INTERNACIONALIZAÇÃO

Debate integrou programação da pós-graduação e discutiu aprendizados obtidos por representantes de diversos setores durante a COP 30

Adriana Ramos, Thiago Gehre, Yara Martinelli, Rodrigo Führ, Mila Dezan e Daniel Iberê (em participação remota) estiveram na mesa-redonda promovida pelo Irel. Foto: Divulgação

 

O Instituto de Relações Internacionais (Irel) da Universidade de Brasília promoveu, no dia 2 de dezembro, a mesa-redonda Amazônia e Desenvolvimento Global. O encontro ofereceu um espaço de diálogo qualificado para fortalecer análises, ampliar perspectivas e conectar aprendizados a partir dos avanços, impasses e oportunidades identificados na COP 30, realizada em Belém. A atividade integrou a programação da disciplina Políticas Planetárias e Antropoceno, da pós-graduação do Irel, coordenada pelo professor Thiago Gehre Galvão.

 

A abertura foi conduzida pelo diretor do Irel, professor Antônio Jorge Ramalho, que destacou o papel da Universidade em promover espaços de reflexão qualificada sobre a agenda das mudanças climáticas nos cenários nacional e internacional.

 

Rodrigo Führ, da equipe de mudanças climáticas e meio ambiente urbano do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (UN-Habitat), apresentou um panorama das Conferências das Partes (COPs) no contexto dos tratados da ONU, com ênfase nas COPs do Clima. O pesquisador ressaltou que o Brasil tem obtido êxito ao inserir na pauta temas ligados à vulnerabilidade urbana, como moradia precária e trabalho informal.

 

Yara Martinelli, assessora da Associação Brasileira de Municípios, destacou a inovação do processo brasileiro de participação social na COP 30, que permitiu aprofundar os temas em debate e incentivar novas parcerias. Ela enfatizou ainda a importância do arranjo de governança que vem estruturando o chamado federalismo climático, fundamental para incorporar a agenda no contexto brasileiro.

 

Mila Dezan, assessora da secretaria-geral da Presidência da República, apresentou a evolução do processo de negociação governamental, marcado pela incorporação da sociedade civil como parceira na formulação de soluções. Segundo ela, a COP 30 reuniu 296 mil pessoas e promoveu cerca de 1.800 debates, com mais de mil organizações representadas na delegação brasileira – entre elas, 360 indígenas. Dezan compartilhou que os pavilhões acolheram discussões com atores nacionais e internacionais, e a Cúpula dos Povos reuniu mais de 10 mil participantes na Marcha nas Ruas.

 

A secretária-executiva do Instituto Socioambiental (ISA) e integrante da coordenação do Observatório do Clima, Adriana Ramos, detalhou a atuação da entidade na conferência. Uma das iniciativas foi a criação de um “passaporte” com mapa de Belém que indicava 20 casas de debate da sociedade civil, incentivando a participação da população local. Adriana elogiou a postura proativa do Brasil ao propor mecanismos de financiamento e ao pautar o Mapa do Caminho, mas alertou que os novos instrumentos, como o TFFF, têm horizonte de longo prazo, enquanto os recursos imediatos ainda dependem majoritariamente da filantropia privada. Também lamentou a falta de reconhecimento pleno dos povos insulares e dos saberes tradicionais. “A diversidade de povos do Brasil demonstra grande potencial e repertório para enfrentar as mudanças climáticas”, afirmou.

 

O conselheiro estadual de Cultura pelo ConCultura, Daniel Iberê, destacou o significado histórico e político da forte presença indígena na COP 30. Ele celebrou o fato de que povos originários tenham participado e sido ouvidos – inclusive na zona azul, espaço oficial de negociações. Iberê enfatizou que saberes e lideranças indígenas vêm ganhando reconhecimento como fundamentais para a construção de futuros possíveis. Também sublinhou o significado político de realizar a conferência na Amazônia, região que gera riqueza para o país, mas ainda enfrenta processos de invisibilização. Sua fala, marcada por reflexões profundas e pela combinação de suavidade e firmeza, produziu forte impacto entre os participantes.

 

*com informações de Tiago Gehre, do Irel.

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