Tamiko Luiza
Na universidade, diversas vidas se conectam para formar novas ideias, projetos e transformações no mundo. Analisando a raiz desses movimentos, muito se tem em comum com a kombucha. De que forma? Uma união de seres em prol de benefícios, uma cultura que só existe por conta da participação de cada um. Para mim, o lema de 2026 da Universidade de Brasília — “Democracia Todos os Dias: Aprender, Praticar, Viver” — reflete a necessidade de resgatar essas construções coletivas que nos permitem avançar pela paz. Paralelamente, para seguirmos edificando o futuro, tivemos a 18º edição do projeto Tubo de Ensaios, um projeto experimental de arte e performance da UnB, neste ano, com a temática “Tubo do Futuro”. Essa iniciativa contempla oficinas preparatórias e mostras performáticas — na atual edição, com o objetivo de proporcionar um encontro com o futuro a partir de iniciativas inovadoras.
Para prosseguir, vamos aos termos: kombucha (pronuncia-se “kombútcha” ou “kombutchá”) é uma bebida fermentada milenar que tem ganhado crescente popularidade em todo o mundo devido aos seus potenciais benefícios à saúde. Essa bebida é produzida através da fermentação de chás adoçados, a partir de uma cultura simbiótica de leveduras e bactérias (sigla SCOBY, em inglês) semelhante a uma “panqueca”. A SCOBY é composta por leveduras, bactérias ácido-acéticas e bactérias ácido-lácticas. Esse consórcio microbiano desempenha um papel fundamental na produção de ácidos orgânicos e metabólitos bioativos, moldando as características sensoriais da bebida (Andrade et al, 2025).
Inspirada nessa potente criação da natureza, no dia 15 de maio de 2026, ministrei na Universidade de Brasília a oficina “Kombucha: bebida viva”. O projeto se iniciou com uma convocação muito especial do coordenador Magno, da equipe de Coordenação de Arte e Cultura (CoAC), a partir da qual comecei a preparar uma forma de difundir a cultura da kombucha no meio acadêmico. Tive como objetivo geral aumentar o consumo de kombucha na comunidade, e, como objetivos específicos, informar sobre as origens e os benefícios da bebida, proporcionar degustação, demonstrar a forma de preparo e entregar uma amostra de kombucha para cada participante continuar o cultivo em casa. Participaram da oficina pessoas com diferentes perfis: jovens, adultos e idosas — eu inclusa —, o que reflete a pluralidade de interesses nessa bebida. E de fato a kombucha tem aplicabilidade em todas as fases da vida. Durante o evento, apresentei o histórico da bebida, levei minha produção para ser degustada pelos participantes e demonstrei o modo de preparo do chá e das fermentações. Como continuidade da oficina, preparei um kit com uma muda (um pedaço de SCOBY, necessário para fermentar o chá), saquinhos com açúcar branco e folhas para o chá verde, uma garrafinha de kombucha pronto e pequenos vidros com capas de tecido que fiz artesanalmente. Além disso, disponibilizei para cada participante uma licença de um e-book com receitas de kombuchas de diferentes sabores. Foi muito satisfatório compartilhar os conhecimentos que adquiri ao longo de quase 12 anos como “kombucheira” para esse público diverso e interessado.
Como a democracia, a kombucha é uma construção que alimentamos diariamente, que às vezes cresce sob os nossos olhos mesmo sem a nossa percepção. É um trabalho de formiguinha — ou, nesse caso, de bactérias — feito aos poucos, mas que se torna muito grandioso. Com paciência e esforço, chega-se a um magnífico resultado. Assim como a democracia se faz a muitas mãos, a kombucha, a universidade e o futuro são constituídos coletivamente. Diante disso, “Aprender, Praticar, Viver” é o que espero para todos os participantes da minha oficina, seja na kombucha, seja na democracia, seja na UnB.
Referências
ANDRADE, D. K. A.; WANG, B.; LIMA, E. M. F.; SHEBEKO, S. K.; ERMAKOV, A. M.; KHRAMOVA, V. N.; IVANOVA, I. V.; ROCHA, R. da S.; VAZ-VELHO, M.; MUTUKUMIRA, A. N.; TODOROV, S. D. Kombucha: An Old Tradition into a New Concept of a Beneficial, Health-Promoting Beverage. Foods, Basileia, Suíça, v. 14, n.1547, ed. 9, 2025.
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