A Universidade de Brasília conquistou o primeiro lugar nacional na seleção de projetos do Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde – AfirmaSUS, do Ministério de Saúde (MS). O resultado foi divulgado pela Portaria SGTES/MS nº 145, de 29 de outubro de 2025.
O projeto vencedor, intitulado AfirmaSUS: fortalecimento das estratégias para ampliação do acesso aos serviços de saúde e para promoção do cuidado em saúde mental para grupos socialmente vulnerabilizados no Distrito Federal, destacou-se entre 124 propostas avaliadas pelo Ministério da Saúde.
A conquista reafirma o compromisso da UnB com uma formação humanizada em saúde, a promoção da equidade e a valorização da diversidade social no Sistema Único de Saúde (SUS).
O PROJETO – A professora Odete Messa, da área de Medicina Social (MDS/FM), organizou o projeto e explica que o AfirmaSUS/UnB tem o objetivo de “reduzir desigualdades em saúde mental e fortalecer práticas antirracistas, inclusivas e centradas na comunidade no Distrito Federal”. Segundo ela, a iniciativa articula ensino, pesquisa, extensão e cultura, envolvendo Universidade, serviços públicos e movimentos sociais.
Tudo isso, tendo em mente a busca de reduzir a evasão de estudantes vulnerabilizados da UnB. O edital do Ministério da Saúde apoia a permanência de estudantes que ingressaram no ensino superior por ações afirmativas. Ao todo, serão concedidas 1.600 bolsas de até R$ 1 mil, com prioridade para estudantes de cursos da saúde. Outros 800 estudantes poderão participar voluntariamente.
De acordo com Odete Messa, as ações incluem capacitação de profissionais e discentes, pesquisas participativas sobre barreiras de acesso, implantação de grupos comunitários de apoio psicossocial e campanhas culturais antirracistas e inclusivas. “Queremos consolidar uma rede de cuidado pautada pela equidade e pela educação popular”, afirma.
O projeto também prevê a criação de um comitê de governança comunitária para monitoramento participativo. “É uma proposta integrada que une saúde, cultura e cidadania para promover acolhimento qualificado e fortalecer redes comunitárias”, completa a professora.
No momento, o projeto está realizando a seleção de estudantes, de tutor e cotutor e de orientador de serviço. Os próximos passos incluem reunir os movimentos sociais, planejar as ações em conjunto, iniciar as atividades, monitorar e avaliar as ações. Odete Messa explica que serão 24 meses de desenvolvimento de ações, que podem ser prorrogados conforme se desenvolva a política pelo Ministério da Saúde.
FORMAÇÃO INCLUSIVA – A decana de Assuntos Comunitários da UnB, Camila Areda, ressalta que o projeto complementa os serviços já oferecidos pelo decanato, trazendo uma abordagem preventiva e comunitária. “A implantação de grupos de escuta e apoio psicossocial em territórios vulneráveis, incluindo aldeias e comunidades quilombolas, com base na educação popular em saúde e na terapia comunitária integrativa, trará um ganho significativo para nossos alunos, além de um olhar que respeita sua cultura e tradições”, afirma.
De acordo com a decana, o impacto esperado vai além do atendimento individual: “Queremos integrar os estudantes em práticas inclusivas que promovam qualidade de vida e saúde mental, utilizando linguagem acessível e popular”. A decana conta que novas iniciativas devem surgir nos próximos anos para ampliar a integração entre ensino, pesquisa e cuidado.
A SELEÇÃO – O AfirmaSUS/MS é uma iniciativa inédita voltada à formação de estudantes da área da saúde com foco em atendimento humanizado no SUS. Foram selecionados 124 projetos de instituições públicas de ensino superior, com investimento total de R$ 12 milhões. A ação é realizada pelo Ministério da Saúde junto com os ministérios da Igualdade Racial, dos Direitos Humanos e Cidadania, e a Secretaria Nacional da Juventude.
A proposta contempla cinco eixos temáticos, com destaque para ações que reduzam o tempo de espera nos serviços de saúde, fortaleçam o cuidado em redes de atenção à saúde (com ênfase nas questões materno-infantil, oncológica e mental), contribuam para as campanhas de vacinação e enfrentem a desinformação. De acordo com o edital, pelo menos 25% dos projetos selecionados devem ser de instituições da Amazônia Legal, região estratégica pela diversidade sociocultural.
A expectativa é que, em até um ano, os projetos contribuam para trajetórias de cuidado mais eficientes, maior participação comunitária na formação dos profissionais e produção de conteúdos acessíveis para populações vulnerabilizadas.
