Nota Técnica 03/2026 | Sarampo


Diretoria de Atenção à Saúde da Comunidade Universitária 00:00 - 00:00:00 11/05/2026 - 05/06/2026

Nota Técnica nº 03/2026/DAC/DASU/COAVS

 

De acordo com os dados mensais de vigilância do sarampo, publicados pela Organização Mundial da Saúde (OMS, 2026) em apenas 2 meses de 2026, as Américas já registraram 7.145 infecções confirmadas, número que representa quase metade dos 14.891 casos contabilizados em todo o ano de 2025. Em 4 de fevereiro de 2026, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) emitiu alerta epidemiológico sobre o sarampo na região das Américas, fazendo um chamado aos países para intensificar as atividades de vigilância epidemiológica, vacinação e resposta rápida diante de surtos, a fim de interromper a transmissão e proteger as populações vulneráveis. Neste chamado, a OPAS informa sobre o aumento acentuado dos casos de sarampo na região das Américas durante 2025 e no início de 2026, o que requer uma ação imediata e coordenada por parte dos Estados Membros (OPAS, 2026).

 

O Brasil já eliminou a circulação do vírus do sarampo, mas ainda registra casos esporádicos, principalmente relacionados à importação do vírus de outros países. Em 2025, foram confirmados 38 casos no Brasil, distribuídos em diferentes estados. Parte dos casos esteve associada a viagens internacionais, e outros ocorreram em pessoas sem vacinação ou com esquema vacinal incompleto. Em 2026, até a semana epidemiológica 14, foram confirmados dois casos sendo 1 no estado de São Paulo, associado a viagem internacional e ausência de vacinação e 1 no Rio de Janeiro, com fonte de infecção desconhecida e ausência de registro de vacinação. No entanto, o aumento de casos nos países-sede da Copa de 2026 (EUA, México, Canadá) e surtos em países vizinhos (Bolívia) colocam o Brasil sob risco de reintrodução do vírus. Por isso, o Ministério da Saúde mantém o alerta máximo contra a doença.

 

O sarampo é uma doença viral, infecciosa aguda, potencialmente grave, transmissível e extremamente contagiosa. É transmitida de forma direta, por meio de secreções nasofaríngeas expelidas ao tossir, espirrar, falar ou respirar, por isso apresenta elevada contagiosidade. Pela alta contagiosidade, até nove em cada dez pessoas suscetíveis com contato próximo a uma pessoa com sarampo desenvolverão a doença (BRASIL, 2024). Apresenta período de incubação que pode variar entre 7 e 21 dias, desde a data da exposição até o aparecimento do exantema, e período de transmissibilidade que se inicia seis dias antes do exantema e dura até quatro dias após seu aparecimento. O período de maior transmissibilidade ocorre quatro dias antes e quatro dias após o início do exantema (BRASIL, 2024).

 

SINAIS E SINTOMAS

Os principais sintomas do sarampo são manchas vermelhas no corpo e febre alta (acima de 38,5°C), que podem ser acompanhados de tosse seca, irritação nos olhos, nariz escorrendo ou entupido e mal-estar intenso. O vírus é transmitido facilmente por gotículas ao tossir, espirrar ou falar.

 

As manchas vermelhas costumam aparecer três a cinco dias após a infecção, a princípio no rosto e atrás das orelhas, e depois se espalham pelo corpo. Um sinal de alerta que pode indicar gravidade é quando a febre persiste por mais de três dias após o aparecimento das manchas.

 

O sarampo é uma doença grave que pode deixar sequelas por toda a vida ou causar a morte. As principais complicações variam de acordo com as fases da vida do paciente, como:

 

  • Crianças: pneumonia; infecções de ouvido; encefalite aguda (inflamação no encéfalo – parte do sistema nervoso dentro do crânio); morte.
  • Adultos: pneumonia.
  • Gestantes: parto prematuro; bebê com baixo peso.

 

TRATAMENTO

Como não existe um remédio específico para combater o sarampo, o tratamento é feito com base na melhora dos sintomas e na prevenção de complicações. As recomendações da OMS envolvem a suplementação com vitamina A, bem como manter-se bem hidratado e com uma alimentação saudável.

