INOVAÇÃO

Com a iniciativa, o Corpo de Bombeiros do DF poderá ter resposta mais rápida no combate ao fogo no Cerrado

Integrantes do projeto explicam como os dados identificados pela inteligência artificial chegam à sede da GigaCandanga. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB

 

Dirigido pelo Departamento de Ciência da Computação (CIC), o projeto SemFogo-DF identifica, com uso de inteligência artificial, a presença de focos de incêndio no Cerrado. A implantação da tecnologia impacta o tempo de reconhecimento do fogo nas áreas contempladas pelas quatro câmeras instaladas na Torre de TV Digital. Anteriormente, o processo era feito de forma manual e levava, em média, dez minutos. Agora, com o novo recurso, é realizado em um minuto e meio. O projeto é financiado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

 

A redução no tempo de identificação do fogo contribui para o trabalho de combate a incêndios do Corpo de Bombeiros do Distrito Federal (CBMDF). O projeto é desenvolvido por professores e estudantes da graduação e da pós-graduação da UnB, em parceria com a GigaCandanga, associação sem fins lucrativos de desenvolvimento científico e tecnológico, que fornece rede de fibra ótica para a transmissão rápida dos dados.

Coordenadora do projeto SemFogo-DF, a professora Priscila Solis (CIC) explica que a vantagem da tecnologia é dispensar o uso da notificação manual do fogo, agilizando a resposta do CBMDF. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB

 

As câmeras instaladas na Torre de TV Digital conseguem aproximar a imagem captada em até 30 vezes e a enviam, por meio da rede de alta velocidade, para processamento na GigaCandanga, localizada no Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes (Ceftru) da UnB, no campus Darcy Ribeiro. Ali é aplicada a tecnologia que verifica os sinais de um possível incêndio.

 

Segundo a coordenadora do projeto, professora Priscila Solis, a ideia é que a inteligência artificial realize uma detecção célere. “Quando nosso algoritmo identifica que há fumaça nessas imagens, dispara um aviso para o CBMDF. Eles têm acesso direto a essa câmera e podem aproximar a imagem, ver o tamanho do fogo e fazer uma ação precoce de envio de bombeiros ao local. Ao evitar que o fogo se alastre, evita-se também uma catástrofe ambiental.”

 

SERVIÇO E APRENDIZADO – Lívia Fonseca, estudante do 10o semestre de Engenharia Mecatrônica, integra o SemFogo-DF, na área de inteligência artificial. Ela destaca que a experiência no projeto está conectada com seus objetivos profissionais ao final da graduação.

 

Discente do sexto semestre da graduação em Engenharia de Software, Lucas Vieira é responsável pelo diálogo da inteligência artificial com outros serviços que estarão na tela do usuário. “Apesar de não serem tarefas fáceis, é gratificante ver que a longa dedicação de tempo está gerando frutos que vão para a sociedade”, observa.

O estudante Lucas Vieira conta estar envolvido com desenvolvimento de softwares desde os 14 anos. Foto: Anastácia Vaz/Secom UnB

 

Para Lucas, bolsista do projeto desde março de 2022, o aprendizado no projeto é também um preparo para a futura vida profissional.

 

“Acredito que os desafios e o modo como os enfrento me ajudam a desenvolver uma certa maturidade na resolução de problemas. É bem comum eu me deparar com algo que nunca fiz, e esta é uma oportunidade para exercitar essa competência”, conta.

 

A professora Priscila Solis reafirma a relevância da pesquisa e da tecnologia desenvolvidas nas universidades para a sociedade.

 

“Nós entendemos que a Universidade tem de ser uma fonte de soluções. Como pesquisadores, nos preocupamos em fazer e publicar artigos, mas, muitas vezes, esses artigos são lidos apenas pelas pessoas que trabalham na nossa área de pesquisa. Então um projeto como o SemFogo-DF é uma oportunidade para a sociedade sentir o benefício da formação dos estudantes e do dinheiro investido em educação, ciência, pesquisa e tecnologia”, avalia.

 

Priscila Solis destaca que para conseguir patrocínio do FAPDF é necessário que a atividade apresente elementos de inovação, exatamente o que o projeto SemFogo-DF faz ao fornecer benefícios à sociedade com a preservação ambiental. O Corpo de Bombeiros do DF passa a operar a partir dos alertas identificados pela inteligência artificial já neste mês de julho.

 

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB.

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.