EQUIDADE

Com presença de Márcia Barbosa, ciclo de palestras no Instituto de Geociências é dedicado à valorização da participação feminina nas ciências 

Márcia Barbosa apresentou dados sobre a participação feminina na ciência e discutiu os desafios relacionados à permanência e à ascensão das mulheres na carreira acadêmica. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

O auditório do Instituto de Geociências (IG/UnB) recebeu, nesta quarta-feira (2), a palestra Mulheres nas Ciências: Uma Verdade Inconveniente, ministrada pela reitora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Márcia Barbosa. A atividade integra a programação do #8M – Ciclo de Palestras: Mulheres nas GeoConsciências, iniciativa do IG dedicada à valorização da participação das mulheres nas ciências.


O evento teve como ponto de partida a fala de Pamela Costa, pós-doutoranda do IG e líder de pesquisa e dados da MPower Brasil, organização que promove a liderança feminina na transição energética. Segundo ela, o desafio atual não é garantir que as mulheres tenham voz, mas criar condições para que suas contribuições sejam efetivamente reconhecidas e consideradas em diferentes espaços.

 

“As mulheres sempre produziram conhecimento, realizaram pesquisas, ensinaram e orientaram trabalhos. Muitas vezes, sem o devido reconhecimento”, destacou. Ela chamou atenção para os obstáculos que limitam a participação feminina, como interrupções frequentes, desvalorização de ideias e julgamentos que influenciam a vontade de ocupar espaços.

Pamela Costa, pós-doutoranda do IG, falou que a voz das mulheres precisa ser ouvida e não silenciada, pois silêncios também explicam a pouca presença feminina no poder. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

“Quando determinadas vozes encontram mais dificuldades para serem ouvidas, não perdemos apenas a contribuição de uma pessoa, mas também reduzimos as perguntas, as perspectivas e as possibilidades da própria ciência”, afirmou a pesquisadora.

 

Também presente na abertura, a vice-diretora do IG, Suzan Rodrigues, falou que o cenário de desigualdade está em todos os lugares, inclusive no Instituto de Geociências, onde mulheres representam cerca de 30% do corpo docente e 40% dos servidores técnico-administrativos. Para ela, é uma obrigação “construir ambientes acadêmicos acolhedores que estimulem a participação, a permanência e a liderança das mulheres em todos os níveis da formação e da carreira científica”.

 

A decana de Pesquisa e Inovação, Renata Aquino, também mencionou ações relacionadas à melhoria da equidade de gênero na Universidade, afirmando que “manter editais de incentivo é importante para que possamos efetivamente destacar as lideranças femininas na ciência, na tecnologia e na inovação”.

 

São exemplos os editais Mulheres Cientistas, promovido em parceria entre o Decanato de Pesquisa e Inovação (DPI) e o Decanato de Extensão (DEX) para fomentar pesquisas coordenadas por mulheres, e o Prisma Mulher, iniciativa do Centro de Apoio ao Desenvolvimento Tecnológico (CDT/DPI) para incentivo a projetos de inovação liderados por elas.

 

DESAFIOS – A reitora da UFRGS, Márcia Barbosa, usou tom descontraído para falar do tema e estruturou sua fala em quatro conceitos: evidência, equidade, eficiência e empatia. Logo de início, mostrou a realidade sobre a presença feminina na ciência por meio de dados que destacam o efeito tesoura. O fenômeno evidencia que as mulheres são maioria na graduação, no mestrado e no doutorado, mas sua participação profissional cai à medida que avançam na carreira, seja a acadêmica, empresarial ou política.

 

Assim, a reitora salientou a importância de medidas compensatórias para enfrentar desigualdades estruturais e promover a equidade. Segundo ela, “garantir oportunidades iguais não é suficiente quando as pessoas partem de condições diferentes”.

Reitora da UFRGS mencionou efeito tesoura para mulheres em diferentes carreiras e fez defesa da equidade para eficiência profissional. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

Novamente com dados, ela demonstrou que diversidade traz eficiência. “Equidade gera eficiência, e não apenas direitos humanos. Equipes formadas por pessoas com diferentes experiências e perspectivas podem ampliar a capacidade de solucionar problemas, por meio de suas vivências pessoais”, explicou a cientista, citando exemplos vividos por ela e outras pessoas.

 

Sobre empatia, a gestora afirmou que é um elemento necessário para reconhecer as barreiras enfrentadas, além dos estereótipos, preconceitos e outras práticas cotidianas. Ela ainda comentou que isso pode influenciar a permanência e a progressão das mulheres em suas carreiras.

 

Para Márcia Barbosa, enfrentar essas desigualdades exige dados, políticas de equidade e mudanças culturais que ampliem a participação das mulheres e a diversidade. A gestora apresentou projetos da UFRGS que trabalham o tema de forma descontraída para mobilizar a população.

 

“A gente precisa de empatia para tentar entender que aquela pessoa sofreu um monte de coisas que você não sofreu”, comentou. Para além, ela também destacou que precisamos de luta, porque “a maior parte das pessoas não quer sair da sua zona de conforto, não quer perceber que tem privilégios e não quer abrir mão deles”.

 

CICLO DE PALESTRAS – O Mulheres nas GeoConsciências tem frequência mensal e realizou outros cinco encontros desde março, mês dedicado internacionalmente à visibilidade, à reflexão e à luta pelos direitos das mulheres. A próxima palestra será realizada no dia 17 de setembro, às 15h, no auditório do IG, com o tema O Maravilhoso Mundo das Cavernas e com participação da ativista e espeleóloga Leda Zogbi.

 

ATENÇÃO – As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seus conteúdos. Crédito para textos: nome do repórter/Secom UnB ou Secom UnB. Crédito para fotos: nome do fotógrafo/Secom UnB.