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Nota Técnica 02/2025 | Intoxicação Exógena por Metanol
Nota Técnica nº 02/2025/DAC/DASU/COAVS
O metanol é um solvente altamente tóxico, utilizado em produtos industriais. Não se destina ao consumo humano — e é altamente tóxico. Essa intoxicação pode ocorrer por ingestão, inalação ou absorção cutânea. Pode surgir em bebidas alcoólicas por erro no processo de produção ou por adulteração proposital. A substância não é capaz de alterar aroma e nem sabor das bebidas onde se concentra.
Os sintomas se iniciam 12–24 horas após a ingestão (pode ser maior se ingerido concomitantemente com etanol). Pacientes com história de ingestão de bebidas alcoólicas que apresentem sintomas compatíveis com embriaguez acompanhados de náuseas, vômitos, dor abdominal, cefaleia, confusão, manifestações visuais (incluindo visão turva, borrada, fotofobia ou alterações na acuidade visual), devem ser investigados.
Esta situação é classificada como um Evento de Saúde Pública (ESP), e os casos são de notificação imediata ao município, ao estado e ao Ministério da Saúde. É necessário ampliar a sensibilidade do sistema de vigilância e atenção à saúde em todo o território nacional para detecção precoce e tratamento adequado dos casos.
Dados deste domingo (05/10/2025) do Ministério da Saúde apontam 225 casos de intoxicação por metanol após ingestão de bebida alcoólica, entre investigados e confirmados. Em todo o país, são 16 casos confirmados e 209 em investigação. Do total de registros, 192 são em São Paulo (14 confirmados e 178 em investigação). Ao todo, são 13 estados com casos notificados - Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pernambuco, Paraná, Rondônia, São Paulo, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará.
O metanol e o etanol têm fórmulas químicas semelhantes, mas efeitos distintos no organismo após serem metabolizados: o acetaldeído do etanol está relacionado à ressaca que você sente, enquanto o formaldeído do metanol provoca outros efeitos, bem mais tóxicos. Isso acontece porque o organismo não consegue escolher qual das duas moléculas vai metabolizar. O grande problema da intoxicação por metanol acontece quando essa substância é metabolizada no fígado e vira ácido fórmico, que é o composto verdadeiramente nocivo ao corpo.
O objetivo do tratamento é impedir essa metabolização, diluindo a concentração de metanol. Existem dois antídotos usados para a cura: etanol farmacêutico e fomepizol. No Brasil, apenas o etanol farmacêutico — em grau de pureza adequado para uso médico — está disponível. Nesse momento, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) busca, através de edital, empresas estrangeiras, fabricantes e distribuidoras do medicamento para aquisição. O antídoto é administrado no paciente de forma intravenosa ou oral, e sempre controlada por profissionais, em ambientes de saúde.
Os centros de saúde e hospitais trabalham com os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que são especializados para lidar com esse tipo de caso. O Brasil conta com 32 CIATox, centros de referência especializada em toxicologia para orientação, diagnóstico e manejo de intoxicações. A comunidade universitária também poderá buscar orientação ou esclarecimentos em um dos Núcleos de Atenção e Vigilância à Saúde (NAVS), localizados no ICC Sul do Campus Darcy Ribeiro, na Faculdade do Gama (FGA) e na Faculdade de Planaltina (FUP). A Faculdade de Ceilândia (FCE) deverá comunicar-se através do e-mail nvsaude@unb.br, já que não conta com equipe naquele campus.
Enquanto missão, a CoAVS possui o papel de articular o fluxo de comunicação diária dos casos suspeitos na Universidade de Brasília e colaborar com o Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Secretaria de Saúde do Distrito Federal (CIEVS/SES/DF).
Profa. Carla Pintas Marques
Coordenação de Atenção e Vigilância em Saúde
Diretoria de Atenção à Saúde da Comunidade Universitária
