OPINIÃO

 

Ana Carolina Duque dos Santos (Aditi) é artista plástica, professora de yoga e instrutora de meditação. Criadora do projeto "Arte17" e do Programa Yoga É Simples, desenvolve oficinas de pintura espontânea, arte zen e pintura meditativa com foco no bem-estar criativo.

 

Ana Aditi

 

Dar uma oficina no Tubo de Ensaios é entrar em sala sem saber quem vai chegar. No Caminho das Cores: Pintura Zen, o convite era simples: respirar, pintar e ficar em silêncio com estranhos.

 

Eu cheguei pensando em plantar sementes de consciência criativa. Saí aprendendo sobre escuta.

 

A proposta da oficina não era "fazer a pintura mais bonita". Era usar o pincel como âncora de presença. A gente começou refletindo sobre Arte. Só depois o movimento, papel, a tinta, a cor. Pedi para não pensarem em "acertar" ou "errar". Pedi para notarem a postura, a respiração, os sentimentos.

 

O que vi me surpreendeu. Tinham alunos da UnB, servidores, pessoas da comunidade. Alguns chegaram ansiosos, com a agenda mental lotada. Em 20 minutos, a sala ficou diferente. O barulho virou outro: era o som de água no pote, de tinta sendo preparada, de gente trabalhando junto.

 

No começo, tudo era agito. Aos poucos, o silêncio foi descendo entre os participantes. Paz de espírito.

 

O que foi produzido? Telas abstratas, sim. Manchas, linhas, camadas. Mas o principal não coube no papel. Foi produzido um espaço de pausa dentro da Universidade. Um lugar onde não se cobrava resultado, só presença. Vários participantes me disseram no final: "fazia muito tempo que eu não pintava assim".

 

E o que eu levei? Primeiro, a confirmação de que a arte não precisa explicar nada para fazer sentido. Segundo, a responsabilidade de quem abre uma sala. Porque quando você convida alguém para o silêncio, você também precisa sustentá-lo.

 

Esse curso preparatório para o Tubo de Ensaios me deu isso: a chance de tirar a meditação dos centros especializados e colocar no campo da pesquisa, do encontro, da construção de conhecimento. Não foi uma aula. Foi uma troca.

 

Se a Universidade é um arquivo de memória, eu gostaria que a memória do Caminho das Cores fosse esta: por 6 horas, um grupo de desconhecidos decidiu desacelerar junto. E descobriram que ainda sabem fazer isso.

 

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