A Universidade de Brasília (UnB) teve, mais uma vez, sua ciência reconhecida em âmbito nacional. Seis pesquisas desenvolvidas na instituição foram destaque no Prêmio Capes de Tese 2026. Egresso de doutorado no Programa de Pós-Graduação em Geologia da UnB, Angel Augusto Verbel Olarte recebeu, em setembro, o reconhecimento máximo na área de Geociências pelo trabalho Tracking gold origin: a novel identification approach based on topology and machine learning applied to gold geochemical data. O estudo foi desenvolvido sob orientação dos professores Maria Emília Schutesky, do Instituto de Geociências (IG/UnB), e Daniel Gregory, da Universidade de Toronto, no Canadá, onde Angel realizou doutorado-sanduíche.
Além desta honraria, a UnB obteve cinco menções honrosas nas áreas de Educação, Engenharia, Medicina Veterinária, Psicologia e Sociologia. Alexandre Marinho Pimenta, do Programa de Pós-Graduação em Educação, foi agraciado pela tese A militarização na Política Nacional de Educação Básica Pública e na gestão escolar: o Programa Nacional das Escolas Cívico-Militares (2019–2023), orientada por Maria Abádia da Silva. Do Programa de Pós-Graduação em Estruturas e Construção Civil, João Paulo de Almeida Siqueira é autor de Punching Shear in Flat Slabs Supported on Reentrant Corner Columns, sob orientação de Guilherme Sales Soares de Azevedo Melo e Miguel Fernández Ruiz.
Gabriel da Silva Oliveira foi condecorado pela pesquisa Applications of Essential Oils in Poultry: Natural Strategies for Sanitizing Hatching Eggs, elaborada no Programa de Pós-Graduação em Ciências Animais junto à orientadora Concepta Margaret McManus Pimentel e ao coorientador Vinícius Machado dos Santos. O estudo Introducing a Multilevel Analytic Model of Science Communication: Applications to COVID-19, Genetically Modified Foods, and Vaccine Hesitancy, de Andressa Alves Bonafé Pontes e orientado por Ronaldo Pilati Rodrigues, no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações, também levou menção honrosa. Por fim, na Sociologia, o destaque foi a tese Trabalhador precarizado ou empreendedor?: um estudo de caso dos Microempreendedores Individuais (MEI) em Brasília – DF, de Cícero Muniz Brito, cujo orientador é Ricardo Colturato Festi.
Oferecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), o prêmio reconhece as melhores teses de doutorado defendidas no país no ano anterior em 50 áreas do conhecimento, contemplando temas que vão da biotecnologia e inteligência artificial até saúde, meio ambiente e direitos humanos. Os trabalhos evidenciam a diversidade da produção científica brasileira.
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RASTREANDO O OURO – Defendida em 2025, a tese de Angel Olarte apresenta uma abordagem inovadora para evidenciar a gênese de depósitos de ouro. “A relevância desta pesquisa está diretamente relacionada ao combate à mineração ilegal e ao tráfico de ouro”, diz Angel Olarte.
Ele conta que o trabalho surgiu no contexto do Programa Ouro Alvo, da Polícia Federal do Brasil, com o objetivo de investigar se seria possível rastrear a origem do ouro por meio de sua composição química, mesmo após as transformações que ele sofre ao longo da cadeia produtiva. O estudo ainda combina aprendizado de máquina e geologia forense.
“Isso é importante porque a mineração ilegal de ouro provoca impactos ambientais significativos. Além disso, o uso de mercúrio no processo de extração e beneficiamento do ouro pode resultar na contaminação de sedimentos e ambientes aquáticos e na exposição de organismos e populações que dependem desses ecossistemas”, explica.
“Receber o Prêmio Capes de Tese é uma conquista muito importante, pois destaca não apenas o rigor científico do trabalho, mas também seu potencial de gerar impactos positivos para a sociedade. É uma satisfação pessoal e profissional, mas também de todos aqueles que contribuíram para a realização da pesquisa”, diz o egresso.
Para a professora do IG Maria Emília Schutesky, a premiação realça o conhecimento científico desenvolvido pelo pesquisador. “Para o Angel, acredito que a premiação reconheça a dedicação empenhada ao longo de quatro anos e reconheça a qualidade e importância da pesquisa.”
“É uma grande satisfação saber que contribuí na formação do Angel”, completa, citando Cora Coralina: “feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. “Essa é minha maior motivação: gerar e difundir o conhecimento científico. Ver os meus alunos brilharem me traz imensa gratidão”, diz a docente, que, em 2025, teve tese sob sua orientação reconhecida com menção honrosa na área de Geociências.
GRANDE PRÊMIO – Dos 50 vencedores, três ainda receberão a distinção máxima em Ciências da Vida; Humanidades e Exatas, Tecnológicas e Multidisciplinar. Os autores das teses vencedoras do prêmio nessas grandes áreas ganham uma bolsa de pós-doutorado no exterior por até 12 meses e os demais autores, bolsas no Brasil pelo mesmo período. Já os orientadores serão contemplados com R$ 9 mil para participação em congressos científicos.
A cerimônia de premiação do Prêmio Capes de Tese deve ocorrer no dia 12 de novembro, em Recife (PE).
