OPINIÃO

Enrique Roberto Argañaraz é professor do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. Graduado em Bioquímica pela Universidade Nacional de Tucumán (Argentina). Mestre e doutor em Imunologia e Genética Aplicadas pela UnB.

Enrique R. Argañaraz 

 

Três anos depois que Einstein publicou seu artigo sobre a relatividade especial propondo a contração do espaço e a dilatação do tempo, seu ex-professor, Hermann Minkowski, transformou para sempre nossa visão do universo, sugerindo que o espaço e o tempo estariam “misturados-entrelaçados”, sendo o tempo a quarta dimensão, fazendo cair por terra a ideia que vivemos em um universo tridimensional com o tempo fluindo.


Nossa intuição e “bom senso” nos diz que todos objetos, seres humanos, maçãs, bolas de tênis... persistem ao longo do tempo, ou seja, que uma bola de tênis, como os átomos que a compõem, existem em um momento e no próximo e no próximo. Em resumo, o mesmo objeto se move através do tempo. Entretanto, as estranhas afirmações de Minkowski contradizem as ideias trazidas por nossa “intuição” e sugerem que nosso mundo não consistiria em objetos se movendo através do tempo. As bolas de tênis, assim como a quadra e os jogadores, em uma partida, seriam fixas em um determinado momento e lugar, nunca ocorrendo em outro momento e lugar. Em outras palavras, embora todos os participantes e componentes de uma partida de tênis existam, a “partida de tênis” em si não seria real. De acordo com essa visão, os objetos que parecem persistir ao longo do tempo, seriam na verdade, uma sucessão de eventos: a) uma raquete de tênis golpeando uma bola; b) uma bola em voo; c) uma bola beliscando a rede; d) uma bola derrapando em uma quadra; e) finalmente, a raquete do oponente acertando a bola...


De acordo com esta nova visão da realidade, os eventos não seriam compostos de objetos persistentes no tempo. Em vez disso, haveria uma sequência de eventos semelhantes, que cria a ilusão de existência de um objeto “duradouro” no tempo. Uma boa analogia seria comparar a realidade com o desenrolar de um filme, onde cada fotografia no carretel é a imagem de um evento estático, em um determinado momento e lugar, mas a sequência delas cria a ilusão de movimento em nossas mentes.


De fato, a experiência diária nos mostra que podemos ter a sensação de movimento sem movimento real, como quando um trem no trilho ao lado começa a se mover e temos a sensação que estamos nos movendo também. Por outro lado, se os objetos se movessem de fato ao longo do tempo, a experiência direta dos mesmos seria impossível, já que requereria experimentar no presente, um objeto do passado, o que não é possível. O que realmente ocorre é que a experiência de movimento ou de qualquer outro tipo de experiência, acontece apenas na mente e se baseia na “memória” da experiência anterior. Na verdade, nossa mente dá apenas “palpites” sobre o presente, baseada no passado.


Esta nova visão do espaço-tempo nos conduz a uma pergunta fundamental, que determina a ocorrência de uma sequência “ordenada” e não aleatória dos eventos? Em outras palavras, e voltando à partida de tênis, o que determina que o evento da raquete batendo na bola seja seguido por outro evento que inclui a bola no ar se movendo em direção a rede e não por outro evento qualquer?

 

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