OPINIÃO

Gabriel Medina é professor associado da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Brasília (FAV/UnB). Licenciado pleno em Ciências Agrárias (2001), com mestrado em Agriculturas Familiares e Desenvolvimento Sustentável pela Universidade Federal do Pará (UFPA). Possui doutorado em Ciências Naturais (2008) pela Universidade de Freiburg, na Alemanha, com título revalidado como doutor em Ciências Agrárias, e pós-doutorado em Políticas Ambientais (2014) pelo Imperial College London, no Reino Unido. É professor nos programas de Pós-Graduação em Agronegócios da UnB e da Universidade Federal de Goiás (UFG).

 

Gabriel Medina

 

Denomina-se agropecuária, a produção de soja, a criação de gado e outras atividades feitas dentro da fazenda. Denomina-se agronegócio, a produção agropecuária somada aos insumos usados na fazenda e ao processamento e à comercialização dos produtos agropecuários. O agronegócio, portanto, inclui o setor primário e também os setores industrial e de serviços.

 

Em 2020, o agronegócio como um todo (incluindo, indústria, serviços e produção agropecuária) foi responsável por 26,7% do PIB brasileiro, enquanto que a produção agropecuária representou 7% do PIB nacional. O setor industrial tende a remunerar melhor o capital e o trabalho do que a produção primária na fazenda graças à sua maior capacidade de economia de escala e de inovação.

 

Mesmo com todo o apelo do agronegócio, o país ainda não possui uma estratégia de longo prazo para seu desenvolvimento sustentável. A política agrícola do país está direcionada à produção agropecuária primária na fazenda e não há planejamento para o desenvolvimento das cadeias produtivas do agronegócio como um todo, incluindo o setor industrial.

 

Com isso, a competitividade do agro brasileiro tem ficado, em parte, restrita ao aumento da produção primária com expansão para novas fronteiras agrícolas, o que gera impactos ambientais e sociais negativos. Enquanto isso, os setores industriais do agronegócio feito no Brasil são cada vez mais controlados por empresas multinacionais estrangeiras.

 

Para que o país ganhe mais com o agronegócio feito no Brasil, é necessário ampliar a participação dos grupos domésticos nos setores industriais que melhor remuneram capital e trabalho. Para isso, é fundamental pensar o agro para além da produção primária na fazenda e incluir o segmento industrial.

 

Eventuais perdas com a produção primária podem ser compensadas com maior participação doméstica nos setores industriais do agro. Como exemplo, toda a receita gerada pela produção de soja em área desmatada na Amazônia poderia ser compensada por um crescimento de 11% de participação doméstica no segmento de processamento e comercialização de soja.

 

Cenários para o agronegócio sustentável são explorados no artigo científico Transparency in Global Agribusiness publicado por professores do Mestrado em Agronegócios da UnB na revista Logistics. O estudo revela a importância de investimentos em segmentos industriais do agro e chama a atenção para a importância da ciência, tecnologia e inovação para o país.

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