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Graduandas venceram etapa continental da International Collegiate Programming ContestUniversidade também classificou dois times masculinos

Foto: Banco de Imagens ICPC Latin America Championship,
Adrielly Medeiros, Isabela Souza e Yasmim Freitas são as campeãs latino-americanas de programação competitiva universitária. Foto: Arquivo/ICPC Latin America Championship

 

A Universidade de Brasília conquistou o primeiro lugar no pódio feminino da competição Programadores da América, final latino-americana da maior disputa universitária de programação do mundo, o International Collegiate Programming Contest (ICPC). O evento aconteceu entre 4 e 8 de março, no Chile, e reuniu 44 equipes de 18 países. 

 

Grafo de Botas é nome da equipe composta por Adrielly Medeiros, Isabela Souza e Iasmim Freitas, vencedoras da etapa continental na categoria feminina. Por regra, as equipes são formadas por três estudantes, que se classificam para o torneio latino-americano a partir de campeonatos nacionais, como a Maratona de Programação da Sociedade Brasileira de Computação (Maratona SBC). 

 

O Brasil também manteve a liderança no pódio geral da competição: o primeiro lugar foi da equipe Ooga Booga, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Mais cinco equipes brasileiras se destacaram entre as melhores do torneio – duas delas são da UnB: É só fazer, com o 5º lugar na América Latina e 2º melhor time do país, e Los Tralalelitos dizem FLAMENGOOO, com 6º lugar na América Latina e 3º melhor do país.  

 

A final mundial acontecerá de 15 a 20 de novembro, em Dubai, nos Emirados Árabes. Apesar do excelente desempenho da equipe feminina da UnB, apenas o time masculino É só fazer participará do mundial, pois o ICPC leva em conta a classificação geral, sem recorte por gênero. Além disso, na final mundial, cada país pode enviar apenas um time por universidade, entre os que se classificaram na etapa continental. 

 

“A área de computação e programação é um nicho quase exclusivamente masculino. Nos orgulha o protagonismo da UnB em ter o melhor time feminino da América Latina. E não é a primeira vez que conquistamos esse lugar, resultado que aponta para um histórico de puro desempenho e treinamento das nossas estudantes”, celebra Daniel Porto, docente do Departamento de Ciência da Computação (CIC) e um dos técnicos das equipes de programação competitiva da UnB. 

Estudantes fizeram a bandeira da UnB se destacar na competição latino-americana. Foto: Arquivo/ICPC Latin America Championship

 

CONHECIMENTO E INCENTIVO – Aprendizado é a palavra que se repete nos depoimentos das meninas do Grafo de Botas. “Tem sido muito legal participar da equipe de programação competitiva, tanto pela experiência de aprender muito conteúdo quanto por conhecer outros colegas de curso e tantas outras pessoas e lugares durante as competições”, relata Isabela Souza, discente em Ciência da Computação. 

 

Iasmim Freitas iniciou sua jornada universitária no curso de Química, até fazer um curso on-line sobre Ambiente de Programação e se apaixonar pela área, o que resultou em sua mudança para o curso de Ciência da Computação. 

 

“Eu não sabia que existia competição de programação, descobri em uma das matérias do curso e fui muito acolhida pelas pessoas do UnBaloon, que é um grupo de programação competitiva que temos dentro do curso. Eles que me incentivaram a competir”, conta. 

 

Para a estudante, “a experiência foi bem imersiva, em um ambiente onde todo mundo é muito apaixonado por programação” e também foi “curioso ver apenas nove mulheres entre o total de 132 participantes”.  

 

Já Adrielly Medeiros é graduanda em Estatística e chegou à programação competitiva em busca de aprofundar conhecimentos que não obteve nas disciplinas obrigatórias do seu curso. “Eu entrei em Estatística pensando em trabalhar com ciência de dados, e percebi que não iria aprender tanta computação quanto gostaria. Então, na disciplina de Programação Competitiva, conheci o grupo UnBallon e eles me falaram sobre os treinamentos e as competições, e me incentivaram muito a participar.” 

 

Coordenadora do projeto Meninas.comp, a docente do CIC Maristela Holanda atua para criar um ambiente mais acolhedor para mulheres na graduação. “A área de computação é muito masculina, tendo em média só 10% de mulheres, e no ambiente de programação competitiva, basicamente tínhamos só homens, até que, em 2024, a SBC criou um sistema de cotas para times totalmente femininos”, detalha. 

 

Ela enfatiza que “algo muito legal é que, na UnB, já criamos uma cultura forte de colaboração entre meninos e meninas à frente de competição. Não existe exclusão por nenhuma das partes dos grupos, eles se apoiam”. 

 

A docente menciona que, apesar dos esforços de diferentes esferas e políticas educacionais, “infelizmente não se vê uma curva de crescimento da presença feminina na área de computação, mas o que tentamos fazer é acolher essas meninas que entram no curso, para que realmente se sintam pertencentes a esse espaço. Acreditamos que a representatividade é muito importante”. 

O docente Daniel Porto ministra a disciplina Programação Competitiva, ofertada a diferentes graduações da UnB. Foto: Raquel Aviani/Secom UnB

 

O docente Daniel Porto acompanhou as equipes da UnB no Chile e destaca que as habilidades desenvolvidas nesses campeonatos envolvem “o que existe de mais difícil e talentoso na área de programação”, sendo o perfil que as grandes empresas de tecnologia buscam, ou seja, profissionais que “conseguem resolver problemas difíceis, com soluções otimizadas, num tempo e custo razoável”. 

 

Ele acrescenta: “quem nunca estudou as coisas que esses meninos estudam não passa nem na primeira fase de uma entrevista dessas grandes empresas. Estamos formando um celeiro de meninos e meninas de excelência em programação e os projetando para o mundo, porque eles conseguem fazer coisas incríveis, abrindo portas para novos negócios”.  

 

 

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