Grace Ghesti
O dia 7 de agosto marca o Dia Mundial da Cerveja, uma data que costuma reunir amigos ao redor da mesa, brindando à diversidade de estilos, aromas e sabores da bebida mais popular do Brasil. Mas, por trás do copo gelado e do colarinho perfeito, existe uma revolução silenciosa acontecendo dentro do laboratório: a ciência cervejeira feita bem no coração do Planalto Central, por meio do Laboratório de Bioprocessos, Materiais e Combustíveis (LMCerva) do Instituto de Química, provou que o Cerrado não apenas produz cerveja de qualidade internacional, mas também está na vanguarda do conhecimento técnico e inovação no setor.
Sob a coordenação da Profa. Dra. Grace Ferreira Ghesti, o LMCerva aproxima a bancada científica do mercado produtivo, formando talentos na graduação, mestrado e doutorado. Em 2013, atenta ao crescimento exponencial do mercado artesanal e à carência de capacitação técnica dos mestres-cervejeiros no DF e entorno, a UnB tornou-se a primeira universidade do país a ofertar a disciplina Fundamentos de Produção de Cerveja na grade acadêmica.
Essa ponte entre o conhecimento acadêmico e a prática gerou frutos para a bioeconomia e para a identidade gastronômica da nossa região:
1. Inovação patenteada na malteação
Tudo começa nos grãos. O LMCerva desenvolveu e patenteou junto ao INPI um reator de leito fluidizado específico para a malteação de cevada. Essa tecnologia otimiza o processo de germinação e secagem dos grãos, garantindo eficiência e padronização na produção do malte, insumo essencial para qualquer receita.
2. Cevada e Lúpulo com o terroir do Cerrado
O Cerrado brasileiro se revelou um terreno fértil para ingredientes antes considerados inviáveis por aqui:
- Cevada: Em parceria com produtores e pesquisadores da EMBRAPA, o laboratório acompanhou e desenvolveu tecnologia para novas cultivares de cevada adaptadas ao nosso solo e clima, trabalho documentado em duas publicações científicas e um livro de referência.
- Lúpulo: O "diferencial" da cerveja ganhou alma candanga. A caracterização das cultivares de lúpulo plantadas no DF revelou dados inéditos na literatura mundial: enquanto tradicionais produtores como Alemanha e República Tcheca colhem o lúpulo apenas uma vez ao ano, a luminosidade e o clima da nossa região permitem três florações anuais. Essa especificidade confere às cervejas um terroir único e incomparável.
3. Do pólen de abelha às prateleiras dos mercados
A pesquisa também gera frutos comerciais diretos para a sociedade. A utilização de pólen de abelha na fermentação de uma cerveja do estilo Catharina Sour deu origem a um artigo científico e a um contrato de licenciamento tecnológico com a cervejaria local Bracitorium.
O resultado? Uma cerveja inovadora, intitulada Turma da Colina, comercializada no mercado e que gera royalties: uma porcentagem de suas vendas retorna diretamente para a UnB, reinvestindo no financiamento de novas pesquisas científicas.
4. Da bancada para a fábrica: a primeira 100% candanga
A maturidade das pesquisas do LMCerva permitiu a criação de uma spin-off acadêmica. Da visão empreendedora do laboratório nasceu a Ghesti Brewing Co., responsável por colocar no mercado a primeira cerveja com insumos 100% cultivados e processados no Distrito Federal.
Neste 7 de agosto, ao erguer um copo para comemorar o Dia Mundial da Cerveja, vale lembrar que a bebida no seu copo carrega muito mais do que água, malte e lúpulo. Carrega o empenho de estudantes, a visão da universidade pública e a capacidade do Cerrado de ser celeiro de tecnologia e sabor. Um brinde à ciência cervejeira do DF!
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