DESAFIOS DO SÉCULO XXI

Encontro reuniu Ana Esther Ceceña e Jamil Chade para discutir multipolaridade, recursos estratégicos, rotas comerciais e mudanças no equilíbrio internacional

Durante o primeiro debate do Seminário Espírito do Tempo, a economista mexicana Ana Esther Ceceña apresentou mapas para discutir recursos estratégicos, territórios e rotas comerciais no cenário internacional. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

A Universidade de Brasília (UnB) iniciou, nesta segunda-feira (24), o Seminário Espírito do Tempo – Mudança de Época, com o debate A nova ordem mundial: geopolítica, multipolaridade e Sul Global. O encontro reuniu a economista mexicana Ana Esther Ceceña e o jornalista e correspondente internacional Jamil Chade no Auditório da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB), campus Darcy Ribeiro, Asa Norte.

 

A abertura foi conduzida pela reitora Rozana Naves, que apresentou o tema e explicou a dinâmica dos encontros. As mesas foram organizadas a partir de perguntas encaminhadas previamente pela comunidade universitária e pelo público externo.

 

As questões foram reunidas pela organização e direcionadas aos convidados de acordo com o tema de cada debate. A metodologia procura aproximar os especialistas das questões apresentadas pelo público e orientar as exposições a partir dessas contribuições.

 

“Nós estamos unidos nesse auditório com o propósito de que as contribuições dos painelistas ao longo desse seminário sirvam como ponto de partida para as discussões acadêmicas que faremos e que temos interesse de fazer na Universidade, referentes aos temas da atualidade”, disse a reitora Rozana Naves.

O jornalista Jamil Chade, a reitora Rozana Naves, e a economista Ana Esther Ceceña na abertura do Seminário Espírito do Tempo. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

RECURSOS – Ana Esther Ceceña iniciou sua exposição com uma análise territorial da conjuntura internacional. A economista utilizou mapas para discutir a distribuição de recursos energéticos e minerais, áreas de conflito, rotas comerciais e posições estratégicas.

 

O petróleo e o gás estiveram entre os primeiros pontos abordados. A pesquisadora chamou atenção para a concentração desses recursos em determinadas regiões e para a presença de reservas também na América Latina e na África.

 

A exposição também tratou dos minerais estratégicos e de sua relação com as transformações econômicas internacionais. Nesse contexto, o Brasil foi mencionado entre os países que concentram recursos relevantes para as disputas contemporâneas.

 

Outro eixo da apresentação foram as rotas marítimas. Ceceña discutiu a importância de portos e estreitos para a circulação internacional de mercadorias e para as relações econômicas entre diferentes regiões. “As rotas são chave para entender a geopolítica mundial”, afirmou a economista.

 

A pesquisadora relacionou ainda território, recursos naturais, infraestrutura e circulação de mercadorias como elementos para compreender as disputas internacionais. Ao abordar China, Índia e Rússia, Ceceña também discutiu o peso econômico e territorial desses países e a relação dessas características com o debate sobre multipolaridade e Sul Global.

 

MUDANÇAS – Jamil Chade abordou as transformações do sistema internacional a partir de sua experiência como jornalista e correspondente internacional. A exposição tratou das mudanças na distribuição do poder entre países, das transformações tecnológicas e das relações entre grandes potências. O jornalista também discutiu os efeitos dessas mudanças sobre a América Latina e o Brasil, com atenção para infraestrutura, recursos naturais, tecnologia e relações internacionais.

 

Ao apresentar sua leitura do cenário contemporâneo, Chade destacou a velocidade das mudanças econômicas, tecnológicas, sociais e ambientais. “Vivemos em uma encruzilhada da história e justamente a nossa geração experimenta o que tende a ser uma das transformações mais profundas das nossas realidades em décadas”, afirmou.

O jornalista Jamil Chade traçou um panorama contemporâneo das transformações geopolíticas e tecnológicas mundiais. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

  

A exposição abordou ainda a relação entre geopolítica e tecnologia. Chade discutiu a dependência de serviços e infraestruturas digitais e a necessidade de considerar a dimensão tecnológica nas discussões sobre autonomia dos países.

 

Em outro momento, o jornalista relacionou as transformações internacionais à necessidade de ampliar a discussão sobre soberania tecnológica e infraestrutura digital. “A geopolítica não é o que acontece nos corredores lá da ONU. É a roupa que nós usamos, é os aplicativos que nós baixamos no celular, as expressões que usamos, as músicas que escutamos, a construção da nossa consciência”, disse.

 

CONHECIMENTO – O seminário é realizado pela UnB em parceria com a Comissão Brasileira Justiça e Paz (CBJP) e a Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF). A programação conta com apoio da Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), da Associação de Docentes da UnB (ADUnB), do Sindicato dos Servidores Técnico-Administrativos da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub) e do Diretório Central dos Estudantes Honestino Guimarães (DCE).

 

O primeiro bloco do Seminário Espírito do Tempo ocorre de 24 a 28 de agosto, no Auditório da ADUnB. Os debates estão programados para as 17h. Nesta terça-feira (25), o tema será Economia mundial, desigualdade e desenvolvimento em tempos de crise, com José Kobori e Juliane Furno.

 

Na quarta-feira (26), Mercedes Bustamante e Eva Potiguar protagonizam o debate Emergência climática, transição ecológica e disputa por recursos estratégicos. Na quinta-feira (27), Renata Mielle e Virgílio Almeida discutem Inteligência artificial, desinformação e poder das plataformas digitais. O primeiro bloco termina na sexta-feira (28), com A intersecção entre política e religião, tema que será discutido por Jung Mo Sung e Christina Vital da Cunha.

 

O segundo bloco do seminário está programado para ocorrer de 28 de setembro a 2 de outubro. De acordo com a organização, as reflexões produzidas ao longo dos dois blocos serão reunidas em um livro após o encerramento da programação.

 

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