VIVÊNCIA

Leonardo Meirelles, das Ciências Biológicas, é primeiro e único a atravessar o país sem uso de transporte a motor, de Norte a Sul e de Leste a Oeste

Estudante de Ciências Biológicas, Leonardo Meirelles exibe camisa com marcos conquistados ao atravessar o Brasil somente andando, pedalando e remando. Foto: Luis Gustavo Prado/Secom UnB

 

Estudante do curso Ciências Biológicas, Leonardo Meirelles ganhou notabilidade ao se tornar o primeiro e único homem a atravessar o Brasil à força humana, sem carro, avião ou outro transporte motorizado. Ele fez isso na vertical e na horizontal, desbravando o país de Norte a Sul e de Leste a Oeste.

 

O feito foi reconhecido oficialmente pelo RankBrasil em 2016 e 2017. O explorador brasiliense também já fez a volta e atravessou o Distrito Federal à força humana. Todos os feitos foram registrados em seu projeto pessoal Descobrindo o Brasil e o Mundo. A expedições vão além de uma aventura e tornaram-se uma experiência de educação ambiental, autoconhecimento e ciência cidadã, sendo exemplo para muitos exploradores e pesquisadores da natureza.

 

Tanto é assim que a experiência com as travessias incentivaram o administrador de imóveis, graduado em administração e direito, a iniciar o curso de Ciências Biológicas na UnB. O ingresso se materializou pelo Vestibular 60mais, em 2025. “Sempre gostei da natureza, de viajar e de conhecer. O curso une um pouco de todas as minhas paixões”, considera Leonardo, que irá iniciar o segundo semestre em março. 

Ao lado do caiaque, a bicicleta foi um dos transportes utilizados por Leonardo para atravessar o país. Foto: Arquivo pessoal

 

Ele conta que já conhecia os quatro pontos extremos antes de iniciar a empreitada de cruzar o país. Ao longo dos percursos, Leonardo revela ter adquirido aprendizados sobre biodiversidade, cultura, geografia e sustentabilidade, práticas que julga fundamentais para a formação. 

 

"O homem só conhece bem o seu país quando anda por ele e conversa com o seu povo”, afirma. “Isso me incentivou, tanto o desafio pessoal como o fato de que queria que um brasileiro alcançasse esse feito e não um estrangeiro”, conta o estudante.

 

EXPEDIÇÕES – A primeira exploração teve início em 25 de abril de 2014, no Monte Caburaí, em Roraima, no chamado Marco B/BG 11A, regulamentado pelo Ministério das Relações Exteriores como ponto extremo Norte do país. A jornada terminou em 11 de setembro no Arroio Chuí, localizado em Santa Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, ponto extremo Sul reconhecido oficialmente pelo município.

 

Ao todo, Leonardo percorreu 6.181 km, atravessou oito estados e 129 municípios, utilizando apenas caminhada, bicicleta e caiaque. Foram 140 dias, 470 horas e 31 minutos de esforço físico, em alguns trechos abrindo trilha em mata fechada com facão. Durante a travessia, passou por 131 pontes de madeira,  dez aldeias indígenas, contraiu 11 gripes e três sinusites, além de perder 12 quilos.

 

A segunda travessia iniciou-se em 2 de julho de 2016, no ponto extremo ocidental do Brasil, próximo do Marco 76, localizado nas proximidades das nascentes do Rio Môa, curso de água que banha o estado do Acre. E chegou ao fim em 17 de outubro de 2016, no ponto extremo oriental, a Ponta do Seixas, em João Pessoa, na Paraíba.

 

Novamente, sem usar qualquer veículo motor, Leonardo percorreu 5.815 km, em 107 dias, totalizando 451 horas e cinco minutos de esforço físico. O trajeto foi realizado por 5.561 km de bicicleta, 231 km de caiaque e 23 km caminhando. Ao todo, o percurso passou por 115 municípios de dez estados brasileiros.

 

DESAFIOS – Em ambas as jornadas Leonardo passou por matas, comunidades, vilas e distritos em diferentes municípios. Ele conta que enfrentou condições climáticas extremas e conheceu todos os biomas brasileiros: Amazônia, Cerrado, Pantanal, Pampas, Caatinga e Mata Atlântica. Para Leonardo, as expedições revelaram um Brasil pouco conhecido por boa parte da população.

 

“A primeira coisa importante é que todo mundo pensa que o ponto extremo Norte está no Oiapoque, no Amapá, mas fica no Monte Caburaí em Roraima. Enquanto o extremo Sul não está no Chuí, mas em Santa Vitória do Palmar, ambos no Rio Grande do Sul”, comenta.

Após uma longa jornada, o explorador finalizou a primeira missão em Vitória do Palmar, no Rio Grande do Sul, no ponto extremo Sul. Foto: Arquivo pessoal

 

Ele relembra a experiência e conta que conta que acampou na floresta, em rodovias e estradas, mas também hospedou-se em casas cedidas por moradores locais e em pousadas. “Eu sempre reiniciava o percurso exatamente de onde parei, para garantir que percorri cada centímetro dos dois trajetos”, explica o explorador. 

 

Ao longo do percurso ele foi acompanhado por um carro de apoio, para eventuais contratempos, como o encontro cara a cara com uma onça, que se assustou e fugiu. Ele conta histórias de contato com povos indígenas, que o acompanharam durante a procura pela demarcação exata do ponto extremo Norte e também as dificuldades de remar nas correntezas do encontro dos rios Negro e Solimões.

 

“Vi muitos animais mortos nas estradas e presenciei o desmatamento acelerado do Cerrado, que para mim é um dos biomas mais belos e negligenciados do país”, diz Leonardo. Ele afirma que o contato com a academia e a pesquisa o incentivam a continuar sua exploração e diz que vê na Universidade uma oportunidade de unir teoria e prática.

 

“Eu já tenho muitas experiências e uma boa bagagem na área. Talvez a UnB possa me permitir fazer novas explorações, como pesquisador e com uma equipe. O Brasil tem muitos lugares a serem descobertos”, compartilha. Ele tem nova viagem marcada para este ano. “Vou conhecer o último dos 75 parques nacionais que ainda não visitei, o Parque Nacional de Acari, no Amazonas", revela.

 

O explorador conta que todo o percurso foi documentado de forma rigorosa por meio de registros georreferenciados, fotografias, vídeos e anotações de campo. O material conta com mais de 60 mil fotos e 60 horas de vídeos, com o registro fotográfico a cada minuto e por vídeo a cada 10 km, além de conter as distância, mapas de GPS, datas, diários. Tudo isso permitiu a verificação do trajeto percorrido e do tempo efetivo em força humana, servindo de base para a validação do feito pelo RankBrasil.

 

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