 

PREVENÇÃO

A vacinação é a principal forma de prevenção e essencial para evitar surtos da doença. A vacina é gratuita e está disponível nos postos de saúde do SUS. Todas as pessoas entre 12 meses e 59 anos de idade têm indicação para serem imunizados contra o sarampo, a depender da situação vacinal encontrada. Os tipos de vacinas são:

 

Dupla viral - Protege do vírus do sarampo e da rubéola. Pode ser utilizada para o bloqueio vacinal em situação de surto;

Tríplice viral - Protege do vírus do sarampo, caxumba e rubéola;

Tetra viral - Protege do vírus do sarampo, caxumba, rubéola e varicela (catapora).

 

A orientação é que viajantes se imunizem com a tríplice viral com antecedência de 15 dias do embarque.

 

VIGILÂNCIA EM SAÚDE

É função da Vigilância Epidemiológica monitorar surtos da doença. Após a notificação de um caso de sarampo, deve ser mapeado o território onde residem os infectados para que profissionais de saúde realizem a varredura para impedir a transmissão na vizinhança. Durante esse processo de varredura, a vigilância fornece orientações sobre a doença a todos os investigados.

 

Na UnB, a principal estratégia adotada para comunicação e vigilância dos casos será o e-mail do Núcleo Vigilância em Saúde - nvsaude@unb.br, onde toda a comunidade universitária, assim como os dirigentes dos órgãos da Universidade, poderá relatar casos suspeitos e/ou confirmados de infecção por sarampo. A partir de então, a equipe da CoAVS iniciará o monitoramento e seguimento dos casos.

 

A comunidade universitária também poderá buscar orientação ou esclarecimentos em um dos Núcleos de Atenção e Vigilância à Saúde (NAVS), localizados no ICC Sul do Campus Darcy Ribeiro, na Faculdade do Gama (FGA). A Faculdade de Ceilândia (FCE) e a Faculdade de Planaltina (FUP) deverão comunicar-se através do e-mail nvsaude@unb.br, já que não contamos com equipe naqueles campi.

 

Enquanto missão, a CoAVS possui o papel de articular o fluxo de comunicação diária dos casos suspeitos de sarampo na Universidade de Brasília e colaborar com o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (CIEVS/SES/DF).

 

REFERÊNCIAS

BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: volume 1 – 6. ed. – Brasília, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/vigilancia/guia-devigilancia-em-saude-volume-1-6a-edicao/view [Acesso em 28 mar 2025]

BRASIL. Ministério da Saúde. Saúde de A a Z. Sarampo. Situação Epidemiológica. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/sarampo/situacao-epidemiologica [Acesso em 11 mai 2026]

BRASIL. Ministério da Saúde. Sarampo: sintomas, prevenção, causas, complicações e tratamento. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/sarampo-sintomas-prevencao-causas-complicacoes-e-tratamento/#:~:text=As%20complica%C3%A7%C3%B5es%20bacterianas%20do%20sarampo,pa%C3%ADs%2C%20sendo%20gratuitas%20e%20seguras [Acesso em 28 mar 2025]

OMS. Os casos de sarampo diminuíram na Europa e na Ásia Central em 2025 em comparação com o ano anterior, mas o risco de surtos permanece – UNICEF e OMS.11 de Fev de 2026. 2026. Disponível em: https://www.who.int/europe/news/item/11-02-2026-measles-casesdropped-in-europe-and-central-asia-in-2025-compared-to-the-previous-year--but-the-risk-ofoutbreaks-remains---unicef-and-who [Acesso em 08 mai 2026]

OPAS. Alerta Epidemiológico Sarampo na Região das Américas - 3 de fevereiro de 2026. 2026. Disponível em https://www.paho.org/pt/documentos/alerta-epidemiologico-sarampo-na-regiaodas-americas-3-fevereiro-2026 [Acesso em 08 mai 2026]

OPAS. Níveis mundiais de imunização estagnaram em 2023, deixando muitas crianças desprotegidas. 2024. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/15-7-2024-niveis-mundiais-imunizacao-estagnaram-em-2023-deixando-muitas-criancas#:~:text=A%20baixa%20cobertura%20vacinal%20est%C3%A1%20causando%20surtos%20de%20sarampo,-Os%20dados%20mostram&text=Em%202023%2C%20apenas%2083%25%20das,risco%20o%20mais%20r%C3%A1pido%20poss%C3%ADvel%22 [Acesso em 28 mar 2025]

UNICEF. Brasil avança na imunização infantil e sai da lista dos países com mais crianças não vacinadas no mundo, revelam UNICEF e OMS. Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/brasil-avanca-na-imunizacao-infantil-e-sai-da-lista-dos-paises-com-mais [Acesso em 28 mar 2025]