OPINIÃO

Fernanda Sobral

 

Conheci Ana quando cheguei a Brasília em 1972 para fazer o Mestrado em Sociologia. Estudávamos juntas eu, ela e Regina Bruno. Ela, já com uma filha bebê (Karla), e eu e Regina, ainda sem essas responsabilidades, mas com muito estudo pela frente. Desde essa ocasião, nunca mais nos separamos, com exceção do período em que ela esteve em Oxford e eu em Paris. Posso dizer, como amiga, que partilhamos muitos momentos felizes e alegres, muitos deles regados com um bom vinho, mas também nos apoiamos em momentos difíceis.

 

Como colega, gostaria de ressaltar que Ana foi uma construtora de instituições, seja o Departamento de Sociologia e seu programa de pós-graduação, seja o Decanato de Pesquisa e Pós-Graduação, seja o antigo CEPPAC, hoje ELA. A Diretoria da Editora da UnB foi a sua última missão, tão bem realizada.

 

Na SBS, foi sua vice-presidente nas duas gestões de Tom Dwyer entre 2006 e 2009 e participou também da diretoria da ANPOCS, dando a sua grande contribuição à institucionalização das Ciências Sociais brasileiras.

 

Sua tese de doutorado sobre “A construção da Ciência e a SBPC” recebeu o prêmio de melhor tese de doutorado pela ANPOCS. Mas a SBPC não foi apenas seu objeto de estudo. Também participou ativamente da história desta entidade. Foi secretária regional da SBPC no Distrito Federal, no período de estruturação de criação da Fundação de Amparo à Pesquisa do DF. Entre 2001 e 2003, foi vice-presidente da SBPC, durante a gestão da presidente Glaci Zancan, e, de 2003 a 2005, foi secretária, na gestão do presidente Ennio Candotti. Nos últimos meses, foi membro da Comissão dos 70 anos da SBPC, que comemora essa data junto com a sua querida associada.


Acompanhei de perto sua luta contra o câncer, da mesma forma que acompanhei sempre a sua luta pela ciência. Ana era uma guerreira.

 

Amiga, a luta pela ciência continua, mas descanse agora em paz.

 

 

 

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