OPINIÃO

Christina Maria Pedrazza Sêga é professora aposentada da Universidade de Brasília. Graduada em Letras (Unesp), bacharel e mestre em Letras (PUC de Campinas), doutora em Ciências da Comunicação (Universidade Nova de Lisboa) e pós-doutorado em Física Aplicada à Comunicação (UNESP de Botucatu). Presidente da Casa da Cultura “Cesarino Avino Sêga – Professor e Poeta” em Garça-SP.

Christina Maria Pedrazza Sêga

 

Embora a gratidão deva ser constante e diária, o seu dia é celebrado em 06 de janeiro, no Brasil, data em que as igrejas cristãs comemoram a visita dos reis magos ao Salvador do mundo. A visita foi um gesto de solidariedade e gratidão por tudo que tinham adquirido, até então, e também para buscarem com Jesus as outras virtudes necessárias à vida espiritual e social. Aqueles homens supostamente ricos, porém nobres de espírito, levaram a melhor parte de suas riquezas: mirra, incenso e ouro. Estavam cheios de fé, esperança e humildade para com Jesus, este que salvaria a humanidade dos pecados que sucumbiriam o mundo se não fosse seu sacrifício e martírio postos à prova. Os reis magos são mencionados apenas no Evangelho de Mateus. Porém, seus nomes foram dados ou reconhecidos após longa data. Muitos acreditam que não eram reis e sim sacerdotes que vieram da Índia, da Pérsia e da Arábia. Gaspar, Melchior e Baltazar não pediram nenhum bem material em troca da visita e dos presentes; apenas agradeceram a vinda do Deus-Menino – Rei dos Reis. Voltaram de Belém cheios de graças e virtudes recebidas.


As virtudes são praticadas em várias sociedades e religiões até mesmo entre os ateus e pagãos como os antigos gregos, que instituíram algumas regras que se tornaram virtudes como forma de se viver bem entre os cidadãos de uma pólis. Os romanos as aperfeiçoaram. Com o tempo foram acrescentadas outras tantas. O teólogo e estudioso, Agnaldo Marques, elencou cinco tipos de virtudes: cardeais, cristãs, teologais, evangélicas e humanas. As virtudes cardeais são aquelas consideradas principais porque todas as outras giram em torno delas como a justiça, a prudência a fortaleza e a temperança. As cristãs são as que nos inspiram no comportamento de Jesus Cristo como, por exemplo, a mansidão. Já as teologais são as recebidas de Deus sobre nosso espírito ou alma tais como a fé, a esperança e a caridade. As evangélicas são apresentadas no Evangelho ao lembrar a humildade, a castidade e a pobreza. Por último, estão as virtudes humanas como gratidão, lealdade, solidariedade, respeito, diligência, ordem, etc. A gratidão, que é o destaque aqui, também está presente várias vezes no Evangelho, nos momentos em que Jesus curou os doentes e quando era recebido nas casas e nos lugares por onde passava.


Infelizmente, muitos acham o ato de agradecer humilhante. Pelo contrário, a gratidão é um gesto nobre, uma virtude enriquecida de valor espiritual, ético, moral e, portanto, social. Não agradecer é uma atitude grosseira, antipática, arrogante, prepotente e egoísta.

 

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