OPINIÃO

 

Kelly Cristina Santos de Carvalho Bonan é enfermeira no Hospital Universitário de Brasília. Responsável técnica do Banco de Leite Humano.

 

 

Rayane Pires da Silva é enfermeira na área materno-infantil no Hospital Universitário de Brasília. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia, Políticas Públicas e Enfermagem do Trabalho.

Kelly Bonan e Rayane Silva

 

Amamentar é muito mais do que alimentar. É um ato de cuidado e vínculo que beneficia a criança, a mulher e toda a sociedade. No Brasil, a Lei n° 13.435/2017 instituiu o Agosto Dourado, campanha inspirada na Semana Mundial do Aleitamento Materno para fortalecer a promoção, a proteção e o apoio ao aleitamento materno. A cor dourada simboliza o padrão ouro de qualidade do leite materno. Nesse cenário, os Bancos de Leite Humano (BLH) têm papel fundamental na amamentação e no início de uma vida saudável.

 

O leite materno é o alimento mais completo para o recém-nascido. O Ministério da Saúde recomenda o aleitamento materno até os dois anos de vida ou mais, de forma exclusiva nos primeiros seis meses. Além de proteger contra infecções, reduzir o risco de doenças e favorecer o desenvolvimento infantil, a amamentação também promove benefícios para a saúde da mulher e fortalece o vínculo entre mãe e filho.

 

Mais do que coletar, processar e distribuir leite humano, o BLH do Hospital Universitário de Brasília (HUB/UnB), integrante da Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH-BR), desenvolve ações de acolhimento, orientação e educação para a promoção do aleitamento materno, sendo reconhecido como importante serviço na redução da morbimortalidade infantil e no fortalecimento da assistência materno-infantil.

 

No HUB, esse cuidado começa ainda no Centro Obstétrico. A equipe acompanha a primeira mamada, incentiva o contato pele a pele e avalia precocemente a pega, o posicionamento do bebê e dificuldades na amamentação, como dor mamilar, ingurgitamento, fissuras e insegurança materna.

 

Durante a internação, mães e acompanhantes também recebem orientações sobre livre demanda, sinais de fome do recém-nascido, manejo da lactação e prevenção das principais intercorrências. Essas ações fortalecem a autonomia das mulheres e demonstram que amamentar é um processo natural, mas que muitas vezes exige informação e apoio qualificado.

 

O cuidado, entretanto, não termina com a alta hospitalar. Nos atendimentos ambulatoriais, o BLH acompanha mães e bebês por meio de consultas especializadas, orientando sobre ordenha, armazenamento do leite humano, manejo da lactação e dificuldades iniciais. Essa assistência, pautada em evidências científicas, acolhimento e escuta qualificada, contribui para que muitas famílias mantenham o aleitamento materno com segurança e confiança, respeitando suas particularidades.

 

Outro compromisso do serviço é incentivar a doação de leite humano. Lactantes recebem orientações para coleta e armazenamento domiciliar, contribuindo para alimentar recém-nascidos prematuros e de baixo peso internados nas unidades neonatais. Cada frasco doado transforma vidas. As doadoras também recebem acompanhamento para garantir a segurança alimentar do lactente e a saúde materna.

 

Alem da assistência, o BLH do HUB promove atividades educativas, rodas de conversa, capacitações que aproximam a universidade da comunidade e fortalecem as políticas públicas voltadas à saúde materno-infantil.

 

Neste Agosto Dourado, mais do que celebrar a amamentação, é importante reconhecer o trabalho desenvolvido pelos Bancos de Leite Humano. lnserido em um hospital universitário, o BLH do HUB contribui para a formação de estudantes e profissionais de saúde, integrando assistência, ensino, pesquisa e extensão e promovendo diariamente o aleitamento materno.

 

Esse compromisso com a ciência, o SUS, a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano, a universidade pública e, sobretudo, com as famílias que encontram no BLH acolhimento, orientação e esperança também contribui para o cumprimento das diretrizes da Iniciativa Hospital Amigo da Criança e da Mulher, certificação mantida pelo HUB desde 1999.

 

Mais do que o leite doado, valorizar um Banco de Leite Humano é reconhecer que a promoção da saúde começa muito antes de qualquer tratamento. Seu maior legado é o conhecimento compartilhado, a confiança construída com as famílias e a transformação de vidas desde o início.

 

Referências

1. Diretrizes oficiais do Ministério da Saúde e do Portal de Boas Práticas do IFF/Fiocruz.

2. BRASIL. MInistério da Saúde. Amamentação. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aleitamento-materno. Acesso em: 26 jul.2026.

 

 

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