OPINIÃO

Isaac Roitman é doutor em Microbiologia, professor emérito da Universidade de Brasília, coordenador do Núcleo de Estudos do Futuro (n.Futuros/CEAM/UnB), membro tiular de Academia Brasileira de Ciências. Ex-decano de Pesquisa e Pós-Graduação da UnB, ex-diretor de Avaliação da CAPES, ex-coordenador do Grupo de Trabalho de Educação, da SBPC, ex-sub-secretário de Políticas para Crianças do GDF. Autor, em parceria com Mozart Neves Ramos, do livro A urgência da Educação.

Isaac Roitman

 

Mahatma Gandhi nasceu em Porbandar, na Índia, em 2 de outubro de 1869. Foi criado sob a crença no deus hindu Vishnu, que tem como preceito a não violência. Ele foi um líder pacifista indiano e principal personalidade da independência da Índia, então colônia britânica. Além de sua luta pela independência da Índia, também ficou conhecido por seus pensamentos e sua filosofia. Recorria a jejuns, marchas e à desobediência civil, ou seja, estimulava o não pagamento dos impostos e o boicote aos produtos ingleses. Em 1925, ele publicou, no jornal semanal Young Índia, uma lista que chamou de Sete Pecados Sociais.


Os sete pecados sociais definidos por Gandhi descrevem atitudes que causam graves danos a uma sociedade. O líder político e espiritual acreditava que a moral é uma força superior. Portanto, quis indicar quais eram os comportamentos que minavam a moral da sociedade. Os setes pecados capitais responsáveis pelas injustiças sociais são: riqueza sem trabalho, prazeres sem escrúpulos, conhecimento sem sabedoria, comércio sem moral, política sem idealismo, religião sem sacrifício e ciência sem humanismo”.


Com respeito ao primeiro pecado, riqueza sem trabalho, ele sinaliza que a conquista de uma vida digna deve ser fruto de nosso próprio esforço. Explorar o trabalho de outras pessoas nos torna parasitas sociais. O segundo pecado, prazeres sem escrúpulos, não nega a busca do prazer. Essa busca é legítima. O prazer com consciência é aquele que encontra o equilíbrio sem prejudicar outros valores. O pecado do conhecimento sem sabedoria podem ser nefastos.


O pecado, comércio sem moral, aponta que a busca excessiva pelo sucesso material e o acumulo de riquezas, quase sempre, acabam estimulando comportamentos que causam danos ao coletivo. Muitas vezes, de forma equivocada, chamamos aqueles que acreditam em valores morais de sonhadores ou idealistas.


O pecado da política sem idealismo aponta para o estímulo de pessoas a fazerem política para proveito próprio ou para interesses de grupos. Estimula também uma epidemia de corrupção que parece ser eterna. Os partidos políticos, cada vez mais, não representam ideias e ideologias. Democracia e política não se resumem a discussões partidárias. Manifestações não partidárias são igualmente democráticas. Vivemos em um país sem idealismo, sem projetos a longo prazo, que, certamente, comprometerá o futuro das próximas gerações.


Com relação à religião sem sacrifícios, esse princípio pode ser aplicado a qualquer tipo de crença espiritual. Quando se processa uma crença, assume-se que as nossas atitudes devem ser aquelas que estão em nossas mentes e corações. O respeito a todas as crenças deve ser uma atitude cotidiana.


A ciência sem humanismo, o último pecado social, chama a atenção para a formação fragmentada que foi privilegiada na sociedade industrial, distante de uma visão humanística que permitisse algum tipo de olhar transversal crítico sobre a sociedade.

 

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Publicado originalmente no Correio Braziliense em 15/12/20

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