A Universidade de Brasília e a Fundação Cardano, instituição suíça sem fins lucrativos e referência em tecnologia, assinaram um Memorando de Entendimento Acadêmico, Científico e Cultural para colaboração em pesquisa e educação em blockchain, estrutura de banco de dados para registro de transações ou de informações digitais.
A parceria terá duração de três anos e envolve as áreas de blockchain Cardano – tecnologia que oferece serviços e aplicativos de finanças descentralizados –, ecossistemas e blockchains públicas, ativos digitais e Web 3.0, o que inclui, por exemplo, criptomoeda, metaverso, gamefi (ou finanças de jogos), fan tokens – criptoativos utilizados para aproximar fãs de torcedores ou artistas – e NFTs – sigla no inglês para tokens não fungíveis, que são ativos digitais armazenados na blockchain.
Gladston Luiz da Silva, à frente da Secretaria de Assuntos Internacionais (INT/UnB), explica que o memorando de entendimento entre a UnB e a Fundação Cardano fortalece a atuação da UnB em uma área estratégica da transformação digital. “A parceria amplia oportunidades de pesquisa, formação de pesquisadores e cooperação internacional em tecnologias emergentes.”
Já a docente do Departamento de Engenharia Elétrica (ENE/FT/UnB) e coordenadora do Núcleo de Pesquisa em Blockchain e Tecnologias Afins da Universidade (UnBChain), Cláudia Abbas, avalia a cooperação como positiva para projetar a UnB no campo das tecnologias digitais. “A cooperação com a Fundação Cardano coloca a UnB em um seleto grupo de instituições acadêmicas que colaboram com grandes empresas que fomentam a tecnologia de registros distribuídos (DLT), como a blockchain, aumentando a visibilidade internacional da Universidade e permitindo a criação de laboratórios de ponta e atração de financiamento externo através de editais de fomento e parcerias público-privadas”, afirma.
A experiência servirá como modelo para outras parcerias nacionais e internacionais. Para Cláudia Abbas, a iniciativa insere a UnB na vanguarda, já que permitirá à instituição desenvolver protocolos e algoritmos em blockchain e "liderar a criação de regras e padrões técnicos que podem ser adotados globalmente".
Ela destaca ainda o olhar integrado da Universidade para as tecnologias digitais como infraestruturas de suporte para o setor público e privado. "Por estar na capital federal, a UnB funciona como um 'laboratório vivo' para o governo, sendo a principal referência técnica para órgãos como o Banco Central e alguns ministérios em temas de transformação digital", comenta.
BLOCK O QUÊ? – Cláudia Abbas explica do que se trata a blockchain. “A tecnologia blockchain funciona como um livro de registro digital compartilhado e imutável, onde as informações são guardadas em blocos interligados e protegidos por criptografia complexa. Como esses dados são copiados em milhares de computadores pelo mundo, torna-se praticamente impossível apagar ou alterar o que já foi gravado sem o consenso da maioria”, detalha.
“A principal função da blockchain é eliminar intermediários para garantir a segurança, a transparência e a confiabilidade. Por exemplo, em transações financeiras, rastreamento de produtos, identidades descentralizadas, contratos digitais e validação de documentos”, detalha a docente.
ACADEMIA, GOVERNO E SOCIEDADE – A parceria entre UnB e Fundação Cardano contribui para a capacitação no setor, por meio da formação de uma nova geração de profissionais de graduação e pós-graduação preparados para o mercado da tecnologia Web3 e de infraestrutura descentralizada. “Existe uma demanda muito grande de profissionais nesta área e a Universidade é o principal ator para criar este papel de formação especializada”, afirma Abbas.
Por meio de iniciativas como o UnBChain e parcerias internacionais, como com a Fundação Cardano e a colaboração com o Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), o esperado é obter resultados positivos que alcancem a população.
De acordo com Gladston Luiz, as pesquisas em blockchain podem gerar benefícios acadêmicos e sociais, com aplicações em segurança digital, certificação de documentos, transparência de dados e modernização de serviços públicos. “Além disso, a iniciativa posiciona a UnB de forma mais integrada aos debates globais sobre inovação, governança digital e desenvolvimento tecnológico, reforçando o compromisso da Universidade com a produção de conhecimento de impacto para a sociedade.”
Cláudia Abbas exemplifica como a tecnologia pode impactar o dia a dia das pessoas: “o desenvolvimento de soluções pelo UnBChain para rastreabilidade e governança digital, como sistemas de contagem de passageiros no transporte público, gestão de resíduos plásticos e gestão e rastreamento de bens públicos, nos quais tecnologias de blockchain, IoT (Internet das Coisas) e inteligência artificial (IA) são integradas, contribuem com a infraestrutura de cidades inteligentes e de políticas públicas rastreáveis e transparentes”.
O FUTURO É AGORA – Desde o 1º semestre de 2025, a UnB oferece uma disciplina na área da tecnologia blockchain no Departamento de Engenharia Elétrica. Agora, no 1º semestre de 2026, a disciplina se dá em cooperação direta com a Fundação Cardano, e os alunos poderão obter a Certificação Cardano, que valida o conhecimento sobre os fundamentos de blockchain e, nas palavras de Abbas, “é muito reconhecida no mercado de trabalho”. “Essa iniciativa fortalece a ponte entre a academia e o setor global de tecnologia, preparando os alunos para os desafios reais da infraestrutura descentralizada”, avalia a docente.
O planejamento para o 2º semestre prevê a oferta de uma disciplina dedicada no Programa de Pós-Graduação Profissional em Engenharia Elétrica (PPEE/FT/UnB), “consolidando a formação de alto nível de profissionais em Brasília e a especialização técnica necessária para liderar projetos de blockchain no Brasil, principalmente no governo”, afirma.
Ela situa que o foco da Universidade nos próximos cinco anos será formar líderes técnicos para o mercado e para o Estado. "A expectativa também é a criação de trajetórias formativas em que alunos, por exemplo, de Economia, Direito e Gestão Pública possam cursar módulos práticos de blockchain, focando em governança e contratos inteligentes", alega a coordenadora do UnBChain.
