ÓRGÃOS COLEGIADOS

Colegiado também aprovou relatório do CDS, reconduções para câmaras institucionais e concessão do título de Professora Emérita a docente do IdA

Consuni aprovou a Política Institucional de Enfrentamento à Desinformação, que estabelece diretrizes para ações de integridade da informação, comunicação pública, letramento digital e enfrentamento à circulação de conteúdos falsos. Foto: Beto Monteiro/Ascom GRE

 

O Conselho Universitário (Consuni) da UnB aprovou a Política Institucional de Enfrentamento à Desinformação da Universidade de Brasília, em reunião realizada nesta sexta-feira (9), no Auditório da Reitoria. A proposta estabelece diretrizes para ações de promoção da integridade da informação, fortalecimento da comunicação pública e enfrentamento à desinformação nos ambientes digitais e institucionais da Universidade.

 

A reitora Rozana Naves contextualizou que a proposta é resultado de um processo construído ao longo dos últimos meses, com participação de diferentes setores da Universidade. Ela explicou que a política começou a ser estruturada a partir da criação do Comitê de Enfrentamento à Desinformação, em janeiro de 2025. “Esse processo culmina na apresentação a este Conselho Universitário de uma minuta de política institucional de enfrentamento à desinformação”, contou.

 

A política foi construída a partir de discussões conduzidas pelo Comitê de Enfrentamento à Desinformação da UnB e analisada por uma comissão instituída pela Reitoria, composta pelo professor Renato Tarciso Barbosa de Sousa, da Faculdade de Ciência da Informação (FCI), pela professora Cristiane da Silva Ferreira, do Instituto de Ciências Biológicas (IB), e pela técnica administrativa Nadia Regina Alves Valadares.

 

Segundo o parecer apresentado ao Consuni, a resolução parte do entendimento de que a desinformação afeta diretamente a produção científica, o debate público, as instituições democráticas e a circulação do conhecimento. O documento destaca ainda o impacto da disseminação de conteúdos falsos ou manipulados sobre temas científicos, sanitários, ambientais e educacionais.

 

A proposta aprovada define que o enfrentamento à desinformação deve ocorrer de forma transversal, articulando ensino, pesquisa, extensão, inovação e gestão universitária. A política prevê ações integradas entre unidades acadêmicas, setores administrativos e iniciativas já existentes na Universidade.

 

Entre as diretrizes apresentadas ao colegiado estão: o fortalecimento da comunicação pública institucional; a promoção da integridade da informação; o incentivo à divulgação científica acessível; a formação crítica para uso das plataformas digitais; o estímulo ao letramento midiático e informacional; o apoio a pesquisas e projetos interdisciplinares sobre desinformação; e o desenvolvimento de ações educativas voltadas à comunidade interna e externa.

 

A política também prevê incentivo à produção de conteúdos científicos em linguagem acessível e à ampliação da presença institucional da Universidade em ambientes digitais. A proposta relaciona essas ações à necessidade de fortalecer a confiança pública na ciência e nas universidades públicas.

 

O docente da Faculdade de Medicina (FM) Gustavo Romero elogiou a construção da proposta e o trabalho realizado pelo comitê e pela comissão responsável pelo parecer. “Cumprimento o comitê pelo belo documento que trouxeram e a comissão pelo apontamento tão cuidadoso nos detalhes que são críticos para que a política fique em conformidade com o regimento geral da Universidade”, afirmou.

 

 

TÍTULO – O Conselho Universitário aprovou por aclamação a concessão do título de Professora Emérita à docente aposentada Maria da Glória da Veiga Moura, indicada pelo Departamento de Artes Cênicas do Instituto de Artes (CEN/IdA). A homenagem reconhece sua trajetória acadêmica e sua contribuição para os estudos sobre relações étnico-raciais, cultura afro-brasileira e educação quilombola.

 

O parecer apresentado ao Consuni destaca que a atuação de Glória Moura teve papel relevante na inserção e no fortalecimento do debate sobre relações étnico-raciais na educação brasileira, tanto no ambiente universitário quanto em espaços de pesquisa e articulação com comunidades quilombolas.

 

A comissão responsável pela análise do processo ressalta ainda a contribuição da professora para a consolidação das Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o ensino de história e cultura afro-brasileira e africana. O documento menciona sua atuação acadêmica, intelectual e política na defesa de uma educação antirracista e socialmente referenciada.

 

RELATÓRIO – O conselho aprovou ainda o relatório de atividades do Centro de Desenvolvimento Sustentável (CDS), referente ao período de 2021 a 2025. O parecer apresentado ao colegiado destacou ações relacionadas à infraestrutura, reorganização acadêmica e planejamento institucional da unidade.

