OPINIÃO

Bruno Lara é jornalista da UnBTV, pesquisador de pós-doutorado em Ciência da Informação pela UnB e editor do blog Dissertação Sobre Divulgação Científica.

Bruno Lara

 

Luz, câmera, ação! Essa tem sido parte da rotina de alguns cientistas no Brasil desde o início da pandemia. Sem largar os jalecos e laboratórios, muitos deles estão na linha de frente da divulgação científica para defender o legado, a credibilidade e a importância da Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) para o progresso do país e o bem-estar humano. Tem crescido a quantidade de cientistas youtubers, podcasters, blogueiros, instagrammers e influencers de um modo geral. O próximo passo é ter um cientista no Big Brother (calma! Brincadeira pra descontrair).

O movimento de projetar mais a ciência na sociedade já vinha tomando contornos de proporções maiores. Mas, a pandemia deu um empurrãozão para elevar a visibilidade da ciência. A área está há meses nas manchetes dos jornais, capas de revistas, é destaque em horário nobre da TV aberta e virou até assunto em mesa de bar (a recomendação não é o distanciamento social?).

A ciência (re) vive um momento em que precisa intensificar quantitativa e qualitativamente a comunicação com a sociedade. Precisa circular com habilidade na esfera pública para propagar a ideia de que sem investimentos humanos, financeiros e materiais pesados na C,T&I, o Brasil não cresce, prospera e se desenvolve. Eu inseri de propósito “humanos” na frente, porque tem crescido um discurso de que dinheiro bem gasto é, principalmente, em tecnologia e equipamentos, em desprestígio às pessoas. Para mim, gente é o maior valor de qualquer projeto.

O sucesso do Brasil enquanto território é “só” um meio (não me interprete mal), porque o fim é o bem-estar do cidadão, da população. A finalidade da economia, da tecnologia etc. é o progresso, a justiça social, a felicidade, a solidariedade entre nós. Se o humano é um empecilho para o progresso do país, algo deve ser repensado p-r-o-f-u-n-d-a-m-e-n-t-e. A preciosidade da vida não pode ser instrumento a qualquer custo para a realização de determinados projetos de nação.

Por isso, antes de os divulgadores e cientistas se lançarem na opinião pública, é importante afinar os conceitos norteadores da narrativa científica, deixando claras quais são as ideias transmitidas. Depois, vamos confiantes aparecer e debater nos meios de comunicação, tanto os tradicionais quanto as redes sociais.

Aliás, cientistas, divulgadores e instituições de C,T&I precisam estar nas redes sociais, querendo ou não. Nessas plataformas estão importantes fluxos de informações que ajudam a formar ideias, influenciar pessoas e (re)formar culturas. Há gerações que têm como referência a Netflix, o Youtube, Whatsapp, Tik Tok etc., e nem sabem bem o que é novela das oito e Faustão.  Não quer dizer que devemos menosprezar o ainda influente tradicional modelo de comunicação, mas devemos estar atentos às características e ao potencial dos novos meios de interação. Hoje, as redes sociais são poderosos instrumentos políticos e culturais.

 

Clique aqui para ler o texto na íntegra

ATENÇÃO – O conteúdo dos artigos é de responsabilidade do autor, expressa sua opinião sobre assuntos atuais e não representa a visão da Universidade de Brasília. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.