celebração ao Dia da África – efeméride instituída em 25 de maio –, o estudante comenta que foi exatamente por meio da programação da Semana da África que conheceu outros estudantes daquele continente na UnB. “A maior parte das pessoas acredita que a África é um país”, observa, acerca de sua experiência no Brasil.
Por isso, as atividades da Semana são relevantes para expandir conhecimentos, superar preconceitos e promover a troca cultural. Prince Smicer entende que a falta de acesso às culturas africanas pode ser creditada a uma representação midiática superficial. “É uma oportunidade de mostrar as culturas e de ampliar o conhecimento sobre a política no continente”, pontua. “É uma das formas de ampliar a nossa visibilidade e a nossa representatividade.”
ALÉM DA UnB – Junto com Prince Smicer e outros estudantes, Edimilsia Vasconcelos participou, esta semana, da abertura do 1° Fórum de Reitores Brasil-África. Organizado pelo Ministério da Educação (MEC), pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pela Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o evento incentivou o fortalecimento da cooperação científica e acadêmica entre universidades do Brasil e de países da África, e contou com presença da reitora Rozana Naves.
Na sequência das apresentações da Tarde Cultural, na quarta (27), Edimilsia estava voltando, com outros discentes da UnB, ao fórum para apresentação do desfile de moda africana.
A programação da Semana da África segue sábado (30). Saiba mais aqui.