 

Entre os pontos apresentados estão a conclusão do segundo bloco do prédio do CDS, em parceria com o Centro Internacional de Bioética e Humanidades (CIBH), além de investimentos em equipamentos, mobiliário e manutenção da estrutura física.

 

O diretor do CDS, Carlos Saito, ressaltou o fortalecimento acadêmico do centro, que atualmente oferece o curso de graduação em Ciências Ambientais, em parceria com outras unidades da UnB, e mantém três programas de pós-graduação. “Temos atividades acadêmicas que, independentemente das avaliações subirem e descerem, mostram um histórico de consolidação dentro do sistema de pós-graduação”, disse.

 

Saito pontuou ainda projetos de pesquisa e extensão desenvolvidos pelo CDS, como ações ligadas à Rede Clima, recuperação de áreas degradadas por garimpo e participação na Conferência Nacional do Meio Ambiente.

 

SiSU – Antes das deliberações, o Consuni acompanhou a apresentação do Relatório Técnico 2 da Comissão de Avaliação e Acompanhamento dos Ingressos na Universidade de Brasília (CAIS), vinculada ao Decanato de Ensino de Graduação (DEG). O documento analisou a efetividade do SiSU no ingresso de 2026 e os desafios relacionados ao preenchimento de vagas na graduação.

 

Segundo a apresentação da CAIS, a experiência do SiSU em 2026 mostrou “ganho expressivo de ocupação” em cursos que historicamente registravam baixa procura. O relatório sustenta que o acesso nacional pelo Enem ajudou a recompor vagas que permaneceram ociosas após o PAS e o Vestibular.

Diretora da Dieg/DEG, Juliana de Freitas Dias apresentou os dados do Relatório Técnico 2 da CAIS sobre a efetividade do SiSU e o preenchimento de vagas na graduação. Foto: Beto Monteiro/Ascom GRE

 

A diretora da Diretoria de Inovação para o Ensino de Graduação (Dieg/DEG), Juliana de Freitas Dias, detalhou que a CAIS analisou uma série histórica de 25 anos dos processos seletivos. “Fizemos esse experimento para entender como seria o comportamento do preenchimento”, explicou.

 

Ela destacou que, nos 45 cursos analisados, o índice de ocupação subiu de 52,8% para 95,2% com a entrada do SiSU. “Nossa leitura institucional passou a ser que um processo nacional associado a um processo loco-regional traz mais efetividade para a Universidade no preenchimento de vagas”, afirmou.

 

A apresentação utilizou dados organizados em seis eixos: ocupação de vagas pelo SiSU, desempenho do Vestibular, uso da segunda opção de curso, perfil territorial dos ingressantes, análise das licenciaturas e comparação histórica do PAS.

 

URP – A reitora Rozana Naves atualizou o colegiado sobre as ações da Universidade em relação à URP dos docentes. Ela contextualizou que a tese de absorção da parcela decorre de acórdãos do Tribunal de Contas da União (TCU) e de pareceres da Advocacia-Geral da União (AGU), utilizados atualmente pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). “A defesa da URP tem sido um trabalho constante e prioritário da Reitoria desde que assumimos.”

 

Rozana Naves explicou que a Universidade vem atuando junto ao MGI, à AGU e ao Supremo Tribunal Federal (STF), além de participar de reuniões com representantes docentes e sindicais. Segundo ela, após a aplicação da absorção de 60% da URP na folha de abril dos docentes, a UnB encaminhou pedido formal ao MGI solicitando a reversão dos descontos.

 

A reitora informou que a Universidade solicitou ao governo federal a devolução dos módulos da ação judicial para recalcular progressões e promoções lançadas na folha de pagamento. “Nossa defesa é a de que todo direito adquirido não pode ser recusado por qualquer acordo futuro”, disse. Ela também relacionou o debate da URP à perda gradual de autonomia das universidades federais. “Esse é mais um exemplo de como os órgãos de controle limitam a ação do Executivo e também implicam perda de autonomia universitária”, ponderou.

 

O Conselho Universitário reunido em 8 de maio aprovou ainda duas notas: em posicionamento sobre a realização de festas estudantis e em repúdio à prisão do ativista brasileiro Thiago Ávila, detido por forças do Estado de Israel.

 

 

DEMOCRACIA TODOS OS DIAS – Nos conselhos e câmaras da Universidade de Brasília, estudantes, docentes e técnicos participam das decisões que orientam os rumos institucionais. Previstas no Estatuto da UnB, essas instâncias asseguram representatividade, diálogo e deliberação coletiva, fortalecendo a democracia como prática cotidiana no ensino, na pesquisa, na extensão e na gestão universitária. Em sintonia com a campanha institucional 2026, os órgãos colegiados expressam o compromisso da Universidade com a pluralidade, a escuta e a participação social.

 

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