Cláudia Regina Nunes dos Santos Renault e Caio Henrique Inácio Ferreira
O primeiro ano da SDH/UnB consolidou a institucionalidade, firmando-se como espaço de acolhimento, orientação e articulação. A equipe técnica, formada por servidoras e servidores técnico-administrativos em educação nas áreas de serviço social, psicologia, assuntos educacionais e administração, tem sido essencial para ouvir de forma qualificada e oferecer respostas às diversas demandas que chegam à secretaria. A SDH se estrutura em coordenações e setores, que trabalham de forma articulada e transversal entre as temáticas.
A Coordenação LGBTQIA+ realizou atendimentos individuais e coletivos, principalmente a estudantes em situação de vulnerabilidade decorrente de conflitos familiares e comunitários ligados à LGBTfobia, que afetam sua permanência acadêmica. As ações incluíram acolhimento, análise técnica e encaminhamentos para serviços internos e externos, além de solicitar bolsas emergenciais do Programa de Atenção à Diversidade (Resolução CAD 011/2020) para casos de risco psicossocial. A coordenação promoveu iniciativas de visibilidade, como o Mês da Visibilidade Trans, com aula aberta sobre cotas trans, mostra cultural e hasteamento da bandeira trans, bem como divulgou o mapeamento de pessoas trans, travestis e não binárias para subsidiar debates sobre banheiros neutros e políticas afirmativas. Também organizou o segundo Encontro de Coletivos LGBTQIAPN e Pesquisadoras, em parceria com AAIUMB e NEDIG, solicitou adaptações e mapeamento para banheiros neutros, representou a universidade em formações internas e eventos externos, integrou o grupo de trabalho que definiu diretrizes para a implementação das cotas trans nos processos seletivos da instituição.
A Coordenação de Mulheres (CODIM) atuou de modo central na estruturação de políticas de gênero, cuidado e maternidade na universidade. A Política Materno-Parental, aprovada pela Resolução CAD 023/2024, iniciou suas primeiras articulações para instalação da Comissão de Acompanhamento. O mapeamento materno, feito via SIGAA, continua sendo atualizado e orienta debates relevantes, como o acesso de crianças ao Restaurante Universitário. Avançaram também as ações relativas ao Centro de Educação Infantil da UnB (CEI-UnB). A SDH é gestora adjunta do Acordo de Cooperação Técnica entre a UnB e a SEEDF e a CODIM integrou a comissão multidisciplinar que acolhe pais e responsáveis em busca de informações sobre vagas e funcionamento, mantendo diálogo constante com a SEEDF. Paralelamente, seguiram-se discussões sobre espaços de convivência, em parceria com coletivos da universidade, visando ampliar espaços de cuidado e convivência no campus.
A Coordenação Negra (COQUEN), sediada no Centro de Convivência Negra (CCN), expandiu ações de acolhimento e articulação com estudantes negros advindos das políticas de ações afirmativas. O programa carro-chefe, AfroAtitude, integra ensino, pesquisa e extensão voltados à raça, à diáspora africana e às relações raciais, fortalecendo o sistema de cotas na UnB e contribuindo para um ambiente físico e simbólico de reconhecimento étnico. No CCN, ocorreram oficinas, seminários, cursos e letramento sobre raça e etnia. O espaço recebeu o nome de Centro de Convivência Negra Lélia Gonzalez, resultado de consulta pública promovida pela coordenação.
A Coordenação Indígena (COQUEI) evidenciou o compromisso da UnB com permanência qualificada, fortalecimento identitário e práticas interculturais internas e externas. Apesar de desafios estruturais e institucionais, os avanços demonstram a relevância estratégica da política indígena na universidade, e aponta a necessidade de investimentos contínuos para consolidar uma educação superior verdadeiramente inclusiva, decolonial e socialmente referenciada. Além disso, realiza o vestibular específico indígena que oferece acesso diferenciado para ingresso na graduação.
O Setor Internacional da SDH cuida do Programa de Estudantes Convênio de Graduação (PEC-G) na UnB, abrindo oportunidades para jovens estrangeiros, principalmente da África, América Latina e Caribe, cursarem graduação no Brasil, promovendo intercâmbio cultural, internacionalização e redes de cooperação. A UnB também participa do PEC-PLE, ajudando estudantes não lusófonos a se prepararem para o exame Celpe-Bras, requisito de ingresso no PEC-G. O SETInt/SDH, em parceria com outros decanatos, acolhe e oferece suporte institucional (moradia e alimentação) para assegurar qualidade acadêmica e permanência, além de, em parceria com o MEC/UnB, fornecer bolsas PROMISAES e Mérito.
O eixo de formação da SDH teve um conjunto importante de atividades ao longo do ano. A secretaria realizou sensibilizações e capacitações sobre violência, assédio e direitos, atendendo solicitações de unidades acadêmicas e administrativas. Uma dessas ações ocorreu com a equipe terceirizada do Restaurante Universitário, e outras estão agendadas. O curso Maria da Penha vai à Universidade, desenvolvido em parceria com o MPDFT, CODIM, TJDFT e DPDF, teve sua primeira edição e deve continuar nos próximos períodos. As ações do 8 de Março e do Agosto Lilás reuniram palestras, rodas de conversa e materiais educativos, alguns deles selecionados por meio de edital e agora distribuídos em formatos físico e digital.
Apesar de limitações operacionais e desafios institucionais em 2025, a SDH avançou em suas frentes: manteve atendimentos, ações formativas, mapeamentos, articulações e debates sobre políticas estruturantes. Para o próximo período, as prioridades incluem a retomada das reuniões da Política Materno-Parental, o lançamento do novo edital de vagas do CEI-UnB, a ampliação das capacitações, a continuidade do curso Maria da Penha vai à Universidade, a implementação da Cuidoteca no período noturno em parceria com o MDS e o acompanhamento de ações sobre banheiros agêneros. Também seguem como objetivos a recomposição das equipes e o fortalecimento da articulação com estudantes, servidores e coletivos.
O balanço deste primeiro, portanto, mostra que a SDH conseguiu consolidar bases importantes, fortalecer políticas de acolhimento e ampliar ações de prevenção e formação. A expectativa é de que os próximos anos permitam aprofundar e expandir esse trabalho, reforçando o compromisso da UnB com uma universidade mais justa, segura e igualitária.
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