Reinaldo José de Miranda Filho
Em maio de 2026, a Faculdade UnB Planaltina (FUP) comemora 20 anos de história como primeiro campus, fora de sede, da Universidade de Brasília. Importante marco da opção pela interiorização do ensino superior público, a FUP se consolida por dialogar com as especificidades acadêmicas, sociais e ambientais do Entorno do Distrito Federal, aproximando universidade, campo e cidade. Ao longo dessas duas décadas, as gestões da Faculdade consolidaram um projeto acadêmico que combina ensino, pesquisa e extensão voltados para o desenvolvimento territorial, justiça social, sustentabilidade em uma educação inclusiva e emancipatória.
Desde o início, a FUP assumiu que não bastava “levar cursos” para Planaltina. Era preciso construir uma presença universitária comprometida com o direito à educação superior pública e com a valorização dos sujeitos e sujeitas que vivem e trabalham na região – inicialmente aplicando um bônus regional na pontuação nos processos de seleção de entrada. Os cursos de graduação e pós-graduação foram se estruturando para dialogar com esses públicos, incorporando temas transversais relativos à agricultura familiar, desenvolvimento rural sustentável, educação do campo, gestão ambiental, políticas públicas e gestão do agronegócio com abordagem ampla e inclusiva tratando de sociobiodiversidade aos commodities agropecuários.
As gestões que estiveram à frente da FUP, com equipes técnicas diversas participando diretamente da direção, seu colegiado único de graduação, de pós-graduação e Conselho, transformaram os desafios em prática cotidiana. Isso significou, por exemplo, defender a expansão e a consolidação de vagas e cursos, defender condições de trabalho, garantir condições mínimas de infraestrutura, fortalecer espaços colegiados de decisão e preservar a autonomia universitária em cenários políticos muitas vezes adversos.
A experiência da FUP tem sido reconhecida em redes acadêmicas nacionais e internacionais como um exemplo de campus que se enraíza no território. Estudos e relatos, como os apresentados em evento internacional da FORGES, mostram como a interiorização do ensino superior pode ir além da expansão física de prédios e vagas, tornando-se instrumento de democratização do conhecimento e de fortalecimento de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável e à redução de desigualdades. Esse reconhecimento é fruto de um trabalho coletivo, que envolve sucessivas gestões, docentes, estudantes, técnicos, terceirizados e comunidade.
Ao completar 20 anos, a FUP está marcada pelo acúmulo desses esforços e consolida a implantação e enraizamento de um projeto universitário que se reconhece como parte do comunidade, tendo como desafio manter e aprofundar essa presença, ampliando a articulação com escolas, sociedade civil organizada entes municipais, estaduais e federais, contribuir para a internacionalização da UnB fortalecendo a permanência estudantil e preservando a universidade como espaço de produção crítica de conhecimento, diálogo e esperança. Quando a universidade se torna território de pertencimento da sociedade, ela deixa de ser apenas um conjunto de prédios, cursos graduação e/ou pós graduação e passa a contar, de forma decisiva, na vida de quem vive, trabalha e sonha o futuro melhor a partir da educação. Viva, vida longa à FUP; viva a Universidade Pública.
ATENÇÃO O conteúdo dos artigos é de responsabilidade do autor e expressa sua visão sobre assuntos atuais. Os textos podem ser reproduzidos em qualquer tipo de mídia desde que sejam citados os créditos do autor. Edições ou alterações só podem ser feitas com autorização do autor.


