INTERNACIONALIZAÇÃO

Evento reuniu estudantes e docentes para discutir influência global do país asiátivo, da cultura pop às relações internacionais

O embaixador Choi Yeonghan destacou a importância do K-pop e do K-drama na ascensão do soft power sul-coreano. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

A Universidade de Brasília recebeu, nesta quarta-feira (2), o embaixador da Coreia do Sul no Brasil, Choi Yeonghan, para a palestra O Soft Power da Coreia: do K-pop à K-diplomacia. O evento ocorreu no Auditório da Reitoria e reuniu estudantes, professores da UnB e do Instituto Rei Sejong de Brasília e comunidade externa.

 

O secretário de Assuntos Internacionais da UnB, Gladston Luiz da Silva, deu as boas-vindas à comitiva sul-coreana e ressaltou o compromisso institucional com o fortalecimento dos vínculos globais. “Estamos muito felizes com a presença de vocês e tenho certeza de que este será um grande momento para nossos estudantes e professores que estão aqui”, afirmou. O secretário destacou ainda a disposição da Universidade em ampliar as conexões com instituições sul-coreanas. “Podem contar conosco para estreitarmos ainda mais as relações entre nossa UnB e a Coreia do Sul e suas e universidades.”

 

Em sua apresentação, o embaixador Choi Yeonghan abordou a ascensão do soft power sul-coreano no cenário global, destacando o impacto do K-pop, dos K-dramas, da literatura coreana e da difusão da língua como instrumentos de projeção internacional. “Mais do que entretenimento, a cultura pop coreana carrega narrativas universais e temáticas humanistas que transcendem fronteiras, conectando pessoas por meio da emoção e da estética”, afirmou.

 

O diplomata detalhou ainda como a chamada “onda coreana” (Hallyu) se estabeleceu com base em três pilares: cultural, industrial e institucional. Ele ressaltou o papel do governo sul-coreano, por meio de políticas públicas e diplomacia cultural, e das empresas do setor criativo na construção de uma imagem positiva do país no mundo. Choi Yeonghan também compartilhou os resultados recentes do Índice Global de Soft Power, que colocam a Coreia entre as 15 nações mais influentes nesse campo.

 

Durante a palestra, foram destacados exemplos de cooperação entre Coreia e Brasil, como a presença crescente de grupos musicais coreanos no país, colaborações artísticas com artistas brasileiros – citando a parceria entre o grupo Tomorrow X Together e a cantora Anitta – e projetos educacionais, como a oferta de cursos de língua coreana em instituições brasileiras. O embaixador sul-coreano também mencionou iniciativas na área de ciência e tecnologia.

 

Ao fim da palestra, o público participou de uma sessão de perguntas e respostas com o embaixador. Estudantes demonstraram interesse não apenas na atuação da Coreia Sul no Brasil, mas também nas possibilidades de inserção cultural brasileira na Ásia. Choi Yeonghan pontuou que, apesar da presença institucional brasileira ser mais discreta na Coreia do Sul, há forte reconhecimento do país por meio do futebol, da música e da convivência com a comunidade brasileira residente.

 

INTERESSE – O professor Marcus Tanaka, do Instituto de Letras (IL/UnB) e representante do Instituto Rei Sejong de Brasília, destacou a relevância da palestra do embaixador Choi Yeonghan para aproximar a comunidade acadêmica da estratégia bem-sucedida adotada pela Coreia do Sul na promoção internacional de sua cultura. “Acredito que a palestra foi muito positiva para mostrar, especialmente aos alunos, como funciona o ecossistema desenvolvido pela Coreia do Sul que conecta a popularidade da cultura local – chamada de Hallyu, ou ‘onda coreana’ – aos laços diplomáticos e educacionais. Esse movimento é impulsionado por elementos como o K-pop, os K-dramas, a literatura – com destaque para Han Kang, vencedora do Nobel de Literatura em 2024 –, e o cinema, representado por obras como Parasita, vencedor do Oscar em 2020”, explicou o docente.

Atualmente, a Coreia do Sul está entre as 15 nações mais influentes do mundo no Índice Global de Soft Power. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Marcus Tanaka também enfatizou a forte conexão entre Brasil e Coreia do Sul nesse cenário, evidenciada pelo entusiasmo do público. “A Mostra de Cinema Coreano 2025 é mais uma iniciativa da embaixada que leva ao público brasileiro um recorte da rica produção audiovisual da Coreia. O interesse crescente pela cultura coreana é visível na UnB: as 130 vagas presenciais para a palestra se esgotaram no primeiro dia, e foi necessária uma transmissão via YouTube para atender à demanda”, destacou. Segundo ele, a expectativa é que o evento contribua para fomentar ainda mais a área de estudos coreanos na Universidade.

 

CONHEÇA – O Instituto Rei Sejong Brasília é um programa de extensão criado dentro do Departamento de Línguas Estrangeiras e Tradução (LET/IL) em parceria hoje com a Universidade de Estudos Estrangeiros de Busan e a Fundação Instituto Rei Sejong, responsável pela difusão da língua e cultura sul-coreanas pelo mundo. Fundado em 2018, o Instituto Rei Sejong Brasília abriu mais de 150 turmas e efetuou mais de 2.200 matrículas distribuídas pelos oito níveis oferecidos, tudo gratuito.

 

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