OPINIÃO

Jeremias Pereira da Silva Arraes é decano de Administração da Universidade de Brasília. Servidor da UnB desde 2010, é também doutor em Ciências Contábeis, mestre em Gestão Pública, bacharel em Ciências Contábeis e especialista em Auditoria Interna e Externa, e em Controle e Auditoria Públicos. 

Jeremias Arraes

 

No início da gestão, definimos três pilares centrais para conduzir as ações do Decanato de Administração (DAF): transparência pública, boas práticas de governança e comunicação assertiva. Os resultados planejados para o ciclo de 2025 foram entregues em um contexto institucional desafiador, mas produtivo. Ao longo do ano, esse direcionamento deixou de ser apenas uma diretriz e se transformou em método de trabalho, com entregas concretas que reforçam a capacidade de gestão da UnB e ampliam o valor público gerado pela administração universitária.

 

O primeiro destaque de 2025 foi a evolução da transversalidade entre decanatos. A combinação de perfis técnicos e docentes em espaços de decisão fortaleceu a governança universitária e ampliou a integração entre áreas administrativas (funções-meio) e áreas acadêmicas (funções-fim). Na prática, a atuação do DAF ficou ainda mais explícita como parte do ensino, da pesquisa, da extensão e da inovação: viabilizando aquisições e infraestrutura para salas de aula, apoiando importações e demandas estratégicas da pesquisa, garantindo fluxos de bolsas e auxílios e impulsionando projetos de modernização e transparência.

 

No campo da transparência, uma entrega estrutural foi a consolidação do Painel Gestão UnB, construída em cooperação entre DAF e DPO. Além do ganho tecnológico, o projeto simboliza a retomada de um eixo estratégico que, por anos, teve integração limitada: planejamento, orçamento, avaliação e execução administrativa. Em 2025, essa articulação passou a gerar resultados visíveis, reposicionando a Universidade em práticas de gestão baseadas em dados e reforçando a transparência orçamentária como elemento de governança.

 

Dentro desse movimento, o Painel Gestão UnB tornou-se uma vitrine de como transparência pode ser tratada como instrumento de gestão. A ferramenta ampliou a compreensão sobre receitas e despesas, favoreceu o controle, a qualidade do gasto público e a capacidade de tomada de decisão, com interface e recursos que simplificam o acesso às informações. A iniciativa foi noticiada como modelo de transparência pública e integrada a um esforço institucional mais amplo de fortalecimento da governança na UnB.

 

Em paralelo, 2025 também foi um ano de continuidade institucional e segurança operacional, com atenção constante a serviços essenciais e rotinas de sustentação da Universidade. Mesmo com um cenário agravado por um período de greve prolongado e, em parte dos decanatos, pela ausência de transição administrativa plenamente estruturada, foi possível manter o funcionamento regular, assegurar pagamentos e preservar a execução orçamentária em níveis compatíveis com as necessidades institucionais. A combinação de equipes qualificadas, diretrizes claras da Reitoria e gestão baseada no diálogo permitiu superar entraves e recolocar as entregas no ritmo necessário.

 

Um outro ponto de atuação dessa gestão foi o foco na comunicação. A busca pela comunicação assertiva foi tratada como eixo de eficiência: orientando fluxos, reduzindo ruídos, qualificando a relação com as unidades e ampliando a previsibilidade. A própria lógica do tripé reforça que comunicar não é apenas divulgar; é tornar processos compreensíveis e acompanháveis, conectando transparência e governança ao dia a dia da comunidade universitária, por isso, em 2025 trabalhamos em projetos que vão aperfeiçoar ainda mais essa comunicação em 2026.

 

Por conseguinte, um outro instrumento de comunicação e transparência implementado pelo DAF foi a “Agenda do DAF”. Divulgada mensalmente no exercício de 2025, ela apresenta resultados por áreas temáticas que envolvem todas as diretorias do decanato. Por ela, foi possível acompanhar que, nas compras nacionais, avançamos na condução de pregões e licitações e na garantia de insumos prioritários; nas importações, mantivemos a logística internacional e preservamos entregas estratégicas para as unidades; nos contratos, fortalecemos a gestão e a continuidade das entregas pactuadas, com mais controle e previsibilidade; na conformidade processual, asseguramos regularidade, padronização e segurança dos fluxos, reduzindo riscos e retrabalho; no patrimônio, aperfeiçoamos planejamento, organização e reposição de itens críticos, evitando desabastecimento; e na contabilidade e finanças, sustentamos a execução e a previsibilidade dos pagamentos, garantindo fluxo regular e estabilidade administrativa.

 

Para 2026, com o apoio da Procap/DGP, o DAF vai iniciar o ano com um processo de capacitação de gestores e agentes de contratações, que envolve desde o lançamento do instrumento de cobrança à adequada utilização do Painel Gestão UnB. No eixo de inovação e modernização, um dos projetos com maior potencial de impacto é o desenvolvimento do Cartão Pesquisador, em parceria com o DPI, para simplificar rotinas e qualificar a experiência de pesquisa e inovação, integrando instrumentos administrativos à dinâmica acadêmica. Na mesma direção, avançam colaborações com o DEG para aperfeiçoar formas de ingresso e processos associados; com o DAC para aprimorar serviços e a gestão contratual do Restaurante Universitário, tema sensível para estudantes e para a qualidade de vida no campus; e com o DEX para qualificar editais e contratos que sustentam ações de extensão, conectando a Universidade às demandas sociais.

 

Assim, se 2025 foi o ano de consolidação de bases e de entregas estruturantes, 2026 será o ano de escala, aperfeiçoamento e novas iniciativas integradas, aprofundando a transversalidade como cultura permanente. O compromisso é aprofundar a integração entre decanatos, escalar projetos estratégicos e seguir aprimorando processos, sempre com foco em resultados que se traduzam em melhor serviço ao público. O objetivo permanece inequívoco: construir, com alunos, técnicos e docentes, uma UnB ainda mais eficiente, inovadora, acolhedora, inclusiva e referência nacional em gestão pública universitária.

 

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