OPINIÃO

Enrique Roberto Argañaraz é professor do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. Graduado em Bioquímica pela Universidade Nacional de Tucumán (Argentina). Mestre e doutor em Imunologia e Genética Aplicadas pela UnB.

Enrique Argañaraz

 

O que é sabedoria? Como alcançá-la? Porque é tão importante cultivar a sabedoria? Essas questões acompanham o ser humano desde os primórdios da humanidade e é o principal objeto de estudo da filosofia (filo: amor; sofia: sabedoria). De fato, quando procuramos uma definição de sabedoria, esta aparece meio vaga, nebulosa e fica difícil chegar a uma definição clara. Por isso vamos começar por identificar o que não é sabedoria. Sabedoria não é conhecimento, inteligência, nem um alto QI. De fato, um curso superior ou pós-graduação não garantem, nem são um passaporte para a sabedoria.

 

Sabedoria não significa não cometer erros, mas sim “aprender” muito profundamente com o sofrimento que eles trazem, identificando as verdadeiras causas para não os repetir. Essa capacidade de discriminação apurada dos mais diversos acontecimentos capacita a tomada de boas e sábias decisões.

 

A visão holística, não restrita, inerente à sabedoria leva ao reconhecimento das complexidades e sutilezas das diferentes situações e a percepção de que “existem mais cinzas do que pretos e brancos”. Frequentemente as circunstâncias, das mais simples até as mais complexas, não são o que parecem à primeira vista, e, consequentemente, requerem uma visão contra intuitiva, por exemplo, a resposta "não sei”, dita por uma pessoa sábia, embora demonstre ignorância, é um claro sinal de sabedoria.

 

Uma mente sábia é objetiva, neutra e imparcial, o que lhe permite perceber através dos preconceitos e refletir à luz de sua própria natureza, tornando-se consciente de que esses vieses distorcem a realidade.

 

Então o que é um individuo com sabedoria? É alguém que prioriza valores, sem ser dogmático, em detrimento da busca por segurança e prazer e da tentativa de fazer a vida mais fácil ou confortável, o que o diferencia da grande maioria, que se guia por desejos e aversões, raízes do sofrimento humano.

 

Os indivíduos com sabedoria exibem uma “humildade existencial epistêmica” surgida de uma interação profunda e verdadeira com a vida. Cientes de suas limitações, sempre procuram conhecimento visando diminuir a possibilidade do autoengano e aprendem com os erros. Se expõem às experiências, com uma mente flexível e abertos a mudanças, sem ser manipuláveis.

 

Uma percepção aguçada e contra intuitiva da vida também é uma característica marcante deste tipo de indivíduo, que tolera paradoxos, sem ficar confuso ou paralisado, já que entende que a realidade é aparentemente contraditória.

 

Quanto mais sábia, mais consciente e livre de preconceitos a pessoa se torna, pois entende que frequentemente a vida não acompanha os pensamentos, julgamentos e desejos pessoais.

 

Indivíduos sábios não têm problemas em dizer “não sei”, não julgam a si nem os outros por isso, capacidade esta que pode levar toda a vida para ser desenvolvida. Assumem suas responsabilidades e não culpam os outros pelas próprias inadequações, problemas ou sofrimentos, fazendo o que tem que ser feito, sem serem tomados pelas emoções. Em outras palavras, possuem uma elevada inteligência emocional.

 

 

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