LUTA PELA IGUALDADE

Campus Darcy Ribeiro sedia eventos que discutem temáticas de combate ao racismo por meio da ciência, da conscientização e de políticas públicas

Painéis, palestras, oficinas e minicursos fazem parte de ampla programação. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB  

 

As primeiras mesas do III Seminário Internacional Tecendo Redes Antirracistas foram realizadas na manhã desta quarta-feira (29), no Anfiteatro 12, no Instituto Central de Ciências (ICC) do campus Darcy Ribeiro, Asa Norte. O evento celebra os dez anos da Rede Internacional de Pesquisadores Antirracistas e é parte do XIV Congresso Brasileiro de Pesquisadores(as) Negros(as) (Copene), também sediado esta semana na Universidade de Brasília.

 

Durante a programação, os participantes do seminário vão discutir, entre outros temas, a educação antirracista, ações afirmativas, interseccionalidade, mobilizações sociais e experiências internacionais.

Renísia Filice dá boas ao público na abertura do seminário. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

  

A coordenadora-geral do Copene e professora da Faculdade de Educação (FE), Renísia Filice, ressaltou a relevância de promover as temáticas antirracistas no Brasil, “país de maior presença negra fora da África”.

 

“Poder estar no Copene, que tem uma potência política tão grande, é uma oportunidade ímpar”, disse ela, ao anunciar a composição da mesa inaugural do seminário e dar as boas-vindas ao público. A docente também coordena o Consórcio Nacional dos Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros (Conneabs).

 

As falas seguiram com a diretora de Avaliação, Monitoramento e Gestão da Informação da Secretaria de Gestão do Sistema Nacional de Promoção da Igualdade (DAMGI/Senapir/MIR), Tatiana Dias, e a diretora da FE, Liliane Machado. “O nosso propósito é sempre estarmos unidos e unidas, avançando na luta antirracista e na luta por uma gestão pública antirracista”, disse a representante do Ministério da Igualdade Racial (MIR), que é doutora em Administração pela UnB.

 

A professora Liliane Machado ressaltou as parcerias estabelecidas pela FE no enfrentamento ao racismo. “As grandes transformações sociais exigem políticas públicas fundamentadas em conhecimento científico, construído em diálogo permanente com o sujeito e os territórios onde as desigualdades se manifestam”, disse ela, que defendeu o aprofundamento do diálogo com escolas, movimentos sociais, gestores públicos e povos tradicionais.

 

PORTUGAL E CABO VERDE – O seminário seguiu com mesa em que se compartilharam estudos, avaliações e vivências de professores e pesquisadores negros de Portugal e de Cabo Verde. Autora do livro Tribuna Negra, que faz resgate histórico do movimento negro português, Cristina Roldão discorreu sobre as especificidades do combate ao racismo no país ibérico.

 

Entre outras questões, apontou a escassez de estatísticas raciais na Europa e mencionou que mesmo os negros nascidos em Portugal são percebidos como imigrantes em um país de maioria branca.

Mesa de abertura mediada por Leandro Bulhões (esq.) traz perspectivas antirracistas das pesquisas de Cristina Roldão (centro) e Redy Lima (dir.). Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB 

 

Pesquisadora no Instituto Universitário de Lisboa e professora da Escola Superior de Educação de Setúbal, a descendente de cabo-verdianos defendeu a importância da troca de experiências em bloco, mas com preservação das diversidades.

 

Professor e pesquisador do Instituto Superior de Ciências Jurídicas e Sociais de Cabo Verde, Redy Lima trouxe um apanhado de estudos no contexto do país africano. Ele separou a fala em eixos sobre o debate racial em seu país e sobre a participação dos jovens nessa seara. Os diálogos tiveram a mediação de Leandro Bulhões, doutor em História pela UnB e professor da Universidade Federal do Ceará.

 

PROGRAMAÇÃO E APOIO – A ampla programação do seminário internacional e do congresso segue até sexta-feira (31), no campus Darcy Ribeiro. Painéis, mesas, minicursos, oficinas, apresentações culturais e lançamentos de livros estão entre as atividades.

 

O Copene abriga, ainda, o II Seminário Nacional Redes Antirracistas MIR-UnB, que abrange temas como racismo religioso, assistência jurídica a vítimas de racismo e pesquisas produzidas por cientistas negros. A primeira edição desse seminário também foi sediada na UnB, em 2025.

 

Os ministrantes e participantes dos eventos representam universidades, institutos, centros de pesquisa e outras organizações das cinco regiões do país, da África e da Europa. O evento tem apoio dos ministérios da Igualdade Racial (MIR) e da Educação (MEC), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF).

 

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