OPINIÃO

Lucas Brito é pesquisador e docente externo da UnB, vinculado ao NEDIG/CEAM, professor da disciplina Pensamento LGBT brasileiro. Doutorando em Sociologia (PPGSol/UnB). Mestre em Política Social (PPGPS/UnB). Assistente Social.

Lucas Brito

 

Neste dia 28 de junho, é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTI+. Sua origem está na contundente subversão à violência policial iniciada nas primeiras horas dessa mesma data, em 1969, no bar Stonewall Inn, em Nova York. Desde então, essa data se tornou um dia de luta e celebração, inspirando reflexão, organização e mobilização, em várias partes do mundo ainda hoje, como aqui no Brasil.

 

Não se sabe exatamente o motivo ou quem teria iniciado o movimento naquela noite. Mas o ambiente histórico compõe o cenário, já que o final dos anos 1960 foi, por um lado, um tempo de questionamentos da ordem política, econômica, cultural e sexual. Por outro, um período de regimes de opressão, repressão, desigualdades e restrição de liberdades, como no Brasil e em outros países da América Latina, que viviam sob ditaduras.

 

Quanto aos protagonistas, parte dos depoimentos indica a liderança de uma mulher lésbica e negra, a Stormé Delarverie. Independentemente de quem tenha começado e se é possível definir uma pessoa pelo início da Revolta, sabemos que foi realizada por grupos tidos como marginais.

 

Esse levante serviu de catalisador para um salto na auto-organização política e cultural da população LGBTI+ nos EUA e tornou-se referência para as manifestações que passariam a ser conhecidas como as paradas do orgulho em todo o mundo.

 

No Brasil, a auto-organização política das LGBTI+ ganha maior definição em plena Ditadura Militar, a partir do final de 1970. Embora pouco lembrado, aqui em Brasília aconteceu o primeiro “beijaço” LGBTI+, em julho de 1979, em manifestação Beijo Livre, em frente ao Bar Beirute, após homofobia cometida contra um grupo de clientes. Essa foi uma das primeiras manifestações políticas do nascente Movimento Homossexual Brasileiro[1].

 

O que temos a reivindicar hoje?

 

Quase 60 anos depois, muita coisa mudou. Contudo, apesar de conquistas importantes de direitos, ainda vemos altos índices de violência. No Brasil, a cada 34 horas uma pessoa LGBTI+ é morta simplesmente por ser quem é, sobretudo trans negras. E mesmo que tenhamos conquistado na Justiça a criminalização da homofobia e da transfobia e o direito ao casamento civil, não há qualquer lei de proteção às LGBTI+ aprovada pelo Congresso Nacional.

 

Recente pesquisa demonstra que a taxa de desemprego entre entrevistados LGBTI+ foi estimada em 15,2%, praticamente o dobro da média nacional, de 7,7%. Já a taxa de inatividade chegou a 37,4%, acima dos 33,4% registrados na população geral[2]. No DF, a comunidade LGBTI+ da cidade é majoritariamente negra (57,3%) e de renda média mensal bem abaixo da renda média mensal do Brasil[3] e do DF[4].

 

Um caminho para a superação desse estado de coisas é por meio da educação. Universidades em todo o país têm dado passos na direção da reparação histórica voltada à parcela da população LGBTI+ mais afetada pela exclusão escolar e do mercado formal de trabalho, as pessoas trans e travestis. A UnB é uma dessas que aprovou política de ação afirmativa, as chamadas cotas, para pessoas trans, um grande passo que deverá ser acompanhado de políticas de permanência estudantil e enriquecimento dos currículos, com a inclusão de conteúdos que compreendam os estudos de gênero e sexualidade, de modo transversal.

 

[1]    Nome mais comum utilizado pelo movimento nessa época.

[2]    Vem mais em: https://openknowledge.worldbank.org/entities/publication/1853b582-f144-4036-87ac-a470e963d644, junho de 2026.

[3]    Ver mais em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/media/com_mediaibge/arquivos/01a76679f450b86e5fff76c6887b0b2b.pdf,  junho de 2026

[4]    Ver mais em https://www.ipedf.df.gov.br/ipe-lanca-pesquisa-de-genero-e-orientacao-sexual-no-df/,  junho de 2026.

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