OPINIÃO

Enrique Roberto Argañaraz é professor do Departamento de Farmácia da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. Graduado em Bioquímica pela Universidade Nacional de Tucumán (Argentina). Mestre e doutor em Imunologia e Genética Aplicadas pela UnB.

Enrique R. Argañaraz

 

A consciência é o fundamento da existência humana, mas também é uma das maiores incógnitas científicas. A visão clássica sustenta que a consciência emerge da matéria, como um epifenômeno da atividade cerebral. Esta visão baseia-se na existência correlações entre a atividade de algumas áreas do cérebro com certas capacidades ou habilidades.


Na neurobiologia clássica, área que se dedica ao estudo da consciência, identifica-se dois tipos de problemas; o chamado “easy problem”, que consiste em entender o funcionamento do cérebro e sua correlação com certas experiências conscientes e o “hard problem”, que consiste em entender como se dá a percepção profunda das experiências a nível de pensamentos, memórias e do subconsciente.


Certamente, a visão clássica – cartesiana da consciência não explica os mais variados fenômenos relacionados a interface Mente-Cérebro, tais como: I- A extraordinária habilidade e velocidade de guardar, armazenar, decodificar e recuperar informações, incompatíveis com processos biológicos clássicos; II- Como a atividade cerebral produz a experiência da percepção? III- Como relacionar a estrutura física e objetiva do cérebro à sensação subjetiva da consciência? IV- Como 1.400 gramas de tecido pegajoso, o cérebro, pode nos dotar de uma inexplicável, porém única, percepção da própria existência?


De fato, a percepção se dá como um filme em 3D acontecendo em tempo real, o tempo todo e em diferentes faixas. Com visão e áudio, cheiro e sabor, emoções, memórias, um narrador (a mente) e, no coração do filme, o sujeito - Eu experimentando!
Neste contexto, diferentes modelos, envolvendo desde níveis celulares até cérebro globais, têm sido sugeridos com o intuito de responder perguntas, tais como: A que nível a consciência é gerada? isto é, qual é o substrato neural da experiência consciente, se é que existe? e, onde ele está localizado?


As “teorias conexionistas” globais da consciência, que representam as principais ideias da neurociência cognitiva contemporânea, se baseiam em uma abordagem conexionista, na qual a ativação e interação de redes neuronais dos lobos cerebrais e tronco encefálico são usadas para entender a funcionalidade e cognição cerebral.


Essas teorias permitiram caracterizar alguns fenômenos conscientes com certas propriedades comuns, identificando processos cerebrais e possíveis mecanismos subjacentes. Este argumento cartesiano tradicional da consciência em associação com a hipótese neural específica, baseada em evidências eletrofisiológicas, se tornou uma ideia influente nas ciências cognitivas atuais. Na metáfora do teatro cartesiano da consciência, uma parte iluminada do palco representa a memória imediata, enquanto o resto do palco está na escuridão do inconsciente. O ponto brilhante se correlaciona com a ativação de uma área cortical de projeção sensorial específica (por exemplo, visual, auditiva), enquanto outras áreas corticais são simultaneamente inibidas, pois correspondem a partes não iluminadas do palco. Sendo assim, o papel mais importante da consciência seria o de integrar e coordenar um grande número de redes especializadas que, de outra forma, operariam de maneira autônoma e desconexa.

 

Clique aqui para ler o texto na íntegra.

ATENÇÃO – O conteúdo dos artigos é de responsabilidade do autor, expressa sua opinião sobre assuntos atuais e não representa a visão da Universidade de Brasília. As informações, as fotos e os textos podem ser usados e reproduzidos, integral ou parcialmente, desde que a fonte seja devidamente citada e que não haja alteração de sentido em seu conteúdo.