A Universidade de Brasília (UnB) estará presente mais uma vez na programação do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB). Este ano, duas produções de docentes serão exibidas no evento, que ocorre entre 11 e 19 setembro, com atividades no Cine Brasília, no Cine Cultura Liberty Mall, na Universidade Católica de Brasília (UCB), no Complexo Cultural de Planaltina, no Centro Universitário IESB campus Sul, em Ceilândia, no Complexo Cultural de Samambaia e no Hotel Ramada. A Pele Morta, de Denise Moraes, docente da Faculdade de Comunicação (FAC), e Bruno Torres, estará na sessão de abertura do evento; já Nem Todos Sabem, filme da professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos Edileuza Penha, estará na Mostra Brasília.
A Pele Morta é um road movie que acompanha a história de Saulo, um rapper de origem indígena que vive o luto pela morte do irmão. Ele parte em viagem com um caminhoneiro uruguaio pelas fronteiras da América do Sul, e, no percurso, dão carona a uma jovem à procura de sua irmã. O filme, segundo Denise, é sobre pertencimento. “Um pertencimento que não está necessariamente relacionado a um território fixo, e, sim, é construído nos vínculos afetivos que criamos ao longo do caminho.”
O roteiro foi escrito por Daniel Tavares e desenvolvido em diálogo com Geraldo Moraes. A narrativa, segundo Denise, se insere na perspectiva de cinema político voltado às questões sociais e de diversidade na América Latina. Para a diretora, "a diversidade latino-americana está na própria estrutura do filme: três personagens de origens diferentes (um brasileiro, um uruguaio e uma paraguaia), dentro de um caminhão batizado Nuestra América".
Para além da narrativa, o longa-metragem carrega uma história particular. O filme seria originalmente dirigido por Geraldo Moraes, grande nome do cinema brasiliense, ex-professor da Universidade de Brasília e pai de Denise e Bruno. Após a morte do cineasta, que ocorreu antes das filmagens, os filhos assumiram a direção a convite de Solange Moraes, responsável pela produção da obra, e realizaram o projeto idealizado pelo pai.
Para Denise, a homenagem ao pai não significa tentar reproduzir o filme que ele faria. “Procuramos preservar aquilo que reconhecemos como muito ligado à trajetória de nosso pai, especialmente a dimensão política do roteiro trabalhado por ele e por Dani [Daniel Tavares]”, afirma. A construção do filme, segundo a cineasta, consistiu nas próprias escolhas de direção a partir dos três personagens, considerando suas diferentes nacionalidades e angústias particulares. “Buscamos construir o filme, sobretudo, valorizando a dimensão afetiva na narrativa.”
A Pele Morta será exibido na sessão de abertura do festival, no dia 11 de setembro, às 19h30, no Cine Brasília.
PERSONALIDADE HISTÓRICA – O documentário Nem Todos Sabem conta a história de João Tomé, compositor, maestro e um dos fundadores da Escola de Música de Brasília. O músico, negro e deficiente visual, contribuiu para a construção cultural da capital federal e deixou mais de 500 composições, muitas delas escritas em braile. O longa recupera a trajetória do artista por meio de depoimentos de amigos, familiares, colegas, alunos e arquivos preservados pela família.
A produção teve início a partir da amizade de Edileuza e Vera Tomé, neta de João Tomé, em 2010. Anos depois, elas desenvolveram juntas um projeto de documentário, inicialmente pensado como curta-metragem. Durante o processo de pesquisa, o filme ganhou novas proporções, quando Edileuza identificou a possibilidade de produzir um longa.
Para a diretora, a seleção para a Mostra Brasília do FBCB representa tanto o reconhecimento do trabalho realizado quanto da importância da história do músico para Brasília. Segundo Edileuza, recuperar essa história é também contribuir para a preservação da memória da cidade: “Não dá para falar em memória de Brasília sem falar na figura do João Tomé”, afirma.
Além disso, a exibição do documentário ocorre 55 anos após a morte de Tomé. Para Edileuza, o filme expande a possibilidade de novas gerações conhecerem a história do maestro. “Cinquenta e cinco anos depois, João retoma Brasília, agora pelas telas do cinema”, destaca a cineasta.
Nem Todos Sabem terá três sessões no dia 17 de setembro: às 18h, no Cine Brasília, e às 19h45, no Complexo Cultural de Planaltina e na UCB, em Taguatinga, Bloco G.
PARTICIPAÇÃO DISCENTE – A Universidade também estará representada no júri da Mostra Caleidoscópio, que reúne filmes com proposta experimental e inovadora. A mostra ocorrerá de segunda a sexta-feira, no período da tarde, durante os dias de festival. As obras selecionadas concorrem ao Prêmio Júri Fipresci, da Federação Internacional de Críticos de Cinema, e ao Prêmio Jean-Claude Bernardet, conferido pelo Júri Jovem.
Esta é a segunda edição em que o Júri Jovem está presente no festival, sendo este ano composto por cinco estudantes de Audiovisual da UnB. Os alunos realizam debates internos sobre as produções, em um trabalho que envolve análise crítica e curadoria. Segundo a coordenadora da iniciativa e professora da Faculdade de Comunicação (FAC/UnB), Mariana Souto, a ação promove uma aproximação entre os estudantes e o festival. Para ela, “o festival tem um papel muito importante na formação dos estudantes e no conhecimento deles sobre o cinema brasileiro contemporâneo".
E MAIS – Egressos da Universidade terão filmes exibidos no festival. Entre as 15 produções competindo na Mostra Competitiva Brasília, 11 são de diretores formados pela instituição. São elas Mapas (Rafael Lobo), Onde Moram os Irmãos (Marisa Mendonça), Hacker Leonilia (Gustavo Dourado), A Arte Perdida da Lombada (Helena Sarmento), O Jardim Mágico (Naira Carneiro), Ar-Dor (Mike Peixoto), Não Há Crime no Plano Piloto (Gabriel Machado), Impostor (Rafael Gontijo), Dora (Murilo Abreu), Madre (Talita Carvalho e Carol Matias), e Rima (Jozyanne Diniz).
O festival também conta com produções dos egressos Santiago Dellape (Verão de Lata), na sessão de encerramento, e Denise Vieira (Sabes de Mim, Agora Esqueça), na Mostra Competitiva Nacional. Doutor em Antropologia pela UnB, Thiago de Aragão é um dos jurados da Mostra Competitiva de Curtas-metragens. Já Marcelo Caetano, cineasta formado pela Universidade, integra a comissão de seleção da Mostra Brasília.
*Matéria atualizada em 14/09/2026 para retificação e acréscimo de informações.
