JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL

Iniciativa em parceria com a Alemanha articula pesquisa aplicada e inclusão de catadores para enfrentar a poluição por plásticos e aprimorar gestão de resíduos

Solenidade de lançamento do Projeto Promares aconteceu no Auditório da Faculdade de Tecnologia da UnB, em 10 de dezembro, reunindo representantes de diversas universidades brasileiras e da cooperação alemã. Foto: Divulgação/Promares

 

Em uma iniciativa que une ciência de ponta e justiça socioambiental, a Universidade de Brasília oficializou sua participação no Projeto Mar Circular (Promares). A cooperação multilateral é coordenada pela universidade alemã Technische Universität Braunschweig e financiada pelo Ministério Federal do Meio Ambiente da Alemanha, via instituição pública ZUG.

 

Com execução prevista entre 2025 e 2028, o projeto foca no enfrentamento ao lixo marinho e na melhoria da gestão de resíduos sólidos urbanos, com atuação prioritária nos estados do Pará, Maranhão, Bahia e Rio de Janeiro. A UnB foi representada na solenidade de lançamento pelo diretor do Parque Científico e Tecnológico (PCTec), professor Renato Alves Borges (ENE), que detalhou o papel da instituição no consórcio.

 

PONTE ESTRATÉGICA – Apesar de estar sediada no Distrito Federal, longe da costa, a Universidade de Brasília desempenha um papel tático fundamental. “A UnB atua como ponte entre a produção científica das universidades parceiras, a cooperação internacional com a TU Braunschweig e os formuladores de políticas públicas em nível federal, contribuindo para integrar ciência, economia circular e justiça socioambiental em soluções concretas”, explica o professor.

 

Segundo o docente, a produção científica da UnB será articulada com as universidades de estados costeiros, respeitando as realidades locais. “Contribuímos com coordenação científica, metodologias integradas e apoio técnico, enquanto os parceiros nacionais trazem o conhecimento científico e territorial, além das demandas específicas de cada região”, pontua.

 

MEIO AMBIENTE E INOVAÇÃO – O Promares nasce do diagnóstico de que os impactos ambientais não são distribuídos de forma igual na sociedade.

Renato Alves Borges, diretor do PCTec, destaca o papel da UnB como ponte entre a ciência e os formuladores de políticas públicas. Foto: Divulgação/Promares

 

Para Renato Alves Borges, o projeto traduz o conceito de justiça socioambiental na prática: “Ao fortalecer a economia circular e incluir catadores e cooperativas como atores centrais, o projeto promove geração de renda, valorização do trabalho e inclusão social, ao mesmo tempo em que contribui para a redução da poluição ambiental”.

 

No campo tecnológico, a UnB aplicará sua expertise em áreas como química, biologia e engenharia para o estudo da contaminação por microplásticos.

 

“O objetivo não é apenas medir a contaminação, mas compreender seus impactos e subsidiar estratégias de prevenção e redução do problema”, afirma o docente.

 

COOPERAÇÃO E LEGADO – A parceria com a Alemanha permitirá ao Brasil acessar experiências consolidadas em logística reversa e design de produtos. Segundo Renato Alves Borges, essa troca acelera a transição brasileira ao “adaptar soluções internacionais à realidade social, econômica e territorial do país, evitando modelos descontextualizados”.

 

Para a comunidade acadêmica, o projeto reserva oportunidades diretas. “Os estudantes da UnB poderão se engajar por meio de projetos de pesquisa, extensão, estágios, iniciação científica e pós-graduação”, garante o professor, mencionando ainda a previsão de intercâmbios e workshops com a TU Braunschweig.

 

Ao final de 2028, a expectativa é que a UnB entregue à sociedade brasileira subsídio para fortalecimento de políticas públicas e modelos de economia circular replicáveis. “Esperamos deixar uma rede de cooperação científica e institucional ativa, contribuindo de forma duradoura para a proteção dos oceanos e a gestão sustentável dos resíduos no Brasil”, aponta o diretor do PCTec.

 

*estagiária de Jornalismo na Secom/UnB.

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