INVESTIMENTO

Hospital passa de 28 para 120 vagas de diálise e inaugura internação para pacientes com transtorno psiquiátrico grave

Novo espaço do HUB, a Enfermaria de Saúde Mental foi inaugurada nesta quarta-feira (13), durante cerimônia transmitida ao vivo pela internet. Foto: Geovana Albuquerque/Agência Saúde DF

 

A pintura na parede, que colore o quarto e dá esperança para a paciente que fez o desenho, revela a missão do novo serviço do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB): a Enfermaria de Saúde Mental, que oferece cuidado humanizado, integral e multiprofissional para casos de transtornos psiquiátricos graves. São dez leitos de internação, sendo nove para pacientes encaminhados pela Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) e um para uso interno do HUB.

 

Em funcionamento desde o dia 2 de dezembro de 2020, a unidade foi inaugurada nesta quarta-feira (13), durante cerimônia transmitida ao vivo pela internet. O evento também marcou oficialmente a ampliação da hemodiálise do HUB, que quadruplicou o número de vagas nos últimos meses, passando de 28 para 120. “Estamos entregando para a comunidade a ampliação de serviços com alto valor para a saúde pública e a formação de pessoas, além do marco histórico da primeira enfermaria em saúde mental do HUB, de forma articulada com a rede de atenção à saúde do Distrito Federal”, afirmou a superintendente do HUB, Elza Noronha.

 

A reitora da Universidade de Brasília, Márcia Abrahão, destacou o papel do HUB para o ensino e a pesquisa, citando os resultados promissores do ensaio clínico da vacina para a covid-19, a Coronavac. “Somos um hospital escola de altíssimo nível e queremos ser o melhor do Brasil. Essa é mais uma conquista para a Universidade e para a sociedade”, disse.

 

A expansão da hemodiálise teve impacto direto na liberação de vagas de UTI nos hospitais públicos para enfrentamento à pandemia, já que o HUB passou a receber pacientes que antes faziam o tratamento em leitos de terapia intensiva. “Agradecemos pelo empenho de toda a equipe, que nos momentos mais difíceis mostrou competência e dedicação. É evidente o crescimento do HUB nos últimos dois anos”, avaliou o secretário de Saúde do DF, Osnei Okumoto.

 

Os recursos para os serviços foram viabilizados principalmente pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, a Ebserh. “A Administração Central da Ebserh existe para conjugar dois verbos: apoiar e proteger (os hospitais universitários), mas hoje também destaco agradecer e parabenizar, direcionado a todos que fizeram desse intento uma realidade”, declarou o presidente da empresa, Oswaldo Ferreira.

 

ENFERMARIA DE SAÚDE MENTAL – O serviço atende pacientes com mais de 18 anos que estejam em crise decorrente de algum transtorno mental grave, cujo tratamento ambulatorial já não traria benefício. É o caso de pessoas com alto risco de suicídio, comportamento agressivo ou ainda quem perdeu a capacidade de tomar decisões por conta própria, colocando em risco sua integridade e patrimônio.

 

O trabalho é multidisciplinar, incluindo a família, e visa devolver a autonomia do paciente para sua reinserção na sociedade, evitando reinternações. Depois da alta, o tratamento tem continuidade nos ambulatórios de psicologia e psiquiatria do próprio HUB ou nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps). “No caso do paciente com transtorno mental grave, a família toda adoece junto. Por isso, o envolvimento da família é fundamental”, explica o psiquiatra e responsável técnico do serviço, Mário Gonçalves.

 

A enfermaria conta com espaço de convivência, área de lazer, sala para atendimento familiar e consultório. Os pacientes participam de uma programação variada, que inclui oficinas de horta, artesanato, autocuidado e beleza, artes e expressão, música, cinema, além de grupos sobre família e sentimentos, jogos, leitura, caminhada, cinema e karaokê. “Além de terapêuticas, as oficinas são lúdicas para que os pacientes não fiquem apenas nos leitos, mas desenvolvam habilidades sociais, compromisso e responsabilidade, facilitando a ressocialização”, afirmou a chefe da Unidade Psicossocial, Silvia Barros.

 

A equipe é formada por médicos de várias especialidades, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, assistente social, terapeuta ocupacional, psicólogo, professores da Universidade de Brasília (UnB) e residentes. Ao todo, são 53 profissionais, que passaram por treinamento para atuar no setor, como curso de intervenção em crises psiquiátricas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu-DF), jornada sobre saúde mental e capacitação específica para a equipe de enfermagem.

 

A enfermaria fica no térreo da Unidade 1 e é isolada dos demais serviços do hospital, com acesso restrito, garantindo a segurança de profissionais e pacientes. Para adequar o espaço, houve o investimento de R$130 mil em reformas e reparos, aquisição de camas e equipamentos. O recurso é da Ebserh e do contrato de serviços firmado com a SES-DF. “O Brasil e o mundo já vêm acompanhando o aumento da incidência de transtornos mentais, que se intensificou com a pandemia. Agora é ainda mais importante dar esse suporte à sociedade”, reforçou o chefe da Divisão de Gestão do Cuidado, Luciano Talma.

 

HEMODIÁLISE – O HUB iniciou 2020 com capacidade para atender 28 pacientes, mas no começo de 2021 as vagas já tinham quadruplicado, passando para 120. A expansão ocorreu de forma gradual ao longo do último ano, com a aquisição de 22 novas máquinas, a reforma do espaço e a ampliação da equipe e do horário de atendimento.

 

O investimento foi de R$ 1,1 milhão, sendo 959 mil em equipamentos e R$ 117 mil em adequações físicas. Os recursos foram provenientes de emenda parlamentar e da Ebserh. Após remanejamentos internos e contratações emergenciais, a equipe de profissionais teve acréscimo de cinco médicos, sete enfermeiros e dez técnicos em enfermagem, além de fisioterapeutas.

 

“É uma grande satisfação ter contribuído com o enfrentamento da pandemia, desospitalizando mais de 139 pacientes egressos de UTI, por meio da ampliação do serviço”, afirmou a chefe da Unidade do Sistema Urinário, Lucyana Bertoso. O HUB também atende pacientes que dependem da diálise na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), em casa e no Pronto-Socorro.

 

A hemodiálise é uma terapia que funciona como um rim artificial. Uma máquina filtra e limpa o sangue do paciente, fazendo parte do trabalho que o rim doente não pode fazer e retirando do corpo os resíduos prejudiciais à saúde, como excesso de sal e de líquidos. O procedimento dura em média quatro horas e deve ser feito três vezes por semana.

 

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