OPINIÃO

Paulo José Cunha é escritor, jornalista e professor da Faculdade de Comunicação (FAC) há 19 anos, onde ministra as disciplinas de Telejornalismo e de Oficina de Texto. Já foi repórter da Rede Globo, do Jornal do Brasil, de O Globo e também trabalhou na Rádio Nacional. Hoje é apresentador da TV Câmara. Publicou os livros Vermelho – um pessoal Garantido e Caprichoso – a Terra é Azul sobre a festa de Parintins; cinco edições de A Grande Enciclopédia Internacional de Piauiês; A Noite das Reformas, sobre a extinção do AI 5; Perfume de Resedá e O Salto sem Trapézio, de poesia.

Paulo José Cunha

 

O ano foi embora. Então... é hora! Hora de afirmar a vida e lutar por ela, não só a partir de agora, mas desde já. Porque a vida tem pressa, não pode esperar. É preciso inaugurar ou renovar o amor. Não o amor fútil das canções chorosas, babentas, melosas. Mas o amor transformador, esse que impulsiona as grandes mudanças sociais, que oferece o combustível para as grandes revoluções. Sim, é preciso renovar o amor pelo ser humano, como também o amor-próprio, e principalmente o amor pelos que mais precisam... de amor. O amor que derruba ditadores, que restaura a liberdade, preserva direitos e impõe deveres a governantes e governados. Um amor que vá além do beijo e do carinho, mas que seja sinônimo de luta por dias melhores. E como a vida é pra já, o amor tem pressa.


É preciso renovar as forças para combater o mal em todas as suas manifestações. E começar já, com ações que atinjam, por exemplo, o feminicídio que, no ano que se foi, pela covardia de machos que se escondem atrás do argumento de que mataram por amor, custou o assassinato de pelo menos 1 mil e 500 mulheres. A vida é pra já. Daí a necessidade de começar pelas nossas crianças um projeto educacional que saia do bê-a-bá e do dois-mais dois e eduque não apenas para ler o Chapeuzinho Vermelho ou para aprender a contar até 10. Mas que eduque... para a vida. E para o respeito, como o que se deve às mulheres, com o fim definitivo do machismo estrutural que precisa ser encarado como um mal que mata, e não como afirmação de superioridade masculina, como cultuado ao longo de séculos.


Toda forma de amor vale a pena


É preciso começar já, nas famílias e nas escolas, nas praças e nos escritórios, nas casas e nas ruas, a respeitar todas e as mais diversas formas de amar, sem exceção, pois exceções não há quando se trata de as pessoas serem o que são e o que querem ser. Assim, a homofobia, a bifobia e a transfobia, que desde 2019 são consideradas crimes e não doenças, precisam começar desde já a ser combatidas e homossexuais, bissexuais e transexuais precisam ser defendidos apenas como o que são: seres humanos com suas formas de ser e de amar. E protegidos com esse amor revolucionário, amor que reinventa a vida em sociedade. Uma luta que precisa começar já, porque a vida tem pressa. Muita pressa.


O ano passado ficou marcado pelas reflexões sobre o racismo, a partir de atos repugnantes como o assassinato cruel daquele americano negro, sufocado pelo joelho de um policial. E, aqui, pelo assassinato covarde daquele homem negro esmurrado até a morte num supermercado de Porto Alegre. É preciso encarar o racismo como crime hediondo, porque atinge o ser humano na sua natureza mais íntima. Todo dia, ao abrir os olhos, milhões de pessoas em todo o mundo passam a mão na pele negra e sabem que, mal o dia nasce, e é hora de começar a lutar pelo direito de serem apenas o que são, pois assim vieram ao mundo. Não há razão para esperar. E não é uma luta que deva começar agora. A luta contra o racismo é pra já. Porque a vida tem pressa.

 

 

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