OPINIÃO

José Carmine Dianese é professor emérito da UnB, PhD em Fitopatologia pela University of California-Davis, Fellow da  American Phytophological Society (APS), recipiente do Emil Mrak International Award-Univ. of California-Davis, Honoray Member-Mycological Society of America, Membro Honorário da Associação Latino-Americana de Micologia, ex-Diretor do Instituto de Ciências Biológicas da UnB. Foi membro do Permanent Nomenclature Committee for Fungi da Intern. Assoc. of Plant Taxonomists, além de membro do Executice Committee da International Mycological Association e do Mycology Committee da APS.

José Carmine Dianese

 

Em meio às comemorações dos 60 anos da Universidade de Brasília, é importante destacar algumas realizações e eventos históricos vinculados aos fundadores da Fitopatologia na UnB, que tem sua origem internacional, com corpo docente compartilhado entre egressos da Universidade de São Paulo (Elliot Watanabe Kitajima, Cláudio Lúcio Costa, Armando Takatsu e Francisco Pereira Cupertino) e da Universidade da Califórnia, Davis (Hasan Bolkan, Shiou Pin Huang, Min Tien Lin e José Carmine Dianese), lotados nos departamentos de Biologia Vegetal e Biologia Celular do Instituto de Ciências Biológicas.

 

Entre essas realizações merecem destaque algumas descobertas, como a do primeiro vírus do mundo infectando bambu e a da primeira detecção de transmissão de vírus por fungo no Brasil. A criação da primeira seroteca do Brasil para identificação de vírus de plantas; etiologia do chochamento da mandioca; o registro de Xylella fastidiosa em ameixeira na Argentina, no Brasil e no Paraguai; a detecção do vírus da risca do milho no vetor; a replicação do sun blotch viroid no cloroplasto do abacateiro e a descoberta de novo viróide em Coleus; da Murcha de Fusarium em citros no Brasil; da bacteriose da videira; do agente da ferrugem da videira no Brasil; de três gêneros novos de fungos causadores de ferrugens (Batistopsora, Crossopsorella  e Kimuromyces) e da reinstalação de outro (Mimema); de agentes das ferrugens de jatobá, pequi, pau santo, Gonçalo Alves e gabiroba; de nova família de fungos em planta do Cerrado; de primeiro fungo (Ramularia crupinae) introduzido nos EUA para controle de Crupina vulgaris.

 

Além disso, foram publicados internacionalmente os primeiros trabalhos sobre Ferrugem e Murcha Bacteriana do Eucalípto e o primeiro livro de Fisiopatologia Vegetal (1992) em português. Foram descritas mais de 150 novas espécies e 20 gêneros novos de fungos do Cerrado; descobertos e descritos aqui os primeiros fungos associados aos tricomas foliares; publicadas imagens de fitovirus em capas dos periódicos Intervirology e Cytobiologie e de fungos do Cerrado em capas dos periódicos Plant Disease e Mycologia; foram montadas as coleções micológica e de nematóides fitopatogênicos da UnB.

 

A pós-graduação em Fitopatologia é a única do país a ter dois docentes Fellows da Am. Phytopathological Society e única com docente Honorary Member da Mycological Soc. of America e detentor do Mrak International Award (Univ. Calif.-Davis). Foi uma da duas pós-graduações da UnB a manter o Nivel A da Capes por 25 anos seguidos, a partir de 1976: Antropologia e Fitopatologia. É a única pós-graduação de Fitopatologia com docente a presidir a Sociedade Latino-Americana de Micologia e seu Congresso em 2005; seus docentes foram responsáveis pelo lançamento (1976) do mais importante periódico de Fitopatologia da América Latina, Tropical Plant Pathology- Springer) e sua edição por 24 anos.

 

Outros feitos a serem ressaltados são a reinstalação da microscopia eletrônica (década de 1970) e instalação do primeiro microscópio eletrônico de varredura da UnB. Estima-se em cerca 3 milhões de dólares os recursos de diversas fontes trazidos para a UnB pelos fundadores da Fitopatologia. Tudo isso fruto de um sonho trabalhado coletivamente com perseverança, realismo, harmonia e honestidade, sob o manto de uma instituição vitoriosa, nossa UnB.

 

ATENÇÃO – O conteúdo dos artigos é de responsabilidade do autor, expressa sua opinião sobre assuntos atuais e não representa a visão da Universidade de Brasília. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